O manual de conduta do Fernando para as eleições

Eleição

Agora que acabou a Copa vem a parte do ano que eu mais temia:  Eleições.  De apenas mais um evento de um país democrático, as eleições no Brasil estão indo para final de campeonato estadual com rivalidades extremamente idiotas vindo a tona.

Como não estou nem de um lado nem de outro, resolvi publicar este post, o qual linkarei sempre que alguém me colocar em alguma discussão ou resolver me indicar candidatos ou achar que eu tenho que tomar parte em alguma discussão política.  Dado o nível de burrice da militância hoje em dia, acho que eu teria que desenhar, mas como não sou artista, vai por texto mesmo.

1 – Todos são corruptos:  Pra mim todos os políticos são corruptos, inclusive o seu.  Não me importa se você ache que ele foi condenado sem provas ou se ele supostamente não se alia com corruptos, eu não ligo.  Entrou na política é corrupto.

Isso significa que eu não tenho político de estimação. Nem o ex-presidente preso, nem o ex-militar que fez motim por salário, nem a diva o juiz de Curitiba, nem o empresário candidato,  nem a comunista bonitinha…  Ninguém.

2 – Sem Fake News:  Tudo o que me mandam em redes sociais eu checo.  Meu site preferido para tal é o e-farsas, mas eu procuro de diversas formas, e na maioria das vezes 5 minutos de Google dão conta.  E tanto faz que sua fake News seja para denegrir seu adversário ou exaltar seu ídolo, se você precisa mentir para sua causa, ela não é tão boa assim.

3 – Censura nunca mais:  Sou contra qualquer tipo de controle dos meios de comunicação. É curioso que tanto esquerda quanto direita querem controlar a informação.  Quem tem que controlar o que seu filho vê é você e não o governo e eu quero ter o direito de ver e ler o que eu quiser sem um governo se intrometendo.  Sim, eu acho coisas como a tal Queermuseu totalmente ridículas, mas com coisas ridículas eu simplesmente ignoro.  Façam o mesmo e não chiliquem.

4 – Também quero a liberdade dos cidadãos:  Acho que a Constituição é boa nisso:  Ninguém será obrigado a nada exceto por força da lei.  Quero que as pessoas possam pensar e exprimir seus pensamentos e, a menos que seja proibido, possam fazer o que quiserem também.  O fato de você poder defender seu candidato vem disso e outras pessoas também podem defender o candidato delas.

5 – Religião é religião, política é política:  Coisas que eu não olho na hora de escolher um candidato:  Religião, cor da pele, gênero, opção sexual.  Isso não me importa.  Me importa sim as propostas do candidato para o cargo ao qual ele concorre.  Lembre-se do item 1, então, não espero uma pessoa honesta.  O Estado Brasileiro é laico e espero que continue assim, garantindo a todos os cidadãos o direito de terem a religião que quiserem ou de não terem religião.  Por esse motivo eu de imediato descarto candidatos que carreguem títulos religiosos em seus nomes políticos.  Pastor fulano, irmão cicrano, bispo beltrano, babalorixá Zulmira…  vocês estão fora das minhas opções.

6 – Aborto não:  Apesar de eu defender a liberdade de todos os cidadãos, aborto não me soa bem.  Porque no aborto você está tirando a vida, e portanto a liberdade, de alguém que sequer teve a chance de ser alguém.  Eu sei que a lei de Ian Malcolm diz que a vida sempre arruma um jeito, mas existem duzentas formas de se impedir a gravidez.  Usem-nas.  A lei do aborto no Brasil deve ficar como está.

7 – A piada é sagrada:  Vamos rir.  Vamos fazer piada.  Vamos sacanear todo mundo.  Não fique chateadinho por zoarem seu candidato.  Quem faz piada de tudo é mais inteligente do que quem milita pra candidato.  Se você se incomodar com uma piada, sinto muito, está no lugar errado.

8 – O Silêncio é seu amigo:  Eu não vou me furtar a comentar, no geral criticando todos os candidatos.  Se você quiser um debate saudável, seja bem vindo.  Se só vier criticando, das duas uma:  Se você é meu amigo, eu não vou responder porque não acho que esses vagabundos candidatos valem uma amizade. Se eu te bloquear você não era meu amigo.

9 – O mundo não é binário:  Talvez pelo fato de militantes terem apenas dois neurônios, eles devem achar que também só existe preto e branco.  Pessoas inteligentes sabem que não é assim.  Portanto, se eu critico o Bolsonaro, isso não me torna um eleitor do Lula e se eu critico o Lula isso não me faz eleitor do Bolsonaro.

 A propósito, eu acho isso ridículo em gênero, mas na ideologia eu me considero politicalfluid.  Isso significa que tenho ideias de direita e de esquerda e não vejo isso como um problema.  Pedir votos para candidato é do jogo, você não está fazendo nada errado, mas eu me reservo o direito de achar militantes burros.

10 – Sem extremos:  Não gosto de nenhum extremo:  nem de direita nem de esquerda. E também há fontes que eu simplesmente não respeito.  Apenas para ficar em uma de cada lado:  Não respeito a UJS e nem o MBL.  Há vários outros, claro, mas fico nesses dois como exemplo.  Qualquer coisa utilizando esses trecos como fonte estará sujeita a minha ridicularização.

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E a Fox aprendeu mais uma vez que quem lacra não consome

narradoras-fox

A Fox prometeu antes da Copa que ela seria a primeira emissora a fazer uma transmissão de copa do mundo com uma narradora.  Legal, pensa você.  Até saber como isso foi feito.

Até seis meses atrás não havia uma narradora nos quadros da Fox Sports.  A última aquisição ao time fora o excelente Teo José, dispensado da Bandeirantes.  Como fazer então?

