Retrospectiva Fernandística 2013

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Reclamar da vida é uma arte, que muitos sabem fazê-la como ninguém.  Até eu mesmo as vezes sou bom nisso.  O problema é quando você só faz isso.  Se eu fosse falar de como foi meu 2013, não teria muitos motivos para reclamar.  Tive um ano daqueles.

2013 foi, para mim, um ano de saldo extremamente positivo.  Tanto que farei um post positivo, as coisas negativas que ocorreram neste ano não são dignas de nota.  Fiz muito do que planejei, realizei sonhos de infância, me conheci melhor.  Expandi meus limites e me vi muito mais capaz do que eu esperava.

Em algum momento da vida, que não sei precisar ao certo quando foi, abandonei uma antiga mentalidade de baixa auto-estima, de incapacidade, de insegurança.  Isso refletiu muito bem na vida pessoal.  Coisas ruins não mais impactam como impactava antes.  Se antes perder pessoas era extremamente doloroso para mim, hoje em dia, na maior parte das vezes só tenho a lamentar.  Por elas.

E assim, 2013 foi vivido na base do “quero fazer? Posso fazer? Ninguém que eu gosto será prejudicado? Então vamos nessa!”  E dessa forma vivi mais a vida, não me prendendo a coisas que me prenderiam em outras ocasiões.

Descobri que uma das coisas que mais gosto de fazer na vida é viajar.  E isso foi farto em 2013.  Estive desde as de sempre Cabo Frio, Arraial do Cabo e Rio das Ostras até Nova York e Washington.  Até no Nordeste brasileiro eu fui!

Minhas férias aliás merecem um capítulo a parte aqui.  Desde aquelas férias infinitas da faculdade onde não tinha que me preocupar com nada e ia no Sesc de Nogueira com o CPF de outra pessoa porque eu não tinha carteirinha, voltava e comia um brioche no Badofe ou a coxinha do Kadany’s (são duas lendárias lanchonetes de Petrópolis, diz a lenda que são do mesmo dono) que não tinha férias tão boas.

Depois de praticamente uma quinzena de ócio para descansar do trabalho, eis que partia para minha grande aventura:  Estava eu indo sozinho para os EUA.  Realizaria um sonho de infância, que não era nem de visitar os EUA nem de viajar sozinho.  Era mais simples:  Fazer uma viagem internacional.

Pela faculdade e empregos que passei era normal ouvir casos de pessoas em suas viagens internacionais.  Aquilo me dava uma inveja branca.  Sempre quis fazer aquilo também.  Pois não é que chegou minha vez?  Aproveitando promoção da TAM estava indo ver a Estátua da Liberdade.

Fui conhecer os EUA, mas acabei por me conhecer mais.  Sozinho, vi do que gostava e do que ignoraria.  Passei um dia inteiro no USS Intrepid, mas não suportava mais do que 5 minutos em lojas.  E me vi saindo acima das expectativas com meu inglês macarrônico:  O primeiro americano que fui obrigado a conversar, o cara da imigração, ouviu de mim um tímido “good morning,” quando cheguei nele, “One Week” quando me perguntou pela segunda vez quanto tempo eu ficaria e um “Thank You” ao me liberar.  O segundo, da banca de jornal, me vendeu o cartão do metrô, o cartão do Airtrain e um mapa de Manhattan quase por gestos.  E ainda me deu um dólar a mais em moedas para que eu pudesse ligar para casa.

Minhas mancadas americanas não parariam por aí.  Ao invés do metrô, peguei o trem.  Isso me fez perder 13 dólares, e fiz minha primeira amiga nos EUA:  A cobradora do trem.  Ficou feliz ao saber que eu era do Rio.  Aliás, eles adoram brasileiros.  E foi conversando comigo até minha estação.  Aprendi com ela que, se você não tiver dinheiro para o trem, hoje em dia eles não te jogam mais nos trilhos, mas te entregam aos policiais.  No hotel, não fosse uma simpática chinesa, teria deixado meu passaporte no Check in.  Isso provavelmente faria minha semana ser passada no consulado brasileiro ou na paradisíaca ilha Caribenha onde fica Guantánamo.  O fato é que eu estava assustado.

