Mas afinal, do que é feito uma Copa?

 

Torcedores da Grécia vestidos de iogurte grego. Como não se divertir com isso?

Torcedores da Grécia vestidos de iogurte grego. Como não se divertir com isso?

Essa ideia de ter uma copa no Brasil me empolga desde que fomos escolhidos para sediá-la, em 2007.  Não, não embarquem na teoria da conspiração de que os EUA queriam essa copa porque não é verdade.  Naquela ocasião a FIFA fazia um rodízio de continentes para sediar a Copa, por isso a Copa de 2002 foi na Ásia, a de 2006 na Europa, a de 2010 na África e de 2014 na América do Sul.  Mas na América do Sul, só o Brasil foi candidato.  Ganhamos de WO portanto.  Mas eu tive medo dessa copa dar problema.

A primeira vez foi em junho do ano passado.  Obras atrasadas de estádios e de  mobilidade, isso era pedra cantada desde 2007.  Todo mundo sabe que o brasileiro deixa tudo pra última hora e o governo não é diferente.  Meu medo eram os protestos.  O que foi algo bacana demais no começo de junho logo se tornou um grande ovo de basilisco sendo chocado quando Black Blocs e outros extremistas de direita e esquerda se apoderaram do movimento.  Aquilo poderia descambar para atos terroristas na Copa.

A segunda vez foi mais sutil. Após longas 11 horas e meia de voo, o enorme 777-300ER da British Airways tocava a pista 28 do Galeão.  Tudo normal, exceto eu nunca ter pousado naquela pista, depois segue para o taxi e para.  O comandante explica que estavam aguardando a liberação de um portão.  Óbvio que eu pensei “imagina na Copa”.  15 minutos parado.  Achei que ainda iríamos para uma Remota.  Mas não, acabamos por desembarcar por pontes mesmo.  Faltavam dois meses para a Copa.  “ferrou” pensei.

Mas não é que os dias foram passando, a Copa foi chegando, por mais que a Dilma tente falar, não, as coisas não ficaram prontas, o Itaquerão não foi acabado, Natal teve jogo sem Alvará dos Bombeiros, O trem bala nem saiu do papel, no Rio já empurraram todas as obras de mobilidade para as olimpíadas (e tenho certeza que não vai sair), mas enfim, o show tem que continuar.  E, por mais que os doidos que acham que quebrar vidraça e queimar lixo na rua não queiram, vamos pra Copa.

O esquenta pra Copa estava ótimo.  O clima pegou.  De repente o verde e amarelo apareceu.  Começaram a enfeitar as ruas, acho que estavam com medo de algum babaca de máscara destruísse sua arte.  Quando viram que eles voltaram para os esgotos a alegria voltou.  Começaram a pipocar tuítes de gente chegando pra Copa. O ex-jogador americano Lalas disse que em 20 minutos pousou no Galeão e saiu de lá com sua bagagem. Muitos outros diziam o mesmo.  Não teve caos aéreo.  Não sei o que fizeram, mas não foi melhorar os aeroportos.  Seja o que for, deu certo.

Na véspera da abertura fui no Saara comprar uma corneta. Estava uma festa. Chilenos, argentinos, bósnios, americanos, alemães…  Só lembro de tanto gringo assim andando pelo Rio quando teve a Jornada Mundial da Juventude.  Até brinquei com um grupo de holandeses.  Disse a eles que eles eram bem vindos ao Brasil mas que não nos derrotassem de novo.  “Veremos, respondeu um deles”.  O clima era ótimo.  Ali comecei a pensar “como é que tem maluco que é contra isso?”

Aí teve Copa. Primeiro jogo, Brasil em campo.  Claro que ainda tinha gente na rua contra a Copa.  Mas agora eles eram equivalentes àqueles que ficam em cada lugar que o Obama vai e pedem para ele sair de algum lugar, ou pedem para o Japão parar de caçar baleias, ou alguma outra coisa. Ou seja, caiu no normal.  Protesto contra qualquer coisa sempre vai ter.

E aí o clima de copa pegou.  O futebol apresentado é dos melhores, jogos emocionantes, gol de todo jeito e em profusão.  Nossos convidados estão felizes, curtindo o evento.  O mundo veio ao Brasil se divertir (afinal, Copa é pra isso), e a gente só não se diverte junto se não quiser.  Os torcedores folclóricos apareceram, gente vestida de iogurte pra torcer pra Grécia, Suíços com cabeças de queijo, pessoas pintadas de tudo quanto é jeito, holandeses malucos rodando o Brasil num ônibus de dois andares, ingleses e italianos derretendo em Manaus…  Tem que ser muito ranzinza pra não achar nada disso legal.

Aí eu percebi uma coisa:  Pra fazer uma Copa legal você não precisa de aeroportos que possam tratar passageiros de 20 A380 simultaneamente, um sistema de trens-bala que ligue toda a cidade, estádios ultra-super-hiper hight techs…  Não!  Copa é feita de gente!

Os jogadores nos dão o motivo para fazermos bagunça.  E a torcida é o que nos emociona.  É bacana ver fotos de praças totalmente tomadas de gente para ver os jogos de sua seleção (não, isso não acontece só no Brasil), ver gente fantasiada indo para os jogos, gente que vem ao Brasil sem ingresso, mas fica pelas ruas só pela farra.  Isso é uma copa.

A marca Copa do Mundo pode pertencer a FIFA e ela ganhar rios de dinheiro com isso, mas a Copa é nossa.  Do mundo todo.  De quem quiser curtir.  É um evento mundial.  Enquanto escrevo isso, vi uma foto de aeromoças chinesas com camisas da Seleção. E a China nem veio pra Copa!  Quer dizer, todo o mundo está vendo o que acontece, e se divertindo!

Você pode não gostar, tem direito, pode ignorar a Copa por completo, apenas sentirei pena de você pelo que você está perdendo, mas tem que aceitar:  As pessoas vem para se divertir e estão conseguindo. Não estrague a festa.  Curta

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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