Jogando Futebol no Videogame

A Copa já acabou eu sei, mas não podia deixar de falar nisso.  Apesar de Videogame originalmente ser coisa de EUA e Japão que preferiam respectivamente futebol de bola oval e luta de gordões de fio dental, futebol sempre foi o esporte mais popular do mundo e obviamente não podia ficar de fora pois, se tem uma coisa que todo mundo concorda é que todos adoram verdinhas.  Assim, para todos os consoles do mundo vários games de futebol foram e serão lançados.  Aqui eu falo um pouquinho dos jogos de futebol que me marcaram na infância e adolescência:

International Soccer – Atari

A primeira vez que eu vi futebol em videogame foi isso aí.  Se você hoje reclama que o cabelo do Cristiano Ronaldo não está correto, olha com o que a gente se divertia.  Nesse jogo não dá pra jogar contra a máquina, só o primeiro controle contra o segundo.  Você controla o cara de perna aberta, mas se parar pra ver o que os seus colegas de time fazem enquanto isso você se diverte com a movimentação em campo.  Experimente na saída de bola do meio campo sair do círculo central sem a bola.  Tá, aquela pastilha quadrada é a bola.

Pele’s Soccer – Atari

Sim, era melhor ter visto o filme do Pelé.  Nosso querido Edson emprestou seu nome a esse jogaço de futebol que tinha várias inovações:  A formação tática Triângulo das Bermudas, níveis de dificuldade e tamanhos de gol variáveis e… Torcida!  Sim, fazer um gol e ver a torcida soltando fogos era uma inovação e tanto para o Atari.  Esse jogo permitia que você jogasse contra a máquina e selecionasse o nível de dificuldade.  Havia uns insanamente difíceis.  Uma vez ganhei da máquina por 2×1 num desses, mas tive que usar a tática Libertadores:  Como a bola não sai para os gandulas retardarem a reposição, usei do artifício que ainda não tinha a regra de atrasar a bola para o goleiro e nem o tempo de posse do goleiro.  E foi assim que ganhei o jogo:  Em metade do tempo a bola ficou com meu goleiro.

 Goal 2 – NES

O Nintendinho foi uma revolução.  Acho que nenhum console me divertiu tanto na vida como meu glorioso Turbo Game CCE.  Esse Goal 2 era tão bom que era difícil achar esse jogo pra alugar no Pavão (a locadora do bairro).  Mas era uma beleza de jogar.  Divertido, agora tinha as principais seleções do mundo, havia um modo Copa do Mundo, você definia esquema tático (tá, era basicamente 4-4-2 ou 4-3-3, mas tinha opções), podia até mexer no time.  A música é um capítulo a parte.  As melhores músicas para NES eram dos jogos do Megaman, mas parece que o compositor fez as (poucas) músicas para esse Goal 2.  A música de jogo é tão marcante que até hoje quando assisto a futebol eu lembro dessa musiquinha.

Striker – SNES

Aí entramos na era do Super Nintendo.  Se achar o Goal 2 era difícil, esse jogo era impossível.  A nossa sorte foi que o Wiliam conseguiu trocar esse jogo em alguma maracutaia que não lembro qual era.  Esse jogo tinha um problema:  Não tinha como jogá-lo escondido.  Cansei de ver o Wiliam levando esporro da mãe dele por ligar o videogame sem poder, esquecer o volume da TV e entrar a musiquinha triunfante do início do jogo a toda.

Esse jogo era um barato, tinha um placar eletrônico que ficava mostrando gracinhas, a torcida acompanhava o jogo com mais ou menos entusiasmo, os jogadores agora tinham nomes, e nomes de verdade, nossa seleção de 90 está nele, você podia editar os nomes dos jogadores e tinha até o modo de futebol de salão, onde a bola não saía nem quando chutada por cima do gol.  Pobres goleiros.  Esse jogo dominou o cenário do SNES, até surgir o jogo de futebol definitivo:

International Superstar Soccer Deluxe – SNES

Me desculpem os Fãs de Fifa (que já existia para o SNES), Winning Eleven, Pro Evolution ou o console que for, mas jogo de futebol pra videogame é esse.  de fácil jogabilidade, divertido, simpático, um narrador participativo, gráficos ok, possibilidade de dribles, faltas, cartões, jogadores que cansavam, táticas diferentes e até mesmo um juiz cachorro fizeram desse jogo o melhor de todos.  Simplesmente triturou todos os jogos de futebol que existiam antes dele.

Além disso, esse jogo marcou o surgimento do mito Allejo.  Como esse jogo não tinha licença de ninguém, eles inventaram nomes para os jogadores.  Assim surgiu o craque da camisa 7 do Brasil.  Allejo foi uma espécie de Chuck Norris do futebol pois, se Pelé precisou de décadas para fazer 1000 Gols, Allejo conseguia fazer isso em uma semana.  Pouca gente sabe mais seu reserva direto Seneca também era um cracaço.

Até então todos os jogos tinham apenas seleções nacionais pois nomes de países não são marcas, além disso o mundo era menos babaca, então você podia botar um time do Brasil de amarelo que não estava violando os direitos de ninguém.  Por isso a Konami criou sem saber o mito Allejo.

Clubes são marcas e daria um baita trabalho licenciar tantos clubes.  Sem contar que naquela época de pré-internet e pré TV por assinatura para todos, só víamos um jogo do Barcelona se ele chegasse a final da Champions League e a Globo resolvesse passar.  Assim era um segmento que, para lançar um jogo de clubes você teria que lançar cartuchos específicos para cada país, o que seria inviável.

 No entanto, alguém editou esse jogo e fez uma versão chamada campeonato Brasileiro, com os clubes nacionais.  A dinâmica do jogo era a mesma, mas perdia em gráfico (porque ele pegou o Superstar Soccer antigo, não o Deluxe), e o narrador era um espanholzinho sofrível.  O americano era muito melhor.  No final, esse campeonato brasileiro era na verdade o que hoje são esses Bomba Patch da vida, uma merda.

Eu joguei diversos outros jogos de futebol em vários outros consoles e no Computador.  Mas acho que esses foram os mais marcantes, aqueles que lembro sempre.  Era bom o tempo em que nossas preocupações se resumiam em se manter bem na escola para descolar uma grana no fim de semana e poder alugar esses jogos no Pavão.  A vida é simples, nós é que complicamos tudo.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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