Like a Rolling Stone

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Bilbo Bolseiro disse uma vez que quando viajamos precisamos tomar cuidado com seus pés, pois eles acabarão levando você muito mais longe do que você queria.  Isso é uma daquelas verdades da vida.  Não a toa nossos pés são virados para a frente (exceto se você for o Curupira), indicando que Deus quis é que andássemos pra frente.

Pensando nessas coisas e tentando dormir dentro de um avião.  Isso para mim já é uma missão quase impossível, mas serão dez horas aqui dentro!  O que vou fazer em dez horas senão dormir, que é o que todo mundo está fazendo.  Bom, tomara que a tripulação lá na cabine também não esteja dormindo.  Mas isso é outra história.

Tem uma cena na trilogia do Senhor dos Anéis, no primeiro filme (A sociedade do Anel) que é das mais simples, e provavelmente ninguém lembra dela.  Nada de relevante acontece, é quando Sam para, próximo ao espantalho e diz que se ele der um passo a mais ele estará o mais longe de casa que ele já esteve na vida.  Mas essa cena simples me marcou, até pela minha ausência de viagens.  Sempre olho para onde está meu horizonte.  Para o norte, ele estava em Belém.  Só consegui tentar dormir quando o bravo Airbus A330 passou pela capital paraense.  Era isso.  Estava o mais longe que já estive de casa.

No meu ouvido uma playlist tão doida quanto essa viagem, capaz de misturar Lady Gaga e Rihana a Enya, passando por James Brown e Rolling Stones.  De fundo a música da Pratt & Wittney 4168A de estibordo que vai empurrando a aeronave sempre para o norte.

É, vamos para o norte.  Outro hemisfério, outro continente (ou subcontinente para os mimizentos), outro país, outro idioma, outra cultura.  Tudo diferente.  Certo que nenhum ser humano que se comunique não saiba da cultura americana, mas uma coisa é vê-los pela TV, em filmes, pelo que fazem e tal.  Outra é ir para o meio deles.  É preciso se desarmar de preconceitos para aprender.  Mas disso falaremos depois.

E pior estamos indo… sozinho.  Viagem solitária, alone, by myself.  Coisa de maluco mesmo.  Isso fruto de uma lição que aprendi a duras penas:  Se você quer fazer alguma coisa, e ela não vai prejudicar ninguém, faça.  Não fique esperando os outros.  Claro que eu adoraria ter uma companhia para essa viagem.  Aposto que não faltam pessoas interessadas em ir para Nova York.  No entanto, agendas não coincidiram e, se eu fosse esperar uma companhia para uma viagem dessas, provavelmente nunca encontraria.  E viajar ao exterior sempre foi algo que sonhei em fazer.

Quero ver os americanos.  Será que são caras armados até os dentes que resolvem tudo na bala?  São paranóicos achando que qualquer um é terrorista?  Ou são todos imbecis apenas preocupados com seu próprio umbigo (opa, falei dos brasileiros agora).  É isso que quero descobrir sobre eles.

Quero ver coisas que não veria por aqui.  Aviões de guerra, daqueles que povoaram minha imaginação desde o Top Gun na sessão da tarde.  Ver um país que reverencia seus heróis de verdade e não vive a tentar denegri-los.  Mas acima de tudo, queria ver eu mesmo.

Como eu vou me comportar numa viagem dessas, uma semana longe de casa, de amigos, de parentes, de todos.  Em um lugar estranho, idioma estranho e que só posso contar com minhas habilidades.  Será que eu terei coragem de sair e enfrentar ou passarei todos os dias dentro do hotel, contando as horas para o vôo de volta?

Nisso, tudo parece positivo.  Já consegui embarcar e estou dentro do avião.  Isso já é lucro, considerando que tenho, digamos, receio quanto a aviões.  Assim que a Pratt & Wittney terminar sua música, estarei em solo americano e por mim mesmo.  Completamente desconhecido, like a rolling stone.

Voltando ao universo de Tolkien, outra vez Bilbo passava pela minha cabeça, agora o jovem hobbit que sai pelo condado gritando que está saindo em uma aventura.  Pois é.  Minha aventura começou.  O nascer do sol sobre o Caribe marca essa entrada em um mundo desconhecido, repleto de novas coisas a se conhecer.  E é nessa que eu vou.


Sun Rising

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Diários de Viagem, Reflexões e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Like a Rolling Stone

  1. Amanda disse:

    Shoooooow de bola!!!!!! Pra tirar mais onda só acordando amanhã cedo pra dar uma corridinha no Central Park hehe

    • Tem o Hudson Park aqui pertinho, que é uma pista de corrida, calçada, parque ciclovia, tudo junto, na margem do Hudson. É bem legal e mais calmo que o Central Park, apesar da rua movimentada que tem do lado. Foi uma bela sacada para aproveitar a margem do rio

  2. Pingback: Nova York para brasileiros; | Blog do Fernando

  3. Pingback: Negociando com o Extra | Blog do Fernando

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