Engenharia e Eleições

Ok, engenheiros adoram contas.  Então vamos fazer uma aplicação da engenharia ao resultado das nossas eleições do segundo turno.  Esses dias, vendo o mapa do Brasil dividido entre estados em que Serra venceu contra estados que deram a vitória a Dilma, me veio a pergunta:  Se o nosso sistema de eleição presidencial fosse como o dos EUA, será que o Serra poderia ter levado?

Como vocês devem saber, as eleições presidenciais dos EUA são feitas por votos indireto (aqui no Brasil é direto) e, portanto não é a contagem de votos totais dos eleitores comuns que importa.  No sistema deles, os candidatos devem vencer nos estados, e cada estado lhe dá um determinado número de delegados no colégio eleitoral que é quem realmente elege o presidente.  Na prática os americanos votam em que partido mandará os delegados daquele estado para compor o colégio eleitoral.  O número de delegados que o estado manda relativo aos demais é proporcional a sua população relativa ao país.

Este sistema normalmente acaba confirmando a vontade popular, exceto em casos estranhos como o da primeira eleição de George W Bush em 2000 com toda a polêmica envolvida.  Fiquei curioso se algo desse tipo poderia ocorrer no Brasil caso o nosso sistema eleitoral fosse semelhante ao deles, poderia José Serra ser eleito tendo perdido no número total de votos, dando razão ao chororô dos paulistas?

Embora ele tenha sido menos votado no total nacional, o candidato tucano venceu na maioria dos estados mais populosos do Brasil.  Se houvesse algo como o colégio eleitoral Norte-Americano, talvez ele tivesse alguma chance, como Bush contra Al Gore em 2000 (sem a roubalheira da Flórida).  Parti então para as contas:

Descobri que o colégio eleitoral dos EUA é composto por 538 delegados e que são divididos entre os estados de acordo com a população de cada um.  Isso faz da Califórnia e do Texas estados com um peso bem grande na eleição.  Da mesma forma que seria com São Paulo e Minas Gerais no Brasil.  A composição do colégio eleitoral dos EUA em 2008 era a seguinte:

A minha suposição seria que, no Brasil teríamos um colégio eleitoral de mesmo número de delegados que o dos EUA, com os delegados sendo divididos proporcionalmente segundo a população de cada estado.

Dessa forma, cruzando com os dados populacionais de 2006 teríamos o seguinte quadro:

A partir daí aplicaríamos algumas correções:

A primeira e óbvia é que não dá para atribuir ao Rio de Janeiro, por exemplo 44,826 delegados.  Afinal que pessoa poderia ser considerada como 0,826 de um delegado? E, em se tratando de Brasil, o número de delegados foi arredondado para cima. Note que nesse processo ganhamos 11 delegados a mais que os EUA. Mas a nossa câmara também possui bem mais deputados que a dos EUA, mesmo sendo nossa população menor que a deles.

A segunda é devido a constituição Norte-americana que determina que o número mínimo de delegados a ser atribuído a cada estado é de 3 (três). Portanto Acre, Amapá e Roraima ganharam mais um delegado, para cumprir esta norma.  A distribuição final então ficou sendo:

Muito embora no Maine e em Nebraska o número de delegados é distribuído proporcionalmente entre os candidatos de acordo com a votação recebida, isto é uma excessão.  No nosso caso vale como é nos outros estados.  Ou seja, ganhou no estado, leva todos os delegados deste estado.  De acordo com o resultado das eleições, a vitória por estados ficou assim:

Totalizando, teríamos a seguinte distribuição do colégio eleitoral:

No fim das contas, sinto muito paulistada, mas ainda que eu votasse em Dilma, tentei dar-lhes algum argumento mas mesmo que vocês tenham mais delegados que todos os outros estados e com a vitória de Serra em vários estados do Sul, se a eleição fosse da maneira dos EUA vocês também teriam perdido.  299 a 253 para Dilma.

Referências:  Globo.com, Wikipedia, TSE, IBGE e Folha Online

 

Estado

População (hab)

% Pop Nacional

No de Delegados

Delegados Totais

Acre

686.652

0,37%

1,978

2

Alagoas

3.050.652

1,63%

8,788

9

Amapá

615.715

0,33%

1,774

2

Amazonas

3.311.026

1,77%

9,538

10

Bahia

13.950.146

7,47%

40,184

41

Ceará

8.217.085

4,40%

23,670

24

Distrito Federal

2.383.784

1,28%

6,867

7

Espírito Santo

3.464.285

1,85%

9,979

10

Goiás

5.730.753

3,07%

16,508

17

Maranhão

6.184.538

3,31%

17,815

18

Mato Grosso

2.856.999

1,53%

8,230

9

Mato Grosso do Sul

2.297.981

1,23%

6,619

7

Minas Gerais

19.479.356

10,43%

56,111

57

Pará

7.110.465

3,81%

20,482

21

Paraíba

3.623.215

1,94%

10,437

11

Paraná

10.387.378

5,56%

29,921

30

Pernambuco

8.502.603

4,55%

24,492

25

Piauí

3.036.290

1,63%

8,746

9

Rio de Janeiro

15.561.720

8,33%

44,826

45

Rio Grande do Norte

3.043.760

1,63%

8,768

9

Rio Grande do Sul

10.963.219

5,87%

31,580

32

Rondônia

1.562.417

0,84%

4,501

5

Roraima

403.344

0,22%

1,162

2

Santa Catarina

5.958.266

3,19%

17,163

18

São Paulo

41.055.734

21,98%

118,263

119

Sergipe

2.000.738

1,07%

5,763

6

Tocantins

1.332.441

0,71%

3,838

4

Total

186.770.562

100,00%

538

549

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

5 respostas para Engenharia e Eleições

  1. Edinaldo disse:

    Cara, é mta falta do que fazer!! Mesmo assim é brilhante, kkkk.
    Parabéns. Mas lembrei de uma piada.
    A professora perguntou pro Joãozinho
    – joãozinho, haviam três passaros no fio, o homem deu um tiro quantos passaros restaram?
    – nenhum “fessora”
    – Como assim Joãozinho?
    – é que um morreu e os outros se assustaram e voaram e não restou nenhum.
    GOSTEI DA SUA LINHA DE RACIOCÍNIO Joãozinho.
    Professora, posso fazer uma pergunta também?
    Diga Joãozinho!
    No ponto do ônibus tinham tras mulheres tomando sorvete. Uma tava lambendo, uma tava mordendo e outra tava chupando. Qual da três é casada?
    Muito sem graça a professora respondeu: a que tava chupando.
    Não “fessora”, a que tinha aliança no dedo, mas EU GOSTEI DA SUA LINHA DE RACIOCÍNIO!!

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