Bem, a Fox promoveu uma espécie de reality chamado “narra quem sabe”.  Eles abriram sua caixa de e-mails para qualquer uma mandar um exemplo de narração para eles.  Além disso montaram também uma cabine num shopping na Barra da Tijuca onde qualquer uma que estivesse passando pelo shopping poderia se arriscar a narrar.

Até aí tudo bem, andando pelas ruas por aí devem ter excelentes narradores, excelentes comentaristas, excelentes engenheiros, etc. mas geralmente como essas pessoas não estão exercendo essas profissões, elas precisam ser treinadas.

Não foi o que fez a Fox.  Imagino que pela quantidade de candidatas eles devem ter selecionado narradoras competentes, mas antes de soltá-las na fogueira, precisavam ter treinado as mesmas.  Contudo, a emissora fez uma baita campanha dizendo que os jogos da Copa pela primeira vez seriam narrados por uma mulher, inclusive os jogos da seleção brasileira.  Resultado?

http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/publico-ignora-transmissao-so-com-mulheres-e-canal-da-fox-e-lanterna-da-copa–21074

A Fox tanto não confiou na transmissão que ela mesmo bolou que as mulheres transmitiram o jogo da seleção no canal 2.  O principal teve uma transmissão com homens.  O que houve então?

A matéria acha que foi machismo.  A Fox Sports apostou num público que não consome.  Ao entregar apenas mulheres narrando, eles esperavam uma horda de feministas e esquerdomachos assistindo ao canal para prestigiar as mulheres.  Sorry, essas pessoas ou não viram o jogo ou acabaram vendo com o Galvão mesmo.

No segundo jogo da seleção (Brasil x Costa Rica), assisti um pouco da reprise do jogo na narração feminina.  O problema não é machismo.  Também não é a voz.  A narradora tem até sotaque mineiro, que eu adoro.  Ela não é ruim, só está crua.  Falta treino.

Um exemplo:  A bola foi passada na área para um jogador brasileiro, ela não conseguia identificar o jogador, antes da bola chegar no jogador ela não sabia o que ia acontecer, narrou os lances atrasados e por vezes ficou muda esperando o desfecho para então contar todo o lance.

Eu reconheço que isso é difícil, se me botassem lá eu me sairia pior que as moças.  Mas uma vez que elas estão fazendo isso profissionalmente espera-se que consigam.

A culpa foi delas então?  Não acho.  Pra mim a culpa foi do canal que só pensou em lacrar e esqueceu que narrar não é trivial.  O que não falta na Fox Sports são jogos de futebol, eles tem os direitos de trocentos campeonatos, por que não fazer a seleção de narradoras um ano antes da copa e colocá-las aos poucos nos jogos, deixando-as treinarem para quando chegassem a Copa do Mundo estivessem afiadas?

Provavelmente só pensaram nisso faltando meses para a Copa.  Aí não daria mais tempo.  Resolveram então pensar apenas no lacre e largaram as narradoras selecionadas aos leões.  Só que quem lacra não consome, haja vista a audiência do futebol feminino.

Eu só espero que a Fox não desista, que não tenha lá um executivo que só olhe para números e tome decisões idiotas e mantenha as meninas no seu quadro narrando os demais campeonatos que a emissora detém os direitos e até mesmo outros esportes.  Eu assisto muito a Fox Sports para ver a Nascar e outras corridas e, na minha opinião, elas seriam bem vindas.

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Quando o papo é guerra, o melhor é tirar vantagem do que puder

Helicóptero

Em fevereiro de 1945, após três tentativas frustradas, finalmente a FEB conquistava Monte Castelo.  Antes disso os brasileiros passaram todo o inverno na base desse morro com os alemães lá de cima vigiando todos os movimentos destes.

Como Anakin Skywalker aprendeu ao perder as pernas, quem combate em terreno elevado tem uma vantagem tática considerável, tendo o poder de observar a movimentação inimiga, ter melhores pontos de tiro e a gravidade a seu favor. Por isso, tomar colinas sempre é um grande desafio da tática militar.

Os ataques anteriores a Monte Castelo foram frustrados porque a FEB não dispôs de apoio aéreo e ainda, essa montanha não era a mais alta da região.  Havia outras elevações na área, conhecida como Apeninos que estavam dominadas pelos alemães.  Isso significava que, toda vez que as tropas brasileiras estivessem próximas de tomar Monte Castelo, os alemães nas outras montanhas eram capazes de reagir com fogo de artilharia, obrigando a uma retirada dos brasileiros.

Para resolver esse problema, foi incorporada ao V Exército Norte Americano a 10ª Divisão de Montanha.  Era uma tropa especializada treinada em técnicas de alpinismo nas montanhas rochosas do Colorado.  Eles atingiram os mais altos cumes da formação e de lá foram capazes de expulsar os alemães das outras elevações como o Monte Belvedere e Gorgolesco.  Com seu flanco livre, a FEB pode avançar sobre o Monte Castelo sem o risco de fogo de artilharia ou contra ataques.

Além disso, como o tempo no dia do ataque estava bom, as tropas em terra ganharam o apoio desse brinquedo:

P47

Esses são Republic P-47 Thunderbolt.  Ele levava nas asas oito metralhadoras .50.  Quando o piloto decidisse varrer o solo com elas você não iria querer estar do lado errado dessa vassoura.  Além disso, ele podia levar quase 1200kg em bombas ou foguetes não guiados.  Naquele dia toda essa democracia foi entregue nas cabeças dos nazistas no alto das montanhas.

Como resultado dessas ações, a FEB, a 10ª de montanha e outras divisões do V exército norte americano foram capazes de romper a linha gótica.  Isso colocou os alemães em franca retirada pois após os Apeninos vem o Vale do Pó que impossibilitava qualquer ação defensiva.  O exército alemão agora recuaria para a região de fronteira entre Itália, Áustria e Alemanha, nos Alpes, onde se acreditava que Hitler montaria sua fortaleza final.

