O bêbado na Igreja

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O bêbado na igreja

Vivi uma situação no mínimo pitoresca ao ir à missa hoje.  Se eu contar como piada de bêbado as pessoas ririam.  Politicamente correto falando não é engraçado, mas vontade de rir não faltou.

O bêbado entrou na igreja (olha o começo de piada) e chegando lá dentro se estatelou no chão durante a missa.  O otário aqui chegava logo depois.  Uma senhora tentava ajudar o homem a se levantar quando fui ajudá-la.  Pra quê…

O cara estava tão mal, mas tão mal que não conseguia sequer parar de pé.  Chinelos arrebentados, perna machucada e sangrando, todo encharcado, enfim, a própria expressão de sarjeta.  Ser bonzinho as vezes custa caro.

Tentamos botar o cara sentado.  Não conseguíamos.  Ele não parava nem sentado.  Com muito sufoco conseguimos.  Tentar descobrir alguma coisa com ele era impossível.  O cara não falava coisa com coisa.  Tudo o que deu pra apurar foi que ele morava no Quitandinha.  Não muito útil.

Como ele estava com a perna arrebentada com um baita calombo e sangrando, até suspeitamos de fratura exposta.  Mas como ele conseguia ficar em pé, só não se mantinha por efeito do álcool, isso era bem improvável.  Mas decidi seguir em frente com essa suspeita mesmo porque alguma coisa precisava ser feita por esse cara.

Chamei o SAMU.  Recusaram-se a atender.  Me disseram que como o cara estava em via pública era com os bombeiros.  Liguei para os bombeiros.  O cara me fez uma série de perguntas a respeito.  Me passou para o oficial médico que me perguntou mais coisas.  Prometeu que iria, mas eu não acreditei muito nisso.  Estava certo nesse ponto.  Até agora os bombeiros ainda não chegaram.

Acabou a missa.  As pessoas saindo e vendo aquela cena deplorável (o cara estava agora sentado na entrada da igreja).  Tinha tido a idéia de ir à padaria e pegar um copo cheio de café.  Pedi bem forte e botei pouco açúcar.  Até deu certo.  As pessoas preocupadas com ele dando broncas…  (Uma dica:  dar bronca em bêbado não ajuda em nada).  Algumas tentaram novamente ligar para o SAMU ou para bombeiros, ou polícia…  claro, sem sucesso.

Aí entra a segunda parte dessa história: a odisséia com o taxi.  Decidimos levar nosso novo amigo para a UPA do centro de Petrópolis.  Queriam que ele fosse de Red 5.  “Sem chance” mandei logo de cara.  Num taxi eu topava acompanhar.  A intenção era desovar na UPA e deixar sob os cuidados de alguém.  Reles engano:  Não tinha médico na UPA.  Só pediatra.  Me mandaram ir para o PS do Alto da Serra.

Falei com o taxista: “chega lá empurram a gente para outro lado.  Vamos tentar levar esse cara em casa?”  O taxista topou e vamos nós para o Quitandinha.  O cara mora num morro qualquer de lá (todo petropolitano mora em morro, eu incluso).  Vimos que ele estava ficando bom (efeito do café) e já até indicava o caminho.  Conseguimos chegar na rua dele.

Chegando lá, ele indicou onde morava, mas meio confuso.  Nos mandou seguir mais a frente e paramos em frente a um… BAR!  Isso mesmo, o cara nos levou para um bar!  E pior, ele pediu R$0,50 para… tomar mais pinga!  Não bastasse estar doidão, machucado, ter passado isso tudo, o cara me pede dinheiro para comprar mais cachaça!  O taxista ficou injuriado.  Deu a volta, paramos em frente a uma “gareja”, onde acontecia um culto.  Um garoto em uma casa ao lado conheceu o cara.  Mostrou onde ele morava.  E bem, o cara insistia nos cinqüenta centavos.  Deixamos o cara ali mesmo.  O garoto ficou com ele.

Voltamos rindo dos cinqüenta centavos.  É mole?  Perdi tempo, o taxista também, o cara ganhou uma carona pra casa e ainda pede mais dinheiro?  Ta de sacanagem né?  O pior é que esse taxista é o cara que me leva para o aeroporto nas viagens de trabalho.  Agora estou com vergonha de marcar outra corrida.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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