Outra confusão no país, outra balela de intervenção militar.

Intervenção 2

Toda vez que dá confusão no país alguém aparece com a ideia da tal intervenção militar.  Isso nunca vai a lugar nenhum porque os militares tem mais neurônios do que as pessoas que pedem isso e não querem entrar nessa furada.  Mas é engraçado como os eufemismos vão se acumulando para tentar tornar a ideia mais palatável.

Falou em militar sempre alguém lembra de ditadura.  Agora tá na moda dizer que não houve ditadura no país e que o que tivemos foi um regime militar (eufemismos).  Aí para defender um novo golpe intervenção militar sacaram essa ideia:

Intervenção

Vamos ver como esse raciocínio é idiota?  Nem é difícil, vamos lá:

“Intervenção militar não é governo militar” Bem, a intervenção que eles defendem é os militares removendo o presidente, dissolvendo o congresso e tem uns que querem até demitir os ministros do STF.  Como eles não são anarquistas, alguém tem que ocupar o vácuo de poder o que seria uma junta militar.  Oh, militares no governo, isso quer dizer que temos um…  Governo Militar!

“Governo Militar não é Regime Militar” hum…  Bem, com os militares no poder tendo acabado com o congresso e com o STF eles precisarão de um arcabouço jurídico para o que vão fazer.  Eles precisam por exemplo dizer o que eles querem que nós façamos e deixamos de fazer.  Não dá para usar a Constituição porque ela não permite a dissolução do congresso.  Em 1964 eles usaram do Ato Institucional.  Eles vão precisar de algo parecido para instituir seu modo de governo.  Aí você vai no dicionário e procura para a definição de Regime e… “conjunto de regras ou de disposições legais; regimento.”

“Regime Militar não é Ditadura Militar”  Senão vejamos:  Se chegamos até aqui estamos em um cenário de exceção.  Para poder dar um jeito no país os militares não podem ter pessoas questionando seus métodos.  Isso atrapalha, precisamos faxinar o país, não tem nada pra ver aqui cidadão, circulando.

Eles podem querer restringir o Twitter porque contas como a do Lei Seca são antipatrióticas ao informar sobre as blitz.  O Whatsapp pode ser usado por bandidos para conspirar contra a segurança nacional, portanto não é uma boa ideia ter esse serviço subversivo funcionando por aqui.  Logo irão querer controlar a mídia para impedir que a mesma espalhe “fake News” confundindo os cidadãos.

Eles podem por fim dizer que até outubro é pouco tempo para arrumar o país e as eleições previstas terão que aguardar mais um pouquinho.  Da última vez foram 22 anos.  Aí vocês sabem como se chama um regime onde não tem oposição, liberdades individuais e censura aos meios de comunicação né?

Problema dessa coisa de intervenção militar é que você sabe que começa como disse a Padmé:  Com aplausos.  Mas você não sabe como termina.  Pelo pouco que sei de história sei que não devo invadir a Rússia no inverno nem dar ultimato de rendição a gregos.  Com relação a regimes militares, vamos dar uma olhada:

O Zimbábue é comandado há 36 anos por Robert Mugabe que liderou uma revolta contra o Apartheid. O motivo era nobre, tanto que ele teve que executar uma série de opositores e o país não está estabilizado até hoje para que ele possa deixar o poder. O Zimbábue hoje tem uma das maiores taxas de inflação do mundo e é um dos poucos lugares do mundo onde a expectativa de vida diminuiu.

Na Líbia nos anos 60 governava uma monarquia opulenta enquanto o povo passava fome. Uma intervenção militar liderada por Muamar Gadafi deu cabo da nobreza e instituiu um novo regime que durou até recentemente.  Durante seu regime liberdades foram suprimidas e você não podia ter outra religião que não fosse o islã.  Em 1994 ele radicalizou no islã e instituiu a xaria.  Se você acha que é ruim ser mulher no Brasil, tente ser uma num país desses.  O governo de Gadafi caiu em 2011 e hoje a Líbia é um salseiro danado com uns 200 grupos lutando pelo poder.

Por fim um país cujo nome não vou revelar possuía um governo corrupto.  Esse governo estava fazendo o povo ficar cada vez mais pobre mesmo tendo o país imensas reservas de petróleo.  Insatisfeitos com a corrupção uma junta militar liderada por um proeminente coronel fez uma intervenção e esse oficial assumiu o poder.  Esse oficial foi reeleito em eleições questionáveis e morreu de câncer.  Seu sucessor está no poder até hoje e o país se encontra em um buraco econômico e social servindo como exemplo do que o Brasil poderia se tornar.

Há mais experiências com ditaduras militares do que com o comunismo.  Mas há uma coisa em comum entre eles:  Ambos não funcionam.  Crianças, não usem drogas.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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