Autores e copiadores

O babado da vez é a irmã Zuleide.  Sei pouco do que seja a irmã Zuleide, sei de uns poucos RTs que pingam no meu Twitter.  Eu tenho pouco saco para perfis de humor, sigo alguns, claro, os considero legais, para me convencer a seguir um novo, tem que ser bom.  Mas, que seja, de perfis ruins de humor, a internet tá cheia, e o problema nem são eles.

O caso da irmã Zuleide é emblemático porque ele mexe com duas coisas que todo mundo acha que não tem problema:  O copiar, e o usar imagens.  95% das pessoas que copiam nunca serão pegas pois nunca importunarão, nem serão descobertas.  E por quê?

Se eu não fosse caçar uma encrenca sem sentido algum, poderíamos fazer um exercício aqui.  Eu poderia pegar um texto do Contraditorium, (o blog que eu quero ser igual quando crescer) e jogar aqui, na base do Copy / Paste.  O exercício seria quanto tempo levaria para eu ser pego.

Para me pegar, ou o próprio autor ou algum dos leitores dele teriam que parar nesse blog.  Até onde eu sei não existe polícia da internet, ninguém patrulha blogs atrás de “kibes” e mesmo o Carlos Cardoso não perde seu tempo com isso, porque ele tem mais o que fazer.  Tenho quase certeza que demoraria meses, ou até anos para que descobrissem meu kibe.  Isso se eu fosse pego.

Eu não estou fazendo apologia ao kibe, nem dizendo que nunca me pegariam e tampouco que eu sou um especialista na internet.  Eu só não seria pego porque eu opero abaixo do radar.  Esse blog é insignificante, poucas visitas, me achar no Google dá um trabalho danado e se eu dependesse disso aqui pra viver estaria na sarjeta.  Mas outra coisa pode acontecer:

Imagina que o post kibado bomba.  As pessoas começam a ler, comentar, espalhar…  A tal ponto que meu post passa a ter mais acessos até que o original.  Pode acontecer até o absurdo de acusarem o autor original de plágio do “meu” texto.  Aí a coisa ia feder.

Tem coisa pior, tem gente que copia idéias.  Lembram da irmã Zuleide? Pois é, antes dela fez sucesso uma outra sátira a evangélicos, a Cleycianne.  Fez sucesso, copiam.  Aí que entrou a Zuleide.

Eu sei, eu vejo idéias na internet, twitts, posts em blogs até mesmo (!) postagens de Facebook que eu acho brilhante e que eu queria muito ter sido o autor.  Em muitos blogs eu vejo textos sensacionais que eu queria muito que fossem meus.  Mas queria, do verbo querer mas não poder.

Só que isso sou eu.  Eu sigo uma regra de não copiar conteúdo alheio.  Qualquer semelhança nos meus textos com o de outros é mera coincidência.  Eu posso sim, pegar um texto ou llustração de alguém e escrever algo a mais, usar como base para algo meu.  E se fizer isso, citarei a fonte.  Infelizmente não é isso que muita gente pensa.

Vivemos num mundo em que se quer fama a qualquer custo.  As pessoas mendigam “likes”, “Joinhas”, “+1”, “RTs” e sei lá mais o quê.  Isso é patético, eu sei, mas para muita gente ter 1000 likes e 10000 compartilhamentos é um objetivo.  É claro que eu gostaria de ter um post com esse sucesso, mas não vou mendigar.  Sou do tempo em que eu curto uma coisa se eu gostar, compartilho se eu achar interessante aquilo no meu perfil, dou RT se é legal e por aí vai.  E espero que façam o mesmo com meu conteúdo.  Se ninguém faz, é porque é uma merda mesmo, e eu tenho que melhorar.

Os que copiam não estão ligando para isso.  Querem é ficar famosos.  E aí depois “atacam de DJ” (o objetivo de toda subcelebridade).  E se uma paródia de evangélico fez sucesso, beleza, é isso que o povo gosta, vamos copiar.  Cata-se uma foto qualquer na internet e vamos ver no que vai dar.

Enquanto você opera abaixo do radar, nada acontece.  Fica a sensação de impunidade, seu perfil cresce e você se dá bem, faz sucesso, fica famoso…  Mas aí o radar te pega. E se o seu sucesso foi copiando, você será descoberto (lembra da Gina Indelicada?) ou pior ainda, se você cometeu crimes, você será pego.

O cara da irmã Zuleide fez isso.  O ato de colocar na pesquisa do Google imagens “evangélica” e gostar da imagem da professora santista o fez violar o direito de imagem da mesma.  Ele ganhou dinheiro e fama usando a foto dela e, pior, a expôs a constrangimento.  E como ele fez sucesso, se enrolou.

Esse caso da irmã Zuleide pode ser bom para a internet brasileira no sentido de ser um marco.  De que as pessoas aprendam que há lugar para todo mundo desde que se siga a ética.  Você pode achar que não tem nada demais, mas imagina se a foto fosse a sua? Você ficaria feliz de ver alguém famoso as custas de sua imagem?  Pode ser engraçado, mas não pode.  Acho que o único kibe bom, é aquele que você compra nas Casas Pedro.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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2 respostas para Autores e copiadores

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