A onça, maldita onça

Onça

Nós somos um país abençoado.  Aqui utilizamos o sistema métrico. Todos os nossos quilômetros, metros, centímetros, gramas, toneladas, litros, graus Celsius…  Tudo faz sentido.  É simples converter de uma unidade para outra.  Quando vamos a coisas mais complicadas como pressão, tudo ainda continua fazendo sentido.

Mas existe um lugar onde as unidades não fazem sentido. Se você quer medir coisa pequena você usa a polegada.  Coisas um pouco maior, o pé, o do rei não o seu.  Se crescer mais você pode usar a jarda, essa mesmo, do futebol americano.  E se for maior ainda, tem a milha se estiver em terra e a milha náutica se estiver no mar ou no ar.  As relações entre elas são completamente insanas.  E quando vamos medir áreas onde brota o Acre que sei lá, 1 Acre deve ser a área do estado do Acre se ele existisse, ou as vazões em pés cúbicos por segundo.

É um mundo tão louco que eles tem uma unidade chamada onça.  O que era pra ser apenas um belo felino de grande porte típico da América do Sul cuja espécie mais famosa é a pintada também é uma unidade de medida.

A onça como unidade de medida aparece em “A Arte da Guerra” de Sun Tzu.  Ele dizia que na campanha ideal você tem mil onças de prata.  Imaginei que a onça era uma unidade de peso.  É pior, a onça é uma unidade de volume:

Primeiro dia meu em Nova York.  Fazia 32 graus Fahrenheit.  O céu azul, o sol brilhando e aquele termômetro na rua marcando 32 na rua lhe davam vontade de sair de bermuda e camiseta como se fosse para um passeio em Copacabana.  Mas isso seria um suicídio.

Aprendi que grande parte dos nova-iorquinos andam com um copo de café nas mãos.  Isso surte dois efeitos:  O café te aquece no frio de 32 graus e o copo mantem suas mãos quentes.  Assim, em Roma, aja como os romanos, fui eu atrás do café mais famoso de Nova York:   Starbucks.

Starbucks é um nome muito legal, me lembrará eternamente a Kara Thrace.  É um nome que não justifica o café que eles fazem.  Eis que fui provar.  Tinha que escolher o café e o tamanho.  Escolher o café foi fácil, o problema foi escolher o tamanho.  Tinha uma tabela lá com os volumes.  Em onças.

Lá estavam o small, o regular, o large e o extra large. Ao lado os volumes em onças.  Acho que por causa do livro de Sun Tzu eu achava que a onça seria algo parecido com o quilate ou seja, algo muito pequeno e portanto o small e suas 5 onças seriam um cafezinho e eu não gosto de cafezinho.  Não dá nem pra sentir o gosto do café.  Pedi um extra large.

Esqueci que os americanos gostam de tudo grande.  O Extra Large veio com cerca de 700ml de café.  Se o café americano fosse como o brasileiro eu passaria os 10 dias que passei nos EUA acordado.  Mas como o café deles é bem mais fraco, não fez nem cosquinha.  Ao menos saí na rua como um legítimo nova-iorquino com um copão de uma coisa quente na mão.  E bebi todo o café.  Depois desse só bebi mais um café na Starbucks, mesmo tendo uma em cada esquina.  Tinha a Lucky Star no meu hotel que servia um café melhor e mais barato.

Ah sim, e uma onça americana vale cerca de 29,5ml.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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