Percebendo que o movimento das tropas era acelerado, e que o transporte dos obuseiros da artilharia naquele momento serviria apenas para atrasar o avanço, o Coronel Castelo Branco (sim, ele mesmo) mandou que se tirasse os obuseiros dos veículos e estes transportassem os fuzileiros. Dessa forma a FEB foi capaz de ultrapassar uma grande unidade alemã e cercá-la em Fornovo.  A FEB acabou por conseguir a rendição de mais de 10.000 soldados alemães nesse local.

Você não quer que a guerra seja justa.  Quanto maior a assimetria de uma guerra, mais rápida ela termina.  No teatro do Mediterrâneo os aliados usaram daquilo que tinham de vantagem:  Tropas treinadas, mais bem equipadas e sua força aérea.  A combinação desses recursos permitiu que menos vidas brasileiras, americanas, sul-africanas e até mesmo alemãs fossem perdidas e os civis italianos puderam voltar a suas vidas o quanto antes.

Por isso quando algum idiota que não entende nada com nada mas tem algum poder porque passou em concurso público aparece com esse tipo de ideia temos que apontar a burrice.

O Rio está em guerra.  As favelas ficam em morros.  O inimigo portanto tem a posição mais elevada. De lá eles sabem quando a polícia chega e também conhecem seus movimentos.  Para derrotar esse inimigo o uso de apoio aéreo é essencial, exatamente o que o distinto defensor público quer retirar.

O inimigo é bem armado, mas indisciplinado, desorganizado e sem táticas.  Além disso, a determinação é questionável.  O bandido só entra para o tráfico ou para a milícia atrás de dinheiro e status.  Por isso ele não se dispõe a morrer pela causa, não é como um militante do ISIS.  Assim, a principal tática dele acaba sendo se esconder em meio à população civil.  É perfeitamente possível derrotá-lo se não amarrarem as mãos das forças de segurança.

O uso de helicópteros pela polícia é essencial, assim como de tropas especializadas em alpinismo e todas as vantagens possíveis contra os bandidos.  Com isso, por mais contraditório que se possa parecer a primeira vista, mais vidas serão poupadas, de policiais, de inocentes e até mesmo de bandidos.

A morte do garoto que ia para a escola na Maré é triste? Certamente.  Infelizmente danos colaterais irão ocorrer.  Mas quanto mais rápido isso for resolvido, menos pessoas irão se ferir.  Por isso, não se deve deixar as coisas iguais entre a polícia e os bandidos, mas sim dar aos policiais toda a vantagem possível.

A propósito, uma juíza negou o pedido imbecil do defensor público.

Fonte:  “A FEB por um Soldado” – Joaquim Xavier da Silveira; Expressão e Cultura, 2000.

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Todos nós precisamos nos entreter. Deixe cada um com o que gosta

Poster copa

Eu achei que todo o mimimi com a Copa do Mundo acabaria em 2014.  Afinal, agora não vamos sediar uma copa tão cedo, o dinheiro que gastaram nessa copa é russo, e como foram os custos e gastos do governo não é mais problema nosso.  Mas não.  Os fiscais de gosto alheio continuam a todo vapor nas redes.

O que me assusta nesse tipo de gente é que eles são hipócritas sem perceberem.  Eu fico vendo as pessoas reclamando que Copa é pão e circo, que enquanto torcemos pela seleção os políticos fazem isso e aquilo mas…  Elas também procuram forma de se entreter!  Seja com Netflix, com outros esportes ou mesmo com futebol dos clubes.

Elas não estão erradas.  Se você ficar o tempo todo dizendo que enquanto as pessoas falam de copa a violência no Rio aumenta, que enquanto você torce pelo Neymar os deputados estão te roubando, entre outras besteiras, das duas uma:  Ou você fica paranoico ou um chato.  E ninguém quer conviver com nenhuma das duas.

O que parece que essas pessoas, talvez inconscientemente talvez não, é regular o tipo de entretenimento que é válido.  E o que é válido é aquele que eles gostam.  Não gosta de festa junina e vai ter uma? “Que absurdo, o Rio violento desse jeito e vocês querem fazer festa?” Flamengo vai jogar no maracanã? “Vai mengão! Segue o Líder!”  Seleção vai jogar na copa? “absurdo torcer pra esses milionários, não me representam!”

Peguem leve.  Todo mundo sabe da violência do Rio, da corrupção, da falta de médicos, remédios, transporte, educação, do péssimo salário dos professores…  Mas não dá pra pensar nisso o tempo todo!  A hora de pensar nisso vem daqui a pouco, quando iremos às urnas.  Como estavam postando no Facebook, o Neymar não tem culpa das pessoas esperando atendimento médico no corredor do hospital.  A culpa disso é do político que, oh, surpresa, você elegeu!  Se você votou numa pessoa porque ela te prometeu um cargo, ou lhe deu um saco de cimento, um churrasco ou o que for, bem, a culpa é sua não do Neymar.  Então não o culpe por isso.

O esporte é uma válvula de escape.  Seja torcendo pela seleção ou pelo seu clube, é um momento para você desligar um pouco desse monte de problema.  Deixe as pessoas torcerem para o que quiserem.  Eu pessoalmente acho a Copa do Mundo o torneio maior e não ligo muito para o brasileirão.  É meu gosto, se você está chateado porque o seu campeonato parou, azar o seu, o meu só volta em quatro anos.

E quem não gosta de futebol?  Ok, não goste.  Quer boicotar a seleção? Boicote. Quer torcer pra Argentina? Torça, afinal o país é livre. Aliás vale lembrar que durante o regime ditadura militar, torcer contra a seleção era considerado antipatriótico e você poderia acabar fazendo uma visitinha à boate do DOPS.  Deixe cada um com seu gosto.

