Um autódromo para o Rio de Janeiro

Bem amigos, sabemos que a cidade do Rio perderá seu autódromo em breve.  O Autódromo Internacional Nelson Piquet está com os dias contados.  Ele já fora amputado e perdera o Oval Emerson Fittipaldi para a construção de estruturas para os jogos Pan Americanos de 2007, mas para as olimpíadas de 2016 não tem escapatória.  O autódromo deixará de existir.

Para não desapontar nós, fãs de automobilismo, havia um compromisso assumido que o autódromo de Jacarepaguá apenas seria desativado e as obras para as olimpíadas começassem quando já houvesse um novo autódromo na cidade, de forma que o Rio não ficasse sem suas provas de automobilismo.

Mas como palavra de político brasileiro vale tanto como nota de três reais (mesmo quando dada por escrito), o acordo não foi cumprido, eles empurraram a decisão e as obras do tal autódromo de Deodoro com a barriga e o cronograma para as olimpíadas apertou.  Agora não tem jeito.  O autódromo cairá sem que o Rio tenha outra praça para o automobilismo.

Mas ao invés de ficar aqui chorando por isso, mesmo porque não vai adiantar, o Blog do Fernando, mostrando que é gente (ou Blog) que faz, veio propor um belo, desafiador e emocionante circuito de rua para o Rio de Janeiro.  Apresento-lhes o circuito da Ilha do Fundão.

Esse circuito vinha sendo planejado desde a faculdade, estudando as curvas e a ilha.  Já até testei o circuito em uma corridinha.  Acho que, com baixo custo, corridas de primeiro escalão podem ser disputadas ali, trazendo emoção e agradando aos fãs de automobilismo enquanto a nova pista em Deodoro não fica pronta (ou seja, nunca).

A figura abaixo traz o circuito desenhado sobre a imagem da Ilha do Fundão retirada do Google Earth:

E aqui um pequeno esboço do circuito.  Não me preocupei em detalhar, pois a idéia é apresentar um pequeno projeto conceitual da pista.  Abaixo, considerações:Características do Circuito:  A pista é rápida, sendo bonzinho lembra um pouco a pista de Monza, onde se disputa o GP da Itália de F1.  carcateriza-se por retas, aproveitando o eixo monumental da Ilha do Fundão (a Avenida Horácio Macedo) que é interrompida por chicanes devido as rotatórias na avenida.  Após as retas, curvas de 90 graus, em pista larga (três faixas de rolamento) que funcionarão como ótimos pontos de ultrapassagem.

A pista também tem sua parte travada e desafiadora, que é o complexo do Mangue, com uma sequência de curvas fechadas.  Existe também um Hairpin na altura da prefeitura que provocará grandes emoções já que os carros podem chegar colados ali para tentar pegar o vácuo na reta e executar ultrapassagens na chicane da bandeira.

Estrutura:  Por ser uma pista de rua, toda estrutura para a corrida será desmontável.  Há espaço de sobra para o público, arquibancadas metálicas podem ser montadas ao longo da reta da letras e do CT, também na reitoria, e na altura do Cenpes.  Além disso, os gramados do Fundão servirão como ótimas áreas de escape para os carros.

Os pits estão planejados para serem atrás do CT, em um arranjo atípico.  Devido a falta de estruturas permanentes e espaço, não pensei nesse circuito para a F1, mas ele é capaz de abrigar perfeitamente categorias como a Indy e a Stock Car.  Alternativamente, os pits podem ficar no estacionamento do CT, paralelo a reta de chegada, num arranjo mais tradicional.

A estrutura para o público seria toda temporária constituindo de arquibancadas metálicas, banheiros químicos e quiosques de alimentação e bebidas, a cargo dos patrocinadores do evento.

Impactos na rotina da cidade:  O Trânsito na cidade sofreria um impacto mínimo.  Uma vez que a Ilha do Fundão pode ser isolada da cidade sem prejuízos ao trânsito.  Então a corrida ocorreria em ruas que não fazem falta ao trânsito da cidade Maravilhosa.

Áreas da Ilha do Fundão não utilizadas na corrida, como o CCS e a EEFD podem servir como estacionamento para os carros que se dirigem ao evento.  Ao mesmo tempo a Ilha está localizada na entrada da cidade, de forma que todo o equipamento para a corrida utilize a rota normal de cargas (av Brasil), sem precisar passar pelo centro da cidade, ou bairros.  Em caso da carga vier por via aérea, o aeroporto do Galeão está muito próximo.

