Bauernfest: Dá pra fazer certo sim

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Quem já viu séries ou filmes americanos que se passam na Nova York dos anos 80 vê um lugar dominado por guetos de gangues.  Andar nas ruas significava se expor a toda sorte de bandidos e violência.

Tudo mudou quando Rudolph Giuliani assumiu a prefeitura da cidade.  Sua ideia para resolver a questão da segurança pública na cidade era simples:  Tolerância zero.  Giuliani acreditava que nenhum delito, por menor que fosse, poderia ser tolerado.  Coibindo os pequenos delitos, os grandes ficariam mais expostos e mais difíceis de serem cometidos.

Não é difícil de entender:  É muito mais fácil você ser roubado no cruzamento da Presidente Vargas no meio daquele monte de camelôs vendendo todo tipo de tranqueira de procedências mais duvidosas do que no Boulervard Olímpico em sua avenida limpa, ordenada e livre de camelôs (por enquanto).

Funcionou em Nova York.  Os índices de criminalidade não foram a zero, mas estão em níveis bastante aceitáveis.  Eu saí da Avenida 36 andando até a Penn Station as três da manhã para pegar um trem para Washington.  Uma caminhada de 15 minutos.  Não vi polícia, mas também não me senti inseguro em momento algum.  Em outra ocasião, voltando do jogo dos Yankees desci duas estações antes da minha apenas para descer na Grand Central e conhecer aquela magnífica estação.  Nessa caminhada pude vir tirando fotos das ruas como essa aqui:

Bombeiro

Homenagem aos bombeiros que trabalharam no 11 de Setembro.

No Brasil nós vamos ao contrário dessa ideia.  Basta ver a gritaria quando o governo ou a prefeitura de São Paulo tentam acabar com a cracolândia.  No Rio as pessoas não conseguem ver o cara que vende mercadoria roubada no trem como parte da organização criminosa que tem mutilado a cidade com roubos de carga.

Por isso quando vemos coisa boa acontecendo precisamos elogiar.  Petrópolis fez algo muito bacana:  A maior festa da cidade, a Bauernfest terminou sem ter registrado uma única ocorrência.

Pelo que pude testemunhar, ao menos durante a festa aplicaram um pouco das ideias de Giuliani.  Eu pude estacionar o carro sem problemas, nenhum flanelinha me perturbou, havia guardas por toda a área coibindo o estacionamento irregular, o que garantia a fluidez do trânsito.  Nas cercanias das áreas de festa, as pessoas andavam tranquilamente sem a presença de ambulantes e nem de pessoas suspeitas.

Com os pequenos delitos coibidos, tornou-se complicado praticar os grandes.  Um traficante que se disfarça de ambulante ou de flanelinha ficou sem ter como agir dessa forma.  O mesmo para ladrões.  Claro que deve ter ocorrido um ou outro furto em que a vítima não fez o registro.  Bem como é ser inocente demais pensar que não houve tráfico de drogas. Mas tudo isso ficou sob controle, de forma que não ameaçava a segurança das pessoas.

“Ain, mas era uma festa elitista, tudo caro”.  Não era não.  Os preços estavam razoáveis, mas se você não quisesse gastar nada poderia.  Não se cobrava ingresso para entrar nos locais da festa.  E ninguém chiava se você levasse sua cerveja e comida de casa.

Com tudo sob controle, a ordem mantida, as pessoas puderam se divertir.  Os locais estavam cheios, exigia um pouquinho de paciência para andar, mas com níveis de estresse baixos, as pessoas mantinham a cortesia e no final todo mundo se divertiu.

A nossa bandeira já traz a receita para darmos certo como país:  Sem ordem não há progresso.  Mas mesmo olhando para ela todos os dias insistimos em fazer o contrário.  Aqui em Petrópolis, pelo menos por dez dias, conseguimos fazer funcionar.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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