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Outra confusão no país, outra balela de intervenção militar.

Intervenção 2

Toda vez que dá confusão no país alguém aparece com a ideia da tal intervenção militar.  Isso nunca vai a lugar nenhum porque os militares tem mais neurônios do que as pessoas que pedem isso e não querem entrar nessa furada.  Mas é engraçado como os eufemismos vão se acumulando para tentar tornar a ideia mais palatável.

Falou em militar sempre alguém lembra de ditadura.  Agora tá na moda dizer que não houve ditadura no país e que o que tivemos foi um regime militar (eufemismos).  Aí para defender um novo golpe intervenção militar sacaram essa ideia:

Intervenção

Vamos ver como esse raciocínio é idiota?  Nem é difícil, vamos lá:

“Intervenção militar não é governo militar” Bem, a intervenção que eles defendem é os militares removendo o presidente, dissolvendo o congresso e tem uns que querem até demitir os ministros do STF.  Como eles não são anarquistas, alguém tem que ocupar o vácuo de poder o que seria uma junta militar.  Oh, militares no governo, isso quer dizer que temos um…  Governo Militar!

“Governo Militar não é Regime Militar” hum…  Bem, com os militares no poder tendo acabado com o congresso e com o STF eles precisarão de um arcabouço jurídico para o que vão fazer.  Eles precisam por exemplo dizer o que eles querem que nós façamos e deixamos de fazer.  Não dá para usar a Constituição porque ela não permite a dissolução do congresso.  Em 1964 eles usaram do Ato Institucional.  Eles vão precisar de algo parecido para instituir seu modo de governo.  Aí você vai no dicionário e procura para a definição de Regime e… “conjunto de regras ou de disposições legais; regimento.”

“Regime Militar não é Ditadura Militar”  Senão vejamos:  Se chegamos até aqui estamos em um cenário de exceção.  Para poder dar um jeito no país os militares não podem ter pessoas questionando seus métodos.  Isso atrapalha, precisamos faxinar o país, não tem nada pra ver aqui cidadão, circulando.

Eles podem querer restringir o Twitter porque contas como a do Lei Seca são antipatrióticas ao informar sobre as blitz.  O Whatsapp pode ser usado por bandidos para conspirar contra a segurança nacional, portanto não é uma boa ideia ter esse serviço subversivo funcionando por aqui.  Logo irão querer controlar a mídia para impedir que a mesma espalhe “fake News” confundindo os cidadãos.

Eles podem por fim dizer que até outubro é pouco tempo para arrumar o país e as eleições previstas terão que aguardar mais um pouquinho.  Da última vez foram 22 anos.  Aí vocês sabem como se chama um regime onde não tem oposição, liberdades individuais e censura aos meios de comunicação né?

Problema dessa coisa de intervenção militar é que você sabe que começa como disse a Padmé:  Com aplausos.  Mas você não sabe como termina.  Pelo pouco que sei de história sei que não devo invadir a Rússia no inverno nem dar ultimato de rendição a gregos.  Com relação a regimes militares, vamos dar uma olhada:

O Zimbábue é comandado há 36 anos por Robert Mugabe que liderou uma revolta contra o Apartheid. O motivo era nobre, tanto que ele teve que executar uma série de opositores e o país não está estabilizado até hoje para que ele possa deixar o poder. O Zimbábue hoje tem uma das maiores taxas de inflação do mundo e é um dos poucos lugares do mundo onde a expectativa de vida diminuiu.

Na Líbia nos anos 60 governava uma monarquia opulenta enquanto o povo passava fome. Uma intervenção militar liderada por Muamar Gadafi deu cabo da nobreza e instituiu um novo regime que durou até recentemente.  Durante seu regime liberdades foram suprimidas e você não podia ter outra religião que não fosse o islã.  Em 1994 ele radicalizou no islã e instituiu a xaria.  Se você acha que é ruim ser mulher no Brasil, tente ser uma num país desses.  O governo de Gadafi caiu em 2011 e hoje a Líbia é um salseiro danado com uns 200 grupos lutando pelo poder.

Por fim um país cujo nome não vou revelar possuía um governo corrupto.  Esse governo estava fazendo o povo ficar cada vez mais pobre mesmo tendo o país imensas reservas de petróleo.  Insatisfeitos com a corrupção uma junta militar liderada por um proeminente coronel fez uma intervenção e esse oficial assumiu o poder.  Esse oficial foi reeleito em eleições questionáveis e morreu de câncer.  Seu sucessor está no poder até hoje e o país se encontra em um buraco econômico e social servindo como exemplo do que o Brasil poderia se tornar.

Há mais experiências com ditaduras militares do que com o comunismo.  Mas há uma coisa em comum entre eles:  Ambos não funcionam.  Crianças, não usem drogas.

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Greve dos combustíveis, falta de caminhoneiros e abundância de idiotices

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Nada mais no Brasil escapa a idiotice da militância dessa guerra de Coxinhas x Petralhas.  A greve dos caminhoneiros não poderia ser diferente com ambos os lados querendo tomar posse do movimento.

Os caminhoneiros querem basicamente uma redução de custos para o trabalho deles. Tudo num caminhão é caro e o frete não é.  Diesel, pneus, pedágio…  Tudo custa uma grana.  Um gasto inesperado numa viagem pode acabar com todo o lucro que você teria naquele frete.  Alguns querem valor mínimo para o frete, o que destruiria a concorrência.  Essa é uma das coisas que eu discordo deles.

O estopim para toda essa revolta?  Sucessivos aumentos nos combustíveis.  Praticamente diários.  Combustível tá caro?  Sim está.  Estamos em um péssimo momento onde o barril de petróleo subiu e o dólar também.  Isso impacta nos combustíveis.

