No futebol eu prefiro o da bola redonda, agora quando falamos de NFL x CBF…

Eu sei que o Seattle deu uma piaba nesse cara. Me deixa, eu torço pro Vasco!

Eu sei que o Seattle deu uma piaba nesse cara. Me deixa, eu torço pro Vasco!

É sempre assim.  Em toda temporada de futebol americano vem uma galera gritar nas redes sociais que o esporte da bola oval está anos luz a frente do nosso futebol, que o futebol americano tem mais jogos incríveis, lances bonitos e que futebol de bola redonda é chato…  Isso gera uma baita briga nas redes sociais entre os fãs de ambos os esportes e fica parecendo que a pessoa não pode simplesmente gostar dos dois.

A final da NFC, entre Seattle Seahawks e San Francisco 49ers, foi um jogão.  Vimos o que o futebol americano pode oferecer de melhor.  Daí começou essa discussão.  Quem teve a melhor sacada sobre isso foi o perfil @CornetaEuropa, que precisamente twittou que lances emocionantes e belos existem em todos os esportes.  Você não precisa diminuir os outros esportes para mostrar que o seu é bom (algo assim).  Ele não podia estar mais correto.

Qualquer esporte tem seus lances inesquecíveis.  Todo mundo lembra de um gol ou um drible antológico do seu time, ou da Seleção.  O basquete está cheio de cestas onde os jogadores pareciam desafiar as leis da física.  E o que dizer dessa ultrapassagem aqui na Fórmula 1, de ninguém menos que Nelson Piquet sobre Ayrton Senna?

Portanto lances belos e incríveis não são privilégio do futebol americano.  Pertencem aos esportes em geral.  E olha que só citei três esportes, mas podemos falar de tênis, vôlei, sinuca, badminton…

O nosso futebol mesmo, quando olhado para o jogo, dentro das quatro linhas é muito melhor que o futebol americano.  O esporte da bola oval deriva do Rugby e foi formatado para ficar ao gosto dos americanos, a saber: Muitos intervalos, regras complexas, pontuações altas e é muito difícil ter empate (e o futebol americano é o único dos grandes esportes americanos que permite o empate, mas é bem difícil conseguir isso).  Já nosso futebol são no mínimo 45 minutos sem intervalo, a bola para mas é reposta rapidamente, as regras são simples e uma partida pode não só terminar empatada como terminar empatada em 0x0!  Por isso que americanos não são muito fãs desse tipo de futebol.

Para comparar, podemos recorrer a uma metáfora com o automobilismo:  Futebol de bola redonda é a Fórmula 1 e futebol americano é a Nascar.  A Nascar é muito chamativa, largam uns 40 carros por corrida, a corrida para pra caramba, cada prova tem pelo menos 5 bandeiras amarelas e ultrapassagens, e batidas, aos montes.  A Fórmula 1 tem vinte e dois carros (por enquanto), é comum as corridas não terem bandeira amarela (safety car) e tem bem menos ultrapassagens.  Perceberam as diferenças entre os estilos?

No futebol é a mesma coisa. Dentro do jogo, numa partida de futebol em 90 minutos teremos pelo menos 60 de ação (bola rolando).  No futebol americano, o tempo de jogo é de uma hora em quatro quartos de 15 minutos, mas só há ação mesmo por 11 minutos.  Fora que o tempo em que a partida efetivamente dura, bate nas três horas.

No futebol o gol é raro, um torcedor fanático é capaz de se lembrar de praticamente todos os gols do seu time na temporada. Isso faz com que o mesmo seja muito mais comemorado.  Os momentos de “quase” gol são muitos, todo mundo já gritou aquele “uhhh!” quando a bola passou tirando tinta da trave ou o goleiro pôs a escanteio.  Todo mundo já sofreu com seu time ganhando de 1×0 em jogo de mata-mata e fazendo uma retranca, cedendo toda a iniciativa do jogo ao adversário, e a bola não sai da sua área e você só descansa quando o juiz apita.  São fatores como esse que fazem o futebol ser o melhor esporte do mundo.

Não pense aqui que estou desmerecendo o futebol americano não.  Adoro futebol americano, acompanho a NFL desde que tem ESPN aqui em casa (1999 se não me engano).  Ao contrário dos brigões das redes sociais, acho que dá pra gostar dos dois.  Dentro de campo o futebol americano tem emoções, tem drama, tem viradas épicas, lances fantásticos que fazem valer a pena assistir aos jogos.  Ele pode perder em emoção para o nosso futebol, mas isso não quer dizer que seja um jogo chato.  Muito pelo contrário.

Mas quando saímos das quatro linhas do campo para ver o que cerca cada campeonato desses esportes, aí os americanos mostram porque são os melhores organizadores de festas e espetáculos do mundo.  Comparemos a NFL com o futebol brasileiro:

Um time da NFL jogará em partidas válidas (tirando a pré-temporada) no máximo vinte vezes, se chegar ao Superbowl.  Um time brasileiro, com todos os campeonatos que disputa, chega a entrar em campo mais de 60 vezes no ano.  No entanto, até o Miami Dolphins consegue mais público em suas 16 partidas do que um time brasileiro, mesmo Flamengo e Corinthians conseguiriam no ano inteiro.  Menos jogos, mais vontade de ver o clube.  Claro que a intensidade dos esportes também é diferente, não dá para um jogador de futebol americano estar em campo domingos e quartas por 10 meses no ano.  Eles morreriam antes dos 30, sobretudo os Running Backs.

Uma outra coisa é que os esportes americanos são feitos de um campeonato só. A MLB (Baseball) e a NBA por exemplo jogam muito mais que o futebol americano, mais até que nossos clubes, mas tudo por um único campeonato.  É tudo ou nada.  Ou seu time será campeão naquele ano, ou não.  Não tem título estadual, copa disso ou daquilo.  Isso faz com que os torcedores apoiem muito mais seu time e, mesmo que ele não ganhe, os fãs sabem reconhecer o trabalho bem feito.  O Chicago Cubs, por exemplo, não é campeão há mais de 100 anos, mas continua enchendo o estádio.

O futebol americano tem também regras que visam manter o equilíbrio da liga.  Enquanto no nosso futebol você vê um campeonato espanhol sempre disputado entre Barcelona e Real Madri (e vinte outros clubes fazendo figuração), modelo que vem se espalhando para o campeonato alemão, inglês e periga chegar no Brasil, na bola oval, se seu time foi o saco de pancadas do ano, ele terá o direito de escolher o melhor talento disponível no celeiro da NFL:  As universidades.  Ele poderá negociar esse direito com outras equipes em troca de bons jogadores dessas equipes.  Dessa forma, um time que faça uma campanha horrível nessa temporada, com um bom gerenciamento pode chegar aos playoffs duas temporadas depois.  O Detroit Lions por exemplo, depois de uma temporada sem vitórias em 2008, foi aos playoffs três anos depois, tendo feito respeitáveis 10-6 na temporada regular.

Finalmente, no futebol de bola oval, a temporada é coroada com um grande evento.  O Superbowl é algo tão fantástico que até quem não acompanha o esporte assiste a esse jogo final.  Em média 100 milhões de americanos assistem ao evento que, além de jogo tem show de abertura, show de intervalo com artistas de renome mundial.  Além disso, o jogo é uma final de tudo ou nada, o vencedor leva tudo.  Assim, os jogadores colocam o coração no campo.  Enquanto isso, no futebol, as pessoas acham legal pontos corridos, campeão saindo quatro rodadas antes do fim e taça entregue em festa VIP ao invés de no campo, junto com a torcida.

O nosso futebol tinha tudo paraser a galinha dos ovos de ouro.  Se tomássemos umas lições do pessoal da NFL poderíamos ter um produto rentável que beneficiaria a todos:  Jogadores, clubes, empresários, emissoras de TV e principalmente torcedores.  No entanto, parece que todas essas partes pretendem é assar a galinha de ovos de ouro.  Basta ver o nível dos jogos que temos, clubes endividados, as transações espúrias, cotas de TV que favorecem um em detrimento de outro e torcidas que se preocupam em brigar e depredar mais do que torcer.   Assim, enquanto a NFL conta verdinhas, nós contamos trapalhadas.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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