Drei Brasilianische Helden

FEB-logo

Após a mais cruel batalha enfrentada pelo Exército Brasileiro na Segunda Guerra Mundial, com a estreia da tropa no moderno combate urbano, rua por rua, casa por casa, na localidade de Vergato, próximo a Montese, Itália, os soldados brasileiros encontraram uma cruz rudimentar com esses dizeres.  Mais uma bela história de brasileiros que não é contada.

A Segunda Guerra Mundial, embora seja o evento histórico mais importante do século XX, é pouco estudada por aqui.  Se você teve um professor de história bom, ele gastou duas aulas falando do tema.  E se ateve a ensinar as causas do conflito, as fases da guerra e as consequências da guerra.  Talvez ele tenha dado uma palhinha também sobre a participação brasileira.  Mas duvido ter contado essa história.

Tom Jobim muitos anos depois iria dizer que no Brasil o sucesso alheio é ofensa pessoal.  Nosso comportamento como sociedade é o da inveja e o de fazer piada com quem tenta fazer alguma coisa.  O espírito do brasileiro comum infelizmente é conformista.  Por isso quando o Brasil entrou na guerra, embora de forma legítima, houve aqui muita resistência sobre se isto era algo para nos metermos e se seríamos capazes de nos meter nisso.  Mas não era nossa capacidade que estava em questão ali, era nossa existência como Nação, tínhamos sido atacados, era necessário revidar.  E assim fizemos.

Nossos soldados saíram daqui ouvindo uma chuva de piadas sobre eles.  A mais famosa foi “é mais fácil uma cobra fumar do que a FEB embarcar”.  Chegando na Itália, com tropas desnutridas, desarmadas e com uniforme verde-oliva, cor muito semelhante ao uniforme alemão, os italianos da já liberta cidade de Nápoles achavam se tratar de prisioneiros alemães, no que resultou em uma chuva de vaias e hostilidade por parte dos cidadãos italianos.

O Brasil era o único exército não oficialmente segregacionista do ponto de vista racial a lutar na guerra.  Entre as tropas estavam negros, japoneses e tudo o que a diversidade brasileira tinha a oferecer.  Os alemães espalharam que os negros brasileiros descendiam de tribos canibais africanas e que mantinham essa prática e, portanto os italianos poderiam se transformar no jantar dos brasileiros.  Um motivo a mais para a hostilidade da parte dos italianos.

Mas o maltrapilho soldado que vinha do morro, do engenho, dos pampas, dos seringais, da choupana onde um é pouco, dois é bom, três é demais, transformou-se na Itália em um guerreiro implacável e digno das maiores tradições militares de todo o mundo.  Aprendeu fazendo, aprendeu o combate moderno combatendo, a utilizar o armamento utilizando, a suportar o frio, a evitar as doenças causadas pelo inverno, e pelas montanhas e matas italianas tornou-se um adversário duríssimo, contra qual os alemães muito pouco puderam fazer.  E sobre as piadas que alguns de seus conterrâneos faziam deles, usaram dela para fazer seu símbolo.

O título deste post está em alemão e significa “três heróis brasileiros”.  Foi tudo o que o Exército viu naquela cruz.  Depois ficaram sabendo que se tratava dos soldados Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Rodrigues de Souza e Geraldo Baêta da Cruz.  Todos mineiros do interior.  Foram com a FEB para a Itália, enfrentaram o inverno aos pés do Monte Castelo, integravam o 11º Regimento de Infantaria, unidade escalada para o ataque a Montese.

Três Herois BR02

Em 14 de Abril de 1945, o pelotão desses três homens tentou avançar para a cidade, mas foi detido por forte barragem de artilharia.  As artilharias brasileira e alemã duelariam por todo aquele dia e o resultado se viu na devastação que Montese sofreu.  No seu flanco esquerdo, uma posição de metralhadora alemã varria impiedosamente o terreno.  Os três homens ficaram desgarrados do resto da unidade.  A metralhadora alemã mal permitia que se movessem, recuar era impossível, uma companhia alemã inteira estava prestes a se lançar contra eles, não sem antes dar-lhes a chance de se renderem.

A resposta veio pelo Soldado Arlindo que pegando seu fuzil automático encontrou a posição da metralhadora e disparou como um leão acuado, seis cargas de sua arma, em torno de 120 projéteis, calando a peça inimiga.  O Soldado Baêta, que era socorrista, pegou em armas e junto com o seu xará Geraldo Rodrigues dispararam contra os alemães.  Os Tedescos imaginavam ter se encontrado com efetivo em número semelhante ao deles (cerca de 100 homens) e lançaram-se ao combate.

A munição escasseava entre os brasileiros, em breve acabariam por fixar as baionetas nos fuzis e partir para um combate corpo a corpo contra os alemães.  Não deu tempo.  O Soldado Arlindo tombou vítima de tiro certeiro de um atirador de elite alemão.  Quase que ao mesmo tempo uma granada explode nas proximidades e um estilhaço fere de morte o soldado Geraldo Rodrigues.  Pouco tempo depois Baêta tomba, fuzilado.

Sabemos bem como os alemães respeitam seus adversários.  Ao verem que todo aquele ímpeto vinha de apenas três soldados, o comandante alemão não permitiu que os homens fossem sepultados em vala comum.   Mandou que os enterrassem, fizesse essa cruz e colocasse a inscrição:  “Três Heróis brasileiros.”

É uma história que não se conta, poucos sabem sobre ela, é preferível dizer que a FEB foi para a Itália com a guerra ganha e numa frente secundária.  É compreensível sabendo que isso vem de gente que admira a Costa Rica mais do que pelo sucesso de sua seleção na Copa, pelo fato de não terem Exército.

Enquanto poucos Brasileiros sabem sobre esses homens, é preciso uma banda sueca saber da história e prestar-lhes uma bela homenagem.  Para um álbum dedicado ao heroísmo em combate, a Banda Sabatton dedicou uma faixa aos “Smoking Snakes” que figuram num álbum que ainda fala dos paraquedistas da 101st Airborne cercados em Bastogne, das loucas tripulações de B17 que se aventuravam na Europa entre outros fantásticos que nos livraram do jugo nazista.

Três Herois BR01

Fontes:

http://chicomiranda.wordpress.com/2011/07/12/tres-herois-brasileiros/

http://www.legiaodainfantaria.eb.mil.br/htm/feb-3heroisbrasileiros.php

SILVEIRA; Francisco Xavier da – A FEB por um Soldado;

 

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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2 respostas para Drei Brasilianische Helden

  1. Levi disse:

    Muito boa a matéria! Cara, eu vi esse vídeo pq m tempo atrás uma página do Exército publicou, oficial mesmo!!! Valeu por fazer essa pesquisa histórica! Agora sim, eles tem cara e história! Faz toda a diferença.

    • Há muitos anos eu comprei um livro sobre a FEB, e lá tinha a história deles. Mas não dava nome nem mais detalhes sobre como morreram. Só que o pessoal do 11RI onde eles serviam fez o trabalho.

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