A gasolina no Brasil por exemplo está com preços alinhados com o mundo.  Segundo o Global Petrol Prices o Brasil tá na meiuca da tabela.  Nossa gasolina é mais cara que nos EUA, mas é mais barata que em Cuba, Chile, Zimbábue, Nova Zelândia…  A gasosa no Brasil custa em média US$ 1,17 litro (R$ 4,28).  No posto em que normalmente abasteço, se tivesse gasolina estaria vendendo a mesma por R$ 4,95 ela custaria US$ 1,35.  Ainda no meio da tabela e mais barata que na Polônia, Zâmbia e Reino Unido.

“Ah coxinha bateu panela agora aguenta!”  O que Dilma fez nos preços da gasolina era insustentável no longo prazo.  A Petrobrás estava comprando gasolina mais cara e vendendo mais barata para as distribuidoras de modo a manter os preços baixos.  Com isso o caixa da Petrobrás estava sendo drenado.  E nem foi a Dilma que inventou isso, em 1998 para se reeleger Fernando Henrique manteve o Dólar próximo de R$ 1,00 ao custo de queimar as reservas cambiais brasileiras. Isso quase quebrou o país e quando chegaram os boletos, FHC foi lá bater na porta do FMI.  Se os preços da gasolina tivessem se mantido naquele nível, a Petrobrás estaria quebrada hoje.

“Viu, então foi a roubalheira do PT que quebrou a Petrobrás!” Não seja um mimimilenial.  A Petrobrás é roubada desde sua fundação. Foi roubada pelo PMDB, pelo PT, pelo PSDB, pelo PRN, pelos militares…  Todo mundo tirou sua casquinha dela.  E não só partidos políticos.  Empresários e funcionários roubam a empresa quase que diariamente.  A Petrobrás por si só é um poço de ineficiência e só se mantem porque não dá pra perder dinheiro com Petróleo.  A única razão da Petrobrás ainda existir é ela ter o monopólio no Brasil porque tudo o que ela tem que fazer sai mais caro que as outras companhias.

“Tem que quebrar o monopólio e deixar outras empresas entrarem” com certeza. Isso deve melhorar o refino e distribuição.  Mas não espere os preços caírem.  Estamos na média do preço mundial lembra?  Empresa privada não vai entrar pra perder, elas querem lucros, estão certas nisso e por isso o preço será esse.

Quer um jeito para baixar o preço dos combustíveis?  Baixe os impostos.  Mas aí o buraco é mais embaixo.  A constituição foi moldada para que o Brasil seja o tal Estado de bem estar social.  Num mundo ideal seria como aqueles paraísos socialistas (eu sei) como a Noruega, Finlândia, Dinamarca…  Mas você sabe, aqui é Brasil e bem estar social é só para parlamentares, juízes e funcionários públicos.  O povão que se dane e pague a conta.

Garantir bem estar social implica em gastos.  E gastos altos que serão bancados por impostos.  Se funcionasse seria ótimo, mas quando você precisa do SUS e vai numa escola pública você vê que não é assim.  Tanto é que você paga escola particular e plano de saúde para o filhinho do juiz.

A forma de baixar impostos seria uma reforma séria nos gastos dos três poderes.  É preciso cortar sem piedade diversas mordomias que todos os poderes possuem.  São bilhões de reais gastos por mês com coisas que os brasileiros normais utilizam seus salários para pagar.  Esses parasitas também deveriam pagar de seus já polpudos salários.

Isso nunca vai acontecer porque o objetivo do brasileiro médio não é acabar com esses privilégios.  É ter esses privilégios.  Por isso tem tanto concurseiro, gente vendendo voto em troca de cargo, gente se candidatando…

E claro, essas coisas ninguém vê porque é melhor acusar o petralha ou o coxinha de todos os males quando ambos são culpados e nada vai mudar no país enquanto a mentalidade for essa.  E na boa?  Não vai mudar.

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A onça, maldita onça

Onça

Nós somos um país abençoado.  Aqui utilizamos o sistema métrico. Todos os nossos quilômetros, metros, centímetros, gramas, toneladas, litros, graus Celsius…  Tudo faz sentido.  É simples converter de uma unidade para outra.  Quando vamos a coisas mais complicadas como pressão, tudo ainda continua fazendo sentido.

Mas existe um lugar onde as unidades não fazem sentido. Se você quer medir coisa pequena você usa a polegada.  Coisas um pouco maior, o pé, o do rei não o seu.  Se crescer mais você pode usar a jarda, essa mesmo, do futebol americano.  E se for maior ainda, tem a milha se estiver em terra e a milha náutica se estiver no mar ou no ar.  As relações entre elas são completamente insanas.  E quando vamos medir áreas onde brota o Acre que sei lá, 1 Acre deve ser a área do estado do Acre se ele existisse, ou as vazões em pés cúbicos por segundo.

É um mundo tão louco que eles tem uma unidade chamada onça.  O que era pra ser apenas um belo felino de grande porte típico da América do Sul cuja espécie mais famosa é a pintada também é uma unidade de medida.

A onça como unidade de medida aparece em “A Arte da Guerra” de Sun Tzu.  Ele dizia que na campanha ideal você tem mil onças de prata.  Imaginei que a onça era uma unidade de peso.  É pior, a onça é uma unidade de volume:

Primeiro dia meu em Nova York.  Fazia 32 graus Fahrenheit.  O céu azul, o sol brilhando e aquele termômetro na rua marcando 32 na rua lhe davam vontade de sair de bermuda e camiseta como se fosse para um passeio em Copacabana.  Mas isso seria um suicídio.

Aprendi que grande parte dos nova-iorquinos andam com um copo de café nas mãos.  Isso surte dois efeitos:  O café te aquece no frio de 32 graus e o copo mantem suas mãos quentes.  Assim, em Roma, aja como os romanos, fui eu atrás do café mais famoso de Nova York:   Starbucks.