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Mas em uma semana, vencido o medo (por alguns segundos eu pensei em passar a semana inteira dentro do hotel), e o frio, já estava amigo do Steve, gerente da Lucky Star, onde tomava meu café da manhã estilo americano, tinha elegido meu bar, um pub irlandês na rua 49 que servia Guinness a 3 dólares, ajudado um monte de brasileiros perdidos, e zuado outro monte falando português onde eles menos esperavam (foi hilário quando um cara na Macy’s perguntou para a esposa se o casaco ficou bom, e eu passei rápido por trás dizendo “ficou uma merda!”), e pasmem, ensinei a uma Nova Iorquina como ir do Empire States à Penn Station!  Fiz até um amigo Russo, o Ivan, que tomara não tenha ainda voltado para o programa nuclear de Moscou.

Falando em capitais, fui a capital deles.  Washington.  Uma viagem de trem que me deixou admirado.  Grande parte dos poderosos EUA são compostos por cidadezinhas.  Bucólicas cidades com talvez 1000 habitantes.  O trem é maior que a rua principal da cidade.  Em Washington você sai da estação de trem logo ao lado do Capitólio, para que você saiba bem onde está.  O contraponto entre NY e DC é fantástico:  O movimento intenso de uma com o silêncio e calma da outra.  De fato, nem parece que você está na capital do país mais poderoso do mundo.

No último dia estava tão a vontade em NY que recusei um Shuttle ladrão para o JFK com a moral de dizer para a mulher que organizava a van “Thanks, I’ll take the subway” pegar o metrô e ir corretamente para o Aeroporto.  Vi que poderia viver lá.  Comemorei home run dos Yankees, cesta do Carmelo Anthony, faltou o TD do Eli Manning (ainda volto lá).  Mas as férias não acabaram ainda.

Cheguei num dia de volta ao Rio, no outro já estava indo levar minha mãe para o show do André Rieu.  Pessoalmente eu gostei do show, é bastante divertido, não lembro quem tuitou que era o Holiday on Ice da música clássica, mas que se dane.  É divertido e ponto.  Mas o mais legal foi ver que minha mãe adorou.

Acabou?  Mas claro que não!  No dia seguinte estava de volta ao Galeão para mais voo.  Agora, Natal, nordeste Brasileiro.  Curtinha, um fim de semana só (essa pedia mais dias).  Deu para um passeio de bugre, banho de mar nas águas mais quentes que já vi e umas tapiocas.  Claro que numa viagem tão curta fica mesmo é a vontade de voltar.  E não, não conheci nenhum “Usnavi”.  Mas vi que os nordestinos tem talento para nomes estranhos.  Tomara que em 2014 consiga voltar ao Nordeste.  Nem consegui dormir na rede!

Natal

Tudo o que é bom dura pouco, portanto, as férias acabaram.  Voltei brevemente para o departamento de projetos onde viajei mais um pouco.  Agora para Ribeirão Preto.  Pouco tempo depois eu ganharia a biografia do Hélio Castroneves e descobriria que ele é de lá.  Se eu soubesse disso antes, ao invés de ficar cinco horas no aeroporto tentaria achar alguém da família dele por lá.

Como depois voltei ao meu departamento antigo, onde viagens são escassas, achei que minha cota de viagens de avião estava encerrada para 2013.  Mas o quê?  Ainda fui a Barueri-SP.  Com isso, nunca voei tanto como em 2013.  E espero poder falar isso de 2014 quando chegarmos ao final desse ano.  Voei com TAM, Gol, Azul, Passaredo…  Só não conheço a Avianca.  Mas minha irmã conhece, do passeio dela para Natal onde a viagem dela teve tudo para dar errado, mas acabou dando tudo certo.

Adoro esse clima de aeroporto, de aviões, de partidas, chegadas…  Se me disserem que na minha idade ainda consigo ser comandante de aeronave, não penso duas vezes em iniciar uma carreira.  Isso fica nos sonhos.  Por enquanto.

