Sobre ateus, fanáticos e outras bobeiras

Fernando Challenge: Ache o símbolo religioso aqui. Ah sim, pelo estado do Plenário, alguém entrou ali e gritou “Pega ladrão!”

Um assunto que acho que nunca tratei no Blog, mas hoje deu vontade de escrever.  Vamos falar de religião, ou da falta dela.  Falemos um pouco dos ateus.

Não, não vou aqui mandá-los todos ao inferno, dizer que eles são loucos, potenciais criminosos, pois uma pessoa que não tem Deus no coração não pode ser boa, blá blá bla…  Não.  Longe disso.  Mas também não esperem que eu vá dizer que eles são o supra sumo do pensamento humano, pessoas evoluídas, mentes abertas, inteligentes…  Na verdade, a idéia é mostrar que eles são seres humanos como outros qualquer.

Já venho pensando em discutir isso há um tempo, mas ultimamente fui bombardeado de mimimis ateus, que me fez finalmente botar isso em palavras.  Percebi que muitos ateus possuem preconceito contra pessoas que possuem religião e mais, que ser ateu está na moda.

Nas minhas andanças pelas redes sociais consigo ver basicamente dois tipos de ateus:  O ateu convicto e o ateu modinha.  O convicto é o cara inteligente, ele gosta de estudar, normalmente sabe muito de ciências e, nos seus estudos concluiu que Deus não existe.  Problema com isso?  Nenhum.  Normalmente esse tipo de ateu não esquenta a cabeça com as religiões, pois elas não lhe importam, afinal, não existe Deus, ou deuses ou seja lá o que for.  Ele acha graça do fundamentalismo religioso e de demonstrações esquisitas de fé.  Como isso:

A menos que você participe dessa religião você riu, correto?  Pois é.  Ele também.  Esse tipo de ateu é legal, a existência dele é benéfica, pois como ele não participa de religião alguma, ele pode ter um olho crítico sobre todas elas.  Assim, mesmo que você participe de uma religião, a opinião de uma pessoa dessas pode ser interessante.  Porque ele está de fora e vê coisas que você, que é da religião, pode não ver porque simplesmente não quer.  E isso pode ser altamente construtivo.

Claro que há um risco.  Ateus convictos podem cair na soberba de se tornarem senhores da verdade.  Mas não se iluda, isso não é privilégio de ateus.  Se achar senhor da verdade é algo que pode acontecer com muitos, independente de credo.  Mas pode acontecer que nem com esse cara aqui:

Ora, durante o vídeo ele se declara ateu, e tudo o mais, mas subestima as pessoas que tem religião como um todo.  É curioso como ele cai em contradição, pois ele afirma que as pessoas que tem uma religião se acham superiores a todas as demais, mesmo as de outras religiões, mas ao mesmo tempo ele passa a idéia de que ele é superior a todo mundo por ser ateu.  Ora, ele não criticou justamente este comportamento?

Ele diz que as pessoas que tem religião vivem tentando trazer mais pessoas para a religião (na verdade esse é um dos princípios básicos de quase toda religião), mas ele faz uma propaganda do ateísmo.  E tenta levar mais pessoas para lá na base do “se você pensa, se você é inteligente, você é ateu”  Ou seja, ele inventou uma “religião” atéia onde ele tenta levar mais pessoas, e ele dita os princípios.  Igualzinho religião de verdade né?  Só que sem Deus, ou deuses.  Enfim, isso é problema dele.

Mas é interessante notar o ponto de vista do preconceito que ele tem.  Quer dizer que ter uma religião é ser burro?  Quem segue um pastor, um padre, um rabino é burro?  Ora, creio que essas pessoas são no mínimo tão inteligentes quanto quem segue um nerd barbudo que se veste mal e só fala asneiras.

Ele não consegue entender que as pessoas que tem religião podem estudar sobre sua religião, sobre a natureza, ciência, entre outras coisas e que essas pessoas pensam.  Até melhor do que ele.  Claro, descontado o fundamentalismo religioso e o fanatismo (fanatismo por nada é legal).  Essas pessoas podem pensar.  As religiões sérias não amarram as pessoas.

Eu por exemplo.  Sou católico, vou a missa, acompanho o que a Igreja faz.  Estive no Aterro para a Missa do Papa João Paulo II, coisa que não esquecerei nunca, mas tenho meu pensamento.  Sou evolucionista, acredito na ciência, desde que com ética, sou contra o aborto e tenho absoluta certeza de que ciência e religião não se opõem, pelo contrário, se complementam.  Tanto é que gosto das duas.  E pelas minhas idéias, sei que a Igreja não me excomungará.  Não sou uma exceção.  Conheço muitos católicos, evangélicos que simplesmente sabem ver essas coisas.

Religião e ciência…  Só mesmo ateus e fundamentalistas para colocá-las como rivais.  Os ateus eu compreendo, pois eles irão achar que as religiões proíbem que a Igreja Católica está na idade média, que a Terra é chata e é o centro do universo.  Ou simplesmente por verem a outra ponta:  Os fundamentalistas.

Fundamentalistas sim, são alienados.  São a menor parte dos fiéis das religiões, mas são os que fazem mais barulho.  Gente capaz de produzir absurdos como serem contra aviões porque “se Deus quisesse que voássemos teria nos dado asas” (sério, eu já ouvi isso).  O fundamentalista ou fanático, como queiram, normalmente são pessoas de pouca instrução e por conseqüente pouca renda, e só tem aquilo para se agarrar.  Esses pela pouca instrução não pensam, ou pensam pouco, preferem receber tudo mastigado de um padre, pastor, pai de santo, o que seja.  E eles queimam o nome dos fiéis sérios, que pensam e que não são nem menos e nem mais inteligentes que os ateus convictos.

Acham que fanatismo é exclusivo de religiosos e torcedores de futebol?  Ledo engano.  Existem os ateus fanáticos também.  Eles são tão problemáticos quanto os fanáticos religiosos.  E pior, esse tipo de ateu virou modinha.

Acredito que todo mundo na vida tenha sua fase de contrariar o mundo.  Aí você abraça uma corrente de pensamento que seja contrária ao “normal”.  Antigamente se virava comunista.  Mas como hoje comunista não choca mais (só faz rir), os adolescentes revoltadinhos viram ateus.  Não ter religião choca, principalmente os pais e os demais adultos.

Esses ateus são tão engraçados quanto nosso amigo evangélico do vídeo.  São capazes de criar um mimimi danado pelas coisas mais idiotas.  Vejam esse:

http://www.paulopes.com.br/2012/11/aluno-diz-ser-absurdo-haver-capela-no-inpe.html#.UKGZZ-Q83Ss

O cara faltou pouco chorar porque no INPE tem uma capela.  Uma das pessoas que comentou teve o trabalho de pesquisar (eu também pesquisei) e descobriu que a capela foi feita pelos funcionários e é ecumênica, havendo missas, cultos, grupos de oração católicos…  Enfim.  E o cara, por ser ateu se incomoda com a capela ali.  E olha que nem dinheiro público foi gasto naquela capela.  E nem o INPE obriga ninguém a ir na capela.  Você pode trabalhar por anos ali e nunca entrar nela.  Mas mesmo assim o cara chora, faz beicinho, fica de birra porque tem uma capela ali.

Ateus sérios, acham curiosa a existência da capela.  Ao descobrir que a capela nada teve de gasto ao país, fica só a curiosidade mesmo.  Ateus modinha querem incendiá-la.  Beira ao ridículo.  O autor do post descarrega preconceito como se o ateísmo fosse requisito para ser cientista.  Basicamente coisas de filhos de vó criados a leite com pêra.  Não sabem lidar com a diferença.

Aparentemente também os ateus modinhas, ou a falta de trabalho chegaram ao Ministério Público Federal.  Eles estão de chororô por causa da expressão “Deus seja Louvado” presente nas notas de Real.  A ação é movida pela Procuradoria Regional dos Direitos do cidadão de São Paulo.  Ora, depois de ver que eles estão gastando seu tempo brigando uma frase em uma cédula de dinheiro, estou de malas prontas para São Paulo.  Afinal, se a procuradoria de direitos do cidadão de lá pode consumir tempo e recursos para uma cruzada idiota contra algo que é irrelevante, todos os demais direitos dos cidadãos paulistas estão assegurados e plenamente respeitados.

Pergunte para um ateu convicto sério, não fanático, o que ele acha disso.  Certamente ele dirá “nada” ou responderá com uns palavrões.  Só mais uma:  O crucifixo no plenário do Senado.  De vez em quando vem um mimimi sobre ele.  Ora, se você é ateu, ou não cristão, encare apenas como um objeto decorativo.  O site da Câmara informa que ele é de Marfim, deve ser uma bela obra.  Se ele não significa nada para você ignore-o.  Eu não entendo a convicção das pessoas em querer tirá-lo de lá, sendo que ele não quer dizer nada para quem quer tirá-lo.  Talvez o sonho dessas pessoas seja viver na França, onde as mulheres não podem usar o véu islâmico porque as pessoas acham que todos os islâmicos são terroristas, ou porque o véu enfeiaria a cidade, ou sei lá.  Mas nunca por uma idéia racional.

Falta para os ateus modinha, os ateus fanáticos e os fanáticos religiosos uma pia de louça pra lavar, uma roça pra capinar e um tanque de roupa pra lavar.  Falta trabalho.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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