Starbucks é um nome muito legal, me lembrará eternamente a Kara Thrace.  É um nome que não justifica o café que eles fazem.  Eis que fui provar.  Tinha que escolher o café e o tamanho.  Escolher o café foi fácil, o problema foi escolher o tamanho.  Tinha uma tabela lá com os volumes.  Em onças.

Lá estavam o small, o regular, o large e o extra large. Ao lado os volumes em onças.  Acho que por causa do livro de Sun Tzu eu achava que a onça seria algo parecido com o quilate ou seja, algo muito pequeno e portanto o small e suas 5 onças seriam um cafezinho e eu não gosto de cafezinho.  Não dá nem pra sentir o gosto do café.  Pedi um extra large.

Esqueci que os americanos gostam de tudo grande.  O Extra Large veio com cerca de 700ml de café.  Se o café americano fosse como o brasileiro eu passaria os 10 dias que passei nos EUA acordado.  Mas como o café deles é bem mais fraco, não fez nem cosquinha.  Ao menos saí na rua como um legítimo nova-iorquino com um copão de uma coisa quente na mão.  E bebi todo o café.  Depois desse só bebi mais um café na Starbucks, mesmo tendo uma em cada esquina.  Tinha a Lucky Star no meu hotel que servia um café melhor e mais barato.

Ah sim, e uma onça americana vale cerca de 29,5ml.

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A Rede Social dos Voadores

Mapa voo

Vivemos num mundo de redes sociais.  Incrivelmente nenhuma literatura ou filme de ficção científica foi capaz de prever redes sociais.  Temos o Facebook para você mostrar que é muito feliz ou muito triste, o Twitter pra reclamar de tudo, o Instagram para você ser vaidoso e o Google+ que serve para você não ir lá.

Há várias outras em menor escala como o Twitter chinês.  O próprio Tinder pode ser considerado uma voltada para a putaria assim como o Whatsapp para se espalhar mentiras. Eu descobri uma que achei bem mais legal e, bem, como toda rede social não é útil, mas é divertido.

Na verdade eu descobri via vídeo do Lito do Aviões e Músicas.  Achei curioso que sempre que ele voava para algum lugar, um tweet era disparado com o voo que ele estava.  Antes que eu precisasse perguntar o que era aquilo, ele mesmo fez um vídeo explicando.  É uma rede que permite que você cadastre todos os voos que você já fez na vida.

Essa rede é o My FlightRadar24.  Era outra coisa, mas o pessoal do FlightRadar24 comprou essa rede e a integrou ao seu sistema de rastreio de voos.  Para mais detalhes veja o vídeo do Lito linkado acima e meu post sobre o FlightRadar24.

A medida que você cadastra seus voos o mapa vai sendo preenchido com as rotas que você já fez.  Isso é algo que eu sempre quis fazer, se tem algo que gosto de colecionar são viagens.  Assim, meu mapa já é bem respeitável e é a ilustração que abre esse post.  Mas ainda pode melhorar.

As possibilidades ao cadastrar os voos são bem ricas.  Você pode colocar o tipo de aeronave, o assento em que voou, a companhia aérea, o motivo do voo e até mesmo o prefixo da aeronave.  Isso claro mede o grau de fanatismo por aviação que você tem.

Conforme você incrementa seu acervo, estatísticas interessantes vão sendo geradas:  quantas toneladas de carbono você já jogou na atmosfera voando, quantas horas passou a bordo de uma aeronave, quantas voltas na Terra já deu, se a distância total que você voou já deu pra chegar à Lua ou mesmo ao Sol (mas se for ao Sol vá a noite e não esqueça de levar uma toalha).

As estatísticas legais também se estendem para os modelos de aeronaves e companhias aéreas onde você pode ver por voos e por distâncias.  Eu, por exemplo até agora, a aeronave que mais voei foi o Boeing 737-800.  A companhia aérea em que mais voei por sua vez, foi a Azul.  Quando você muda a unidade para distâncias, a aeronave em que voei a maior distância foi o Airbus A330-200 e a companhia aérea é a TAM (I will be deep in the cold cold ground before I recognize Latam), seguida de perto pela Gol.

Além disso dá pra ver os aeroportos que você mais visitou e os países por onde já esteve e os voos por cada país.  A página gera também estatísticas sobre a quantidade de voo por ano, os meses em que voou, permitindo ver que eu, por exemplo, viajo bastante em maio e meu dia preferido para voar é segunda feira.

Eu preenchi todo o meu histórico de voos, desde o primeiro com a finada Webjet em seus 737-300 até os voos futuros para a semana desse post.  Se você cadastra voo futuro e conecta o my FlightRadar24 com as outras redes sociais, assim que o avião liga o ADS-B ele dispara um tweet em suas redes avisando que você está naquele voo com um link para que seus seguidores possam acompanhar seu voo pelo FlightRadar24.  Quando o avião pousa, ele dispara outro tweet avisando que você pousou.  A informação como o prefixo e o modelo da aeronave acabam sendo atualizados automaticamente a medida em que essas informações são recebidas pelo FlightRadar.

Meu mapinha está bem legal, mas espero melhorar ele cada vez mais acrescentando mais pontos a ele.  Já dei três voltas na Terra e a meta agora é chegar na Lua.  Depois a gente dobra a meta.

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Eins Zwein Drein

Venho tentando manter uma meta de ao menos um post nesse blog decrépito por semana.  É óbvio que não tenho conseguido. Ia escrever o que eu penso sobre a prisão de Lula e a política brasileira, mas é um assunto tão batido.  Um dia coloco o que eu penso.  Hoje achei mais legal contar causo.