Infelizmente o ano não foi só de viagens.  Mas teve muito mais coisa legal:  Na metade do ano, aconteceu algo surpreendente no Rio de Janeiro.  Nunca vi uma coisa tão legal na cidade quanto a Jornada Mundial da Juventude.  A cidade ficou cheia, era gente de todos os cantos do mundo.  Adorava ficar na Rio Branco na hora do almoço vendo os grupos indo, para lá e para cá, cada um carregando a bandeira do seu país.  Andavam cantando, dançando, conversando.  Ao se encontrarem, se saudavam.  Pessoas que nunca tinham se visto, nem falavam a mesma língua.  Estavam na cidade fazendo uma grande festa.  Tudo para eles era motivo para sorrir.  Cumprimentavam quem via pela rua.  Gostava de ver as bandeiras, de onde vieram.  Numa dessas encontrei um pessoal da Nova Zelândia que me cumprimento e tudo o que me veio a cabeça foi “All Blacks”.  Foi a senha para os Neo Zelandeses começarem a gritar All Blacks, cantarem e pularem na minha frente.  Faltou pouco para ter uma Haka em plena rua do Acre.  Gente divertida que só.

Eu fui lá em Copacabana ver o Papa.  Não gosto de multidões, mas ora, sou católico.  E a sensação de pertencer a toda aquela gente, ver a Igreja como instituição milenar colocar tanta gente de tanto lugar do mundo (eu via bandeiras de países em que nem imaginava haver católicos lá), me deu um orgulho danado da Igreja.  Falem mal a vontade da Igreja Católica, mas nada no mundo conseguiria fazer algo tão legal quanto o que aconteceu em julho no Rio de Janeiro.  E olha que tinha tudo para dar errado.  Choveu quase todos os dias, o local do evento alagou, o Papa ficou em carro comum com vidro aberto preso no engarrafamento, e só não aconteceu nada com ele porque Deus deve ter colocado Miguel em pessoa para fazer a segurança do Pontífice.  No final, o evento foi lindo e, algo me diz que Deus não queria era ir para longe da cidade.  Afinal, Deus também merece um pouco da praia de Copacabana né?  Acho que Ele só deu um jeito.

JMJ Rio Sul

No trabalho tive meus dias de Lula.  Como nosso sindicato é um lixo, acabamos por procurar o sindicato dos engenheiros, onde participamos ativamente da negociação com o sindicato patronal.  Aprendi mais como isso funciona.  Aprendi a negociar melhor.  Todas as minhas veias de esquerda, vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante e vermelhão afloraram.  Achei que se perdesse um dedo no torno poderia ser presidente.  No final, vitória e um belo reajuste.  De repente me via conciliando os interesses dos trabalhadores, que obviamente queriam mais, com o das empresas, que certamente ficariam felizes se não houvesse reajuste.  No final, ficou bom para ambas as partes, mas melhor para os trabalhadores.  Hasta la Victoria, Siempre!

O apagar das luzes de 2013 não poderia ser melhor com outro sonho de infância a dois passos de se realizar.  Como ele ainda não está certo, convém não contar, mas estamos prestes a cumprir mais uma coisa das que eu sempre quis na vida.  Tão importante, e legal, quanto o voo internacional.  A conferir.

Assim como em todos os anos, pessoas entram e saem de nossas vidas.  Sabe-se lá por que motivo elas entraram, e pior ainda é saber os motivos pelos quais elas saem.  Parafraseando a metáfora, a vida é como um avião de passageiros:  Você chega a uma escala e pessoas descem do avião porque chegaram ao seu destino ou porque tem conexão com outras aeronaves.  Pessoas sobem no seu avião para um trecho com você.  Nem mesmo a tripulação está livre disso.  Portanto, o melhor é aproveitar cada pessoa enquanto ela ainda está no seu voo.  Pois depois, sabe-se lá se ela embarcará com você novamente?  O truque que eu aprendi é não se lamentar pelas pessoas que desembarcam.  Fazer o quê, elas tem seus destinos que não necessariamente é o meu.

É por isso que não tenho queixas de 2013.  Com tanta coisa legal, com tantas pessoas legais que convivi durante o ano, pra quê fazer um post lamentando coisas tristes?  De triste já basta a segunda feira, e os feriados no domingo.  O negócio é viver a vida e ser feliz.  Que seja assim em 2014.  Para mim e para todos que tem a coragem de me ler.

Azul Gol

E que venham mais dessas fotos!

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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