Nova York para brasileiros;

Estátua da Liberdade

(Eu sei, tenho muita coisa pra contar, mas preciso de visitas no Blog e ajudar os outros é um bom caminho).  Então você está indo se aventurar nas ruas de Nova York?  Veio parar aqui para ter uma noção do que vai enfrentar?  Veio ao lugar certo.  Vou contar um pouco de como eu me virei por lá e do que aprendi, assim você já irá um pouco mais preparado.

Sobreviver em Nova York é tão fácil que eu consegui fazê-lo por uma semana.  E ainda fui a Washington.  A maior cidade americana é fantástica, as coisas funcionam (até o trânsito) e, se você aprender como fazer as coisas, você não fracassará em NY.

A primeira coisa que você vai precisar é de um mapa.  Compre um no aeroporto.  Eu sei, você pode estar viajando com um smartphone ou GPS que faça essas funções, mas lembre-se:  Os aviões voam com instrumentos digitais, mas no painel ainda há bússola, altímetro e horizonte artificial da moda antiga.  Eu tinha o fantástico tricorder Lumia 920, mas mesmo assim o mapa foi bastante útil.  É essencial que seu mapa tenha as linhas do metrô.  Você vai entender.

Estude o mapa e aprenda onde você vai querer ir.  Provavelmente a primeira coisa que você vai aprender é como chegar ao seu hotel.  Planeje roteiros para otimizar o tempo.  Por exemplo, meu hotel ficava no meio da ilha de Manhattan e no dia que escolhi para ir a Downtown atravessei a ponte do Brooklyn, fui na Estátua da Liberdade (a foto do post é minha, chupem), 9-11 memorial, Wall Street, Memorial da Guerra do Vietnã, entre vários outros pontos.  Repare que as coisas estão bem perto umas das outras.

Se locomover em Nova York é muito fácil.  Manhattan foi planejada e as ruas são todas perpendiculares formando quarteirões (blocks) retangulares.  É fácil se achar.  Se você já jogou batalha naval andará em Manhattan sem problemas.  Agora, se você conhece o sistema cartesiano de coordenadas, será um catedrático em orientação novaiorquina.

A cidade tem ruas e avenidas.  As ruas cortam a ilha no sentido leste-oeste e as avenidas no sentido norte-sul.  Você vai reparar que a ilha tem um eixo norte-sul, pois ela é alongada nesse sentido.  Ao sul tem a Baía, a leste o East River e a Oeste o rio Hudson. Assim, as avenidas são extensas, já as ruas, nem tanto.  As ruas e avenidas são numeradas e seguem uma ordem crescente, daí que, conhecendo um sistema de coordenadas, você se orienta com facilidade.

As avenidas vão de leste para oeste em número crescente.  Assim, a Primeira avenida está perto do East River e a 12th Av está na margem do Hudson.  As ruas vão em sentido crescente do Sul para o Norte.  As ruas tem a particularidade de se dividirem em leste e oeste, onde a quinta avenida serve como “metade”.

A partir daí é moleza, basta saber a esquina próxima que você quer ir e pronto.  Os quarteirões são pequenos, seguindo por uma avenida, você consegue ir de uma rua a outra em um minuto.  Seguindo pela rua você vai de uma avenida a outra em coisa de dois minutos.  Como é tudo bem sinalizado, basta olhar as placas.  Se estiver indo na direção errada, não terá andado mais que um quarteirão para perceber isso.

Aliás, em Nova York não tenha medo de andar.  É fácil, não dá pra se perder, quase não tem subida, todo mundo faz isso, é seguro e você descobrirá muitos lugares interessantes que jamais encontraria se estivesse em algum veículo.  Só para ter uma ideia, no dia em que fui para Downtown, peguei o metrô e desci no Brooklyn.  Voltei a pé pela Ponte do Brooklyn, e segui até o memorial do 11 de setembro, onde ficavam as Torres Gêmeas.  Depois, sempre andando, voltei ao Battery Park para pegar o barco e visitar a Estátua da Liberdade.  Depois do passeio de barco, conheci o Battery Park, comi hot dog e subi pela Broadway conhecendo a Wall Street, o famoso touro, a bolsa de valores, o QG de Washington e, o memorial da Guerra do Vietnã.

Eu queria atravessar a Ponte do Brooklyn igual esse cara, mas não deu

Eu queria atravessar a Ponte do Brooklyn igual esse cara, mas não deu

Só parei nesse memorial porque estava a pé.  E foi um dos locais mais interessantes de toda a viagem.  É uma pequena avenida para pedestres, com placas lado a lado com os nomes dos nova iorquinos que tombaram na guerra.  Essa avenida termina em um grande muro verde, onde se lê trechos de cartas dos soldados para suas famílias.  Muitas dessas cartas foram as últimas, pois eles morreriam em seguida.  Esse monumento te coloca no lado humano da guerra.  É tocante.  Continuei andando, fiz umas compras e só peguei o ônibus para voltar já no Soho.

Mapa da Guerra do Vietnan em aço inox, no memorial da guerra.

Mapa da Guerra do Vietnan em aço inox, no memorial da guerra.

Mas quando você vai para longe, aí não tem jeito.  A melhor maneira de se deslocar é o Metrô.  Por isso a primeira coisa que você precisa é de um mapa indicando onde estão as estações.  Veja quais trens passam lá e tracem suas rotas.  Diferentemente do metrô do Rio, por exemplo, em que existe um único eixo e os trens só vão em voltam, em NY o metrô é um complexo sistema de trens que te levam a qualquer lugar.  Basta saber o trem que você quer.

O metrô é um símbolo de NY.  Todo mundo usa.  Desde o CEO de Wall Street, passando pelo Prefeito Michael Bloomberg e o Cardeal Timothy Nolan até o vendedor de balas que fazia uma versão em inglês de “eu poderia estar roubando…” Na apresentação dos Yankees, os jogadores são mostrados saindo da estação do metrô e indo para o Yankees Stadium.  Foi a mesma coisa que fiz para assistir ao Baseball.  Os trens são bem piores que as composições do metrô carioca (é sério), são mais antigos, mas como o sistema é diferente e lá é um país sério, a manutenção está em dia e como os trens vão para todos os lados, o trem que para na plataforma pode não servir para você mas servir para os outros.  Assim nenhum fica superlotado.

Olha eu no metrô aí. Vazio.

Olha eu no metrô aí. Vazio.

Se você está a passeio, vale a pena também o ônibus de dois andares (Hop-on, Hop-off), particularmente os da Gray Line (porque tem a maior quantidade de carros).  Estes ônibus são uma tradição de lá e permitem que você tenha um passeio por toda a cidade.  Você pode descer em algum lugar que te interesse e pegar outro ônibus depois sem pagar de novo.  Estes ônibus tem um guia que vai explicando o que são as coisas.  O motorista lhe entrega um fone de ouvido que você pode plugar no terminal ao lado do banco e ouvir o guia ou um roteiro genérico que está disponível em vários idiomas, inclusive o português.

Mas se você se vira no inglês, vá ouvindo o guia.  Eles contam várias curiosidades.  Graças a velhinha do tour de uptown que aprendi onde a guerra civil americana terminou, porque os americanos chamam os policiais de “cops” e que o campanário de igreja mais alto do mundo é lá.  Um outro velhinho do ônibus de Downtown me mostrou onde fica o five points (de gangues de Nova York), a casa de Washington e o apartamento de Joe e as baratas. Num terceiro ônibus, salvei o guia de uma pancada na cabeça por um sinal de trânsito, conheci um casal de australianos, uma família da Georgia (estado americano, a filha era linda) e mais brasileiros diferentes.  Os australianos estavam empolgadíssimos com a Copa.

A outra forma que você tem de se locomover é de taxi.  Taxis são caros e você ainda tem que dar gorjeta.  Uma corrida do meu hotel (w43rd) até o JFK saía por US$ 70,00.  Acrescente mais 15% de gorjeta (um costume sagrado lá). Não andei de taxi, lembrem-se, tenho fama de mão de vaca.

Cuidado ao fazer compras também.  Diferentemente daqui do Brasil, os preços anunciados normalmente estão sem taxas.  Ao comprar, uma porcentagem é acrescentada, que são os impostos.  Isso vale desde o hot dog até o iPad.  Portanto, cuidado com o dinheiro certo, você pode acabar ficando sem conseguir comprar.

Uma localização boa para seu hotel é meio caminho andado.  Meu hotel ficava na W43rd street próximo a sexta avenida.  Saindo do hotel, virando a direita, 20 passos e eu estava na Times Square.  Virando a esquerda, chegava na Port Authority bus terminal, uma das principais estações de metrô além da rodoviária.  Dali, a pé eu fui a Catedral, ao Central Park, Empire States Building, Rockfeller Center, Madison Square Garden, USS Intrepid…

Mas lembre-se, hospedagem em NY é caro.  Esse hotel (o Carter), se você ver as avaliações do Google, você fica com o pé atrás.  Fui preparado para viver no apartamento do Joe (e as baratas), mas sabia que, depois de morar como agregado no alojamento da UFRJ seria difícil encontrar acomodação pior.  E como tenho hábitos espartanos, acabei sendo positivamente surpreendido.  Acaba sendo o mais barato dos hotéis de NY que te deixam onde a ação acontece (em Uptown existem hostels, mas eles são longe de tudo, você depende do metrô todo dia).

Hotel barato, sem frigobar, mas não é páreo para um engenheiro que quer gelar uma cerveja.

Hotel barato, sem frigobar, mas não é páreo para um engenheiro que quer gelar uma cerveja.

No final das contas, foi uma das minhas melhores aventuras.  Acabei por me encontrar lá.  Me conhecer melhor.  Acabei descobrindo que sou capaz de muito mais do que eu achava.  Em uma semana me transformei no cara assustado que passou pela imigração e foi abordado no saguão do JFK por um surfista americano que ainda não conhecia o Lumia e a primeira e valiosa ajuda que tive foi o jornaleiro da Jamaica Station a um cara totalmente safo de forma que já estava dando informações de locais para nova iorquinos.  E salvei inúmeros brasileiros de furadas.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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