A localização da Ilha do Fundão faz com que quem não goste de automobilismo sequer saiba que há uma corrida acontecendo ali.  Talvez o único empecilho nesse quesito é o Hospital Universitário, mas mesmo ele está sendo poupado, com o circuito passando o mais longe possível dele.

Pits:  Os pits são pensados no estilo da F-Indy, com uma garagem comum para todos trabalharem (Bloco I do CT).  Não há muito espaço, por isso que seria inviável para a F1, mas Indy e Stock trabalhariam bem.

A estrutura do CT pode ser usada como apoio para equipes, pilotos, jornalistas… onde todas as estruturas, como a sala de imprensa, áreas para coletivas, pódium, sala da direção de prova, equipamentos de transmissão, tudo pode ser instalado ali.

Obras:  Tudo o que a Ilha do Fundão precisaria para receber essas provas, em termos de obras seria um recapeamento no asfalto e uma ampliação na largura da curva do Mangue (Lá é estreito demais).  Se pensarmos em receber a Indy o asfalto teria que ser bem liso.  O existente é áspero, não está legal nem para a Stock, que teria problemas com aderência naquele asfalto.

Equipamentos como Guard Rails, barreiras de pneus, muretas, etc, eu já os consideraria como normais para qualquer prova de rua, e não uma obra propriamente dita.  Assim como arquibancadas e outros.

Época para o evento:  Para minimizar o impacto na rotina universitária, o melhor seria que a corrida fosse realizada no período de férias.  Como as férias do automobilismo são também no fim do ano, o mês ideal para a corrida seria Julho.  Além de ter a ajuda de um clima mais ameno e com menos ocorrência de chuvas, sobretudo fortes.

Enfim, é isso.  Está aí projetado o circuito Ilha do Fundão.  Se puder escolher, homenagearia o ex-piloto Roberto Pupo Moreno, o “Operário da Velocidade” no nome do circuito.  A pista ficou longa, com pouco mais de 6km (para uma prova de Indy como a de SP com 300km os carros dariam 48 voltas).  Mas sempre gostei da idéia de uma corrida de rua no Fundão, acho bem viável, inclusive financeiramente, e taparia o buraco automobilístico na cidade até que o novo autódromo fique pronto.

Aliás, aqui entre nós, a pista está tão bem feita que um tal de Herman Tilke ficaria com inveja.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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8 respostas para Um autódromo para o Rio de Janeiro

  1. Seria uma boa. Até porque o traçado passa entre os prédios da Petrobras, onde é(ra) fabricada a gasolina da F1.

    Parabéns! O négócio é lançar idéias…

    • Pois é, seria um barato, mas isso acaba sendo um empecilho pois a F1 não toparia esse traçado por falta de estrutura de boxes e tal. E a BR só banca a F1. A Stock tem como patrocinadora a Shell e a Indy um monte, mas não a BR (e ela nem tem nenhum piloto brasileiro). Então, bem nem sei. Mas se a BR topasse, rolava fácil, afinal ela é a dona do pedaço…

  2. Pedro Horta disse:

    Sumi da internet, mas vou voltar hehehe
    Mas depois de ler o seu texto e essa sua proposta, tenho alguns comentários: Como vc mesmo já falou, achei que o circuito ficou bem longo, mas dá pra correr sim e vc mesmo falou que esse seria um circuito tipico de F-Indy. Não tem tanta cara de F1 mesmo não. Mas vamos falar do traçado: O traçado é bem legal, mas tem dois ou tres pontos que eu gostaria de comentar: Primeiro, eu acho que a curva da incubadora ficaria inviavel pq toda essa região (esse quadrante do canto inferior direito) está fechada, cheia de obras e tal. Acho que daria pra fazer um harpin e voltando pra rotatória. E os outros comentários ficam em função dos espaços livres no fundão principalmente no trecho entre a Letras e o Cenpes, acho que dava pra fazer algum apêndice ali, fazer algum tipo de curva de alta, ou até mesmo os pits ali, e no resto do fundão da pra fazer algum tipo de curva/chicane em alguns outros pontos, pra dar uma quebrada. Ali entre a prefeitura e o Cepel da pra quebrar o retão que ficou realmente muito longo…