Suíça

De todos os poucos lugares que fui até hoje, o que mais tenho vontade de voltar é a Suíça (Paris também, aquela torre Eiffel me deve uma coisa, mas isso é material para outro caso).  A Suíça é tão organizada que parece que é fake.  Eles se arrumam para mostrar isso, mas por dentro são tão zoneados quanto o Brasil.

A Suíça não faz parte da União Europeia, mas a fronteira é atravessável de qualquer jeito.  Apesar de haver um posto, diferente das outras fronteiras europeias em que você só sabe que mudou de país se prestar atenção na placa, não vi ninguém nesses postos.  Tinha que passar a 10km/h mas não tinha quem me parar.

As estradas suíças são um tapete, mas as francesas também são.  Mas você percebe que mudou de país quase que instantaneamente.  O relevo muda, a paisagem fica mais montanhosa, a estrada mais sinuosa e mesmo as fazendas que você vai cortando mudam o estilo.

Uma coisa que eu aprendi sobre as rodovias suíças é que as rodovias francesas possuem pedágio, as belgas e holandesas não que eu tenha visto e as suíças possuem algo que fizemos no Brasil há muito tempo:  Selo pedágio.

A história foi assim:  Lá pelo fim dos anos 80 o governo brasileiro acabou com a cobrança de pedágio (chamava-se taxa rodoviária única) e instituiu esse selo.  Cada carro para rodar na estrada deveria ter esse selo colado no para-brisa.  Você poderia comprar um selo para cada mês ou comprar um anual.  Se seu carro tivesse sido fabricado até um ano tal o selo era triangular.  Se fosse mais novo o selo era retangular e mais caro.  Caminhões e ônibus tinham que usar um por eixo.  Era isso aqui:

selo pedagio

Eu tive vários selos pedágios não porque eu ou meu pai tivéssemos carro, mas sim porque o patrão dele tinha e ele me dava os selos vencidos do mês passado que iriam para o para-brisa do “meu carro” (minha cama).  Os suíços fazem a mesma coisa com um selo anual que custa 40 francos suíços. Esse selo gourmet chamado vignette:

vignette-suica

Se a polícia suíça te pegar numa estrada rodando sem isso você é obrigado a comprar o selo por 40 Francos e pagar uma multa de mais sei lá tantos Francos. Na hora, em cash, sem chororô.

Meu problema é que eu entrei na Suíça com um carro alugado na Inglaterra que obviamente não tinha esse selo.  E eu só descobri que precisava disso quando cheguei a Zurique.  E achei 40 Francos muito caro para usar a estrada só na volta, e decidi arriscar.  Eu não havia visto uma viatura policial no caminho, isso ocorreria na volta.  Nunca a fronteira com a França foi tão longe e ainda teve um acidente na estrada onde as viaturas policiais já haviam chegado.  Pra minha sorte o acidente era no outro sentido e os suíços não tem o péssimo hábito de parar para ver a desgraça alheia.  Acho que não fui multado.  Já havia sido multado em Londres e em Paris, seria legal manter a coleção.

Mas Zurique é uma cidade sensacional.  Não parece um dos grandes centros financeiros do mundo, assim como Washington não parece a capital do país mais poderoso do mundo.  Tudo bem que quando você chega nos arredores de Zurique você passa por um labirinto de viadutos e túneis com placas em alemão onde se não fosse pelo GPS eu estaria rodando lá até hoje.

Parei o carro em frente ao hotel quando a noite já ia alta e na calçada tinham uns caras de cabeça raspada e mal encarados fumando cigarros.  Achei que apanharia assim que descesse do carro porque todos me olharam, é o preço a se pagar por andar de Peugeot com o volante do lado errado num país onde os caras andam de Mercedes e BMW.  Mas eles não me fizeram nada.

Depois de feito o Check-in botei o carro no estacionamento do hotel e fui ver o que se tinha para fazer na Suíça no dia seguinte.  Meu hotel era bem localizado, de modo que a pé fui até a rua mais cara do mundo, a Banhofstrasse que mostra bem o seu estilo com suas joalherias, lojas da Prada, Rolex, Omega (faltou loja da Apple) e a única coisa que pude comprar foi chocolates e tomar o café da manhã na Sprüngli.  Essa rua termina no lago de Zurique que tem uma vista linda de onde você consegue ver o topo das montanhas ainda com neve.

O entorno do lago tem uma estação de barcos de onde se chega a várias outras cidades no país e um parque bucólico onde ficam patinhos nadando, alguns cisnes e as pessoas aproveitam para curtir o dia, passear com crianças, cães, fazer piqueniques…

A limpeza de todos os locais é impecável.  Praticamente todo suíço fuma, mas não há uma guimba de cigarro no chão.  Eu imagino que seja lúdico do hábito de fumar dar um peteleco na guimba para longe quando se termina, mas os suíços ou não fazem isso ou são todos bons de basquete.  As pessoas comem nas mesas no entorno do lago, e após a refeição recolhem todo o seu lixo e depositam na lixeira mais próxima.

Uma coisa que desapontaria os defensores de porte de arma é que os únicos suíços armados que vi na vida não estavam na Suíça, suas armas eram lanças e eles usavam roupas engraçadas. Os suíços são muito tranquilos e apesar deles terem armas em casa, ninguém sai de Rambo pela cidade com fuzil na bandoleira.  Eles simplesmente não precisam.

O povo suíço é educado, as pessoas se respeitam, vi muitos muçulmanos, mulheres de véu islâmico tinha uma até de Burca, as pessoas não estão nem aí.  Os transportes não possuem roleta, as pessoas pagam a passagem porque sabem que tem que pagar e não sujam as ruas porque não é pra sujar as ruas.  O trânsito suíço é famoso por essa educação, e devido a essa educação quase não ocorrem engarrafamentos.

A noite encontrei uma pizzaria em frente ao hotel que nas reviews desses sites de viagem disseram que tinha um cara lá que falava cinco idiomas entre eles o português.  Cheguei lá e perguntei por ele.  Era um turco que falava turco, francês, inglês, alemão e português.  Ele me atendeu muito bem, me recomendando uma boa cerveja suíça.  A cerveja é comum, devia ser a Brahma de lá, tanto que vinha no latão.

Em Roma, aja como os romanos.  Eu comi a pizza e tomei três latões.  Ele me cobrou duas.  Informei que eram três.  O turco corrigiu a conta, eu paguei e agradeci o atendimento.  Aqui na Bananolândia o garçom provavelmente me agradeceria por corrigir a conta para mais, mas lá isso é natural.

Na manhã seguinte foi o dia de sair de Zurique e pegar a estrada contando os minutos para chegar a Basel e a fronteira com a França sem ser parado pela polícia.  Essa eles me desculpem, mas o selo pedágio eu soneguei.

 

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Liz e uma reflexão sobre a vida

Liz

Uma das coisas que eu mais tenho certeza na vida é que a vida não é justa.  Não venham com aquele papinho motivacional de que se você fizer coisas boas, coisas boas acontecerão, que você planta aquilo que colhe, etc. esqueçam.  Não é assim.

Coisas boas acontecem para pessoas ruins e coisas ruins acontecem para pessoas boas.  Falando sério, quantas pessoas boas você já viu sendo bem sucedidas?  Já viu pessoas ruins se dando mal?

A vida não é justa, eu não gosto disso, mas não sou eu que faço as regras, injustiças estão em todos os lugares.  Se eu pudesse recomeçar, queria ser uma pessoa ruim.  Queria sim me tornar um cafajeste, um aproveitador, alguém cujo único objetivo é se dar bem e não se incomoda em quem será prejudicado por isso.

Infelizmente não consigo isso.  Para minha infelicidade fui muito bem criado e ensinado a fazer o certo.  Não consigo fazer algo para prejudicar outras pessoas, mesmo aquelas que mereçam e mesmo quando faço depois bate um remorso daqueles.  Já me ferrei bastante no trabalho por ser um cara bom.

Acabamos colocando sempre outras pessoas na frente e elas, claro não dão a mínima para você.  Isso se você tem sorte porque normalmente o que acontece é que as pessoas que você ajudou, que você quis o bem não se contentam em simplesmente fingir que você não existe, ainda procuram prejudicar você em troca.

É curioso porque mesmo tendo certeza de que fazer o bem não adianta nada e se você espera que o bem lhe aconteça você vai se decepcionar, se você acha que ao procurar a justiça a justiça vai lhe encontrar e não, não vai, ainda assim eu procuro insistir.  Acredito que mesmo se a vida for injusta se nós parássemos de ser injustos, o mundo poderia ser melhor.

Não que eu seja um paladino da justiça, tenho certeza que devo cometer dezenas de injustiças e por desconhecimento ou omissão devo ter feito o mal a muita gente, mas eu procuro fazer isso.  E assim entra na minha vida a Liz.

Liz é essa cachorrinha da foto.  Bicho para vir aqui pra casa tem que ter sido abandonado ou rejeitado.  Liz foi encontrada debaixo de um carro com mais carrapatos que você possa contar, basicamente moribunda.

A garota que a encontrou levou-a para tratamento.  Para tratar a cachorrinha foi necessária uma campanha de doações via redes sociais pois o tratamento foi caro.  Eu acompanhei a história e quando soube que ela precisaria de transfusão de sangue, imaginei que não teria jeito.  Ela sofria da doença do carrapato, filhote, sem imunidade e sem sangue…  Eu seria capaz de apostar que ela não conseguiria.

No entanto o inesperado para mim aconteceu.  A cachorrinha conseguiu.  Após dias internada, ganhou alta e foi para a casa da garota que a encontrou.  Daí ela foi ladeira acima se recuperando cada dia mais.  Isso gerou um problema.  A garota não teria como ficar com a cachorrinha e não havia lugar para ela.  Daí me ofereceram ela a primeira vez.

Não sabia bem se eu teria condições de ter um cachorro.  Não tenho muito espaço em casa, ainda estou longe do meu sonho de um sítio longe de tudo, e por isso não disse nem que não e nem que sim.  Alguém apareceria, pensei eu.

Mas o prazo acabou e a pobre cachorrinha iria para um abrigo.  Bem, as chances de ela ser adotada num abrigo desses são pequenas.  Vira-latas, preta (li que cachorros pretos são os mais recusados em adoção), ela passaria lá sei lá quantos anos vendo animais entrarem e saírem sem que ela nunca saísse de lá.

Isso não seria justo.  Alguém abandonou a cachorrinha para morrer, por algum motivo ela foi encontrada e tratada, ela lutou com tudo o que tinha pela vida para acabar abandonada de novo?  Não no meu turno.  A vida pode ser injusta comigo, mas não será com essa cachorrinha.

Assim, aos 44 do segundo tempo, quando ela estava para ir para o abrigo mandei tudo as favas e fui buscar a cadelinha.  Eu não sei se ela está feliz aqui, mas estou fazendo todo o possível para ela.  Ela tem com quem brincar, já não desgruda mais de mim, e vem crescendo saudavelmente.  É agitada e destrói coisas como todo filhote e está por aqui nos alegrando um pouco mais.

Claro que tem problemas, a gata não gostou nada dela, as duas ainda estão se adaptando, minha mãe não gostou da ideia e ela ainda fica querendo destruir as plantas dela, mas vamos tentando manter tudo na paz.  No fim das contas, acho que a Liz veio para nos deixar um pouco mais alegres.

Em breve ela vai poder ser vacinada e vamos poder dar umas voltas na rua para gastar um pouco da energia dela e da minha.  Se nos verem por aí, nos deem um alô.

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