Liz e uma reflexão sobre a vida

Liz

Uma das coisas que eu mais tenho certeza na vida é que a vida não é justa.  Não venham com aquele papinho motivacional de que se você fizer coisas boas, coisas boas acontecerão, que você planta aquilo que colhe, etc. esqueçam.  Não é assim.

Coisas boas acontecem para pessoas ruins e coisas ruins acontecem para pessoas boas.  Falando sério, quantas pessoas boas você já viu sendo bem sucedidas?  Já viu pessoas ruins se dando mal?

A vida não é justa, eu não gosto disso, mas não sou eu que faço as regras, injustiças estão em todos os lugares.  Se eu pudesse recomeçar, queria ser uma pessoa ruim.  Queria sim me tornar um cafajeste, um aproveitador, alguém cujo único objetivo é se dar bem e não se incomoda em quem será prejudicado por isso.

Infelizmente não consigo isso.  Para minha infelicidade fui muito bem criado e ensinado a fazer o certo.  Não consigo fazer algo para prejudicar outras pessoas, mesmo aquelas que mereçam e mesmo quando faço depois bate um remorso daqueles.  Já me ferrei bastante no trabalho por ser um cara bom.

Acabamos colocando sempre outras pessoas na frente e elas, claro não dão a mínima para você.  Isso se você tem sorte porque normalmente o que acontece é que as pessoas que você ajudou, que você quis o bem não se contentam em simplesmente fingir que você não existe, ainda procuram prejudicar você em troca.

É curioso porque mesmo tendo certeza de que fazer o bem não adianta nada e se você espera que o bem lhe aconteça você vai se decepcionar, se você acha que ao procurar a justiça a justiça vai lhe encontrar e não, não vai, ainda assim eu procuro insistir.  Acredito que mesmo se a vida for injusta se nós parássemos de ser injustos, o mundo poderia ser melhor.

Não que eu seja um paladino da justiça, tenho certeza que devo cometer dezenas de injustiças e por desconhecimento ou omissão devo ter feito o mal a muita gente, mas eu procuro fazer isso.  E assim entra na minha vida a Liz.

Liz é essa cachorrinha da foto.  Bicho para vir aqui pra casa tem que ter sido abandonado ou rejeitado.  Liz foi encontrada debaixo de um carro com mais carrapatos que você possa contar, basicamente moribunda.

A garota que a encontrou levou-a para tratamento.  Para tratar a cachorrinha foi necessária uma campanha de doações via redes sociais pois o tratamento foi caro.  Eu acompanhei a história e quando soube que ela precisaria de transfusão de sangue, imaginei que não teria jeito.  Ela sofria da doença do carrapato, filhote, sem imunidade e sem sangue…  Eu seria capaz de apostar que ela não conseguiria.

No entanto o inesperado para mim aconteceu.  A cachorrinha conseguiu.  Após dias internada, ganhou alta e foi para a casa da garota que a encontrou.  Daí ela foi ladeira acima se recuperando cada dia mais.  Isso gerou um problema.  A garota não teria como ficar com a cachorrinha e não havia lugar para ela.  Daí me ofereceram ela a primeira vez.

Não sabia bem se eu teria condições de ter um cachorro.  Não tenho muito espaço em casa, ainda estou longe do meu sonho de um sítio longe de tudo, e por isso não disse nem que não e nem que sim.  Alguém apareceria, pensei eu.

Mas o prazo acabou e a pobre cachorrinha iria para um abrigo.  Bem, as chances de ela ser adotada num abrigo desses são pequenas.  Vira-latas, preta (li que cachorros pretos são os mais recusados em adoção), ela passaria lá sei lá quantos anos vendo animais entrarem e saírem sem que ela nunca saísse de lá.

Isso não seria justo.  Alguém abandonou a cachorrinha para morrer, por algum motivo ela foi encontrada e tratada, ela lutou com tudo o que tinha pela vida para acabar abandonada de novo?  Não no meu turno.  A vida pode ser injusta comigo, mas não será com essa cachorrinha.

Assim, aos 44 do segundo tempo, quando ela estava para ir para o abrigo mandei tudo as favas e fui buscar a cadelinha.  Eu não sei se ela está feliz aqui, mas estou fazendo todo o possível para ela.  Ela tem com quem brincar, já não desgruda mais de mim, e vem crescendo saudavelmente.  É agitada e destrói coisas como todo filhote e está por aqui nos alegrando um pouco mais.

Claro que tem problemas, a gata não gostou nada dela, as duas ainda estão se adaptando, minha mãe não gostou da ideia e ela ainda fica querendo destruir as plantas dela, mas vamos tentando manter tudo na paz.  No fim das contas, acho que a Liz veio para nos deixar um pouco mais alegres.

Em breve ela vai poder ser vacinada e vamos poder dar umas voltas na rua para gastar um pouco da energia dela e da minha.  Se nos verem por aí, nos deem um alô.

Anúncios

Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Reflexões e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s