    Agora com relação a todo o resto, estrutura pro circuito, pro público e jornalistas, pras arquibancadas, e principalmente, o conceito de fazer a corrida no fundão e não afetar a cidade como um todo é sensacional, nesse ponto seria perfeito. Seria até uma grande propaganda pra Petrobras e coisas do tipo, fazer a corrida num local onde se desenvolve tecnologia e tal… nesse ponto ia ser realmente muito bom! Enfim, acho q eu falei de mais já… precisamos conversar isso num bar que fica mais fácil hehehe Assim que eu me organizar, depois da mudança a gente marca!

    Abração!

    • Porra, tu ainda não mudou? tu leva a roupa do corpo por dia pra casa nova e só? hahahahaha
      Eu quis fazer as coisas dessa forma, por causa de preço, não gastar com obras de pista. Até por isso ele ficou longo, pois ou ficava muito curto ou muito longo (Uma versão anterior ia até o alojamento). E pra evitar as obras que ficou sem chicane também (E se for pra Indy, eles que usem o acerto aerodinâmico pra oval hahahaha).

      Quanto as obras eu realmente não sabia disso. Bom ter a posição de alguém que está atualizado. Aliás, uma vaguinha na FMC pra eu poder desenvolver esse meu projeto in loco seria interessante hein? hahahahahahaha

      Quanto ao bar, bem, esse é meu sobrenome. Só marcar.

      Abraço, some não.

  3. André Buriti disse:

    Oi Fernando, gostei do seu projeto, de certa foram seria uma “volta às origens”, já que nos anos 60 tivemos corridas no Fundão e foi lá que o Emérson Fittipaldi estreou correndo pela primeira vez com um Gordini (capotou o carro, mas isso não vem ao caso… rs).

    Não sei se voce teve conhecimento, mas quinta-feira passada a prefeitura entrou em acordo (na verdade tomou uma ordem de cima) com a CBA e o Governo Federal e o novo autódromo será viabilizado dentro de um ano e meio aproximadamente, mas em algum momento ficaremos um bom tempo sem pista para receber os eventos nacionais, e principalmente, os eventos regionais.

    A sua idéia vem bem a calhar, pois é de baixo custo e alta visibilidade para o esporte, claro que tem muita gente que vai ser contra, mas como é totalmente provisório, tem chance de dar certo, porque não há como fechar alguma parte da cidade para realizar corridas de automóveis.

    Meu blog é o http://sosautodromorj.blogspot.com, aparece lá para dar uma comentada, vou te adicionar no meu Facebook para conversarmos.

    Grande abraço

    • Cara, não sabia que já houve corridas ali. Muito menos que uma lenda como o Emerson já correu no Fundão. Deve ser na mesma época que tínhamos corridas em Petrópolis, das quais minha mãe fala bastante.

      O lance de Deodoro sair, fiquei sabendo até pelo Blog do Flavio Gomes, mas sinceramente eu não acredito. Uma coisa é prometer uma obra e até começá-la, outra é terminar. Vale lembrar que o Rio se comprometeu a levar o Metrô até o Galeão para o Pan 2007 e, bem, até hoje eu ainda não consegui pegar um trem até lá.

      A idéia dessa pista seria mais para esses eventos que o Rio recebe, como a Stock Car, o GT Brasil e o Brasileiro de Marcas. Podíamos até tentar uma prova da Indy que ficaria bastante interessada, já que o mercado da américa do sul é bastante promissor para eles.

  4. Pingback: A Williams FW 34 que não era a FW 34 | Blog do Fernando

  5. Luis Antonio Mendes disse:

    Fernando:
    Sou um velho que ama circuitos e rua. Estudei no Fundão na época que matávamos aula para dar um mergulho nas praias do lado oposto ao canal. Naquele tempo tinha um circuito no Fundão. Inclusive vi Emerson correndo lá. Se não me engano, pilotando um Gordini. Quando vejo São paulo e outras grandes metrópoles “arrumarem” um circuito de rua no meio da cidade é que vejo quão (!!!) são incompetentes (e ignorantes) são o governador e o prefeito do Rio de Janeiro.
    Parabéns pelo seu trabalho!
    Abraços
    Luis Antonio

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