Uma idéia para a solução da cracolândia do Rio

Todo dia é a mesma coisa.  Notícias do jornal sobre os usuários de crack que agora se concentram em canteiros de obras da Transcarioca.  Eles estão no acesso a Ilha do Governador pela Avenida Brasil e estão se espalhando.  Cada hora se concentram em algum lugar.  Tudo para consumir sua maldita pedra.

O problema de cracudos é antigo, só que eles se escondiam.  Essa cracolândia ali na nossa cara, na porta de entrada do Rio estava em Jacarezinho na linha do trem.  Escondida das autoridades e dos turistas, pois.  Estava em Manguinhos.  Ninguém vai em Manguinhos a turismo.  Mas aí com a tomada das áreas pelo poder público eles tiveram que fugir de lá, e foram para onde era mais perto e onde haveria quem fornecesse sua bosta de fumar:  Entrada da Ilha.

O processo das UPPs é algo fenomenal.  É muito legal ver áreas de criminosos sendo retomadas e de tal forma que mostra o quão covardes são os bandidos:  Incapazes de lutar, valentes apenas com quem estava desarmado.  A imagem do bandido “bonzão” do bandido valente, lutador, acabou junto com o poder que eles achavam que tinham.

Mas as UPPs mostraram outra coisa:  A legião de otários que sustenta esses bandidos.  Sim, pra mim usuário de drogas é, antes de tudo um otário.  Não há desculpa para um viciado.  Entrar para as drogas não tem desculpa.  Argumentar que são dificuldades da vida não cola comigo.  Quem que tem uma vida fácil?

Se você fazer uma pesquisa ali entre os cracudos vai encontrar de tudo:  Gente vinda de família rica, classe média, pobres, pessoas sozinhas, pessoas que largaram família…  De forma que a tese de exclusão social não cola.  Não funciona também dizer que foram as dificuldades da vida.  Cada um ali teve um motivo e uma dificuldade que o levou para o crack.  Ora, mas eu tive minhas dificuldades, passei por maus bocados mas o crack nunca me pareceu uma opção.  Como um monte – a maioria, felizmente – de pessoas.

Mas o problema está ali.  Podíamos deixar eles se matarem.  O crack mata rápido, acaba com a pessoa em questão de meses, reprimindo o tráfico, deixe os viciados morrerem e pronto.  Só que eles são uma ameaça.  Uma pessoa sob efeito de crack ou na abstinência dele é um perigo aos cidadãos pois ela vai roubar e não tem nada a perder.  Ela não se preocupa em morrer.  Por isso mesmo se torna perigosa.  Esses dias vi dois cracudos no desembarque da Rodoviária Novo Rio, no ponto de taxi.  Não estavam roubando, mas pediam dinheiro de forma tão esquisita e intimidadora que estava claro que um roubo ou assalto ali praticado por eles era questão de tempo.  Bem como estava claro que eles estavam sob efeito de crack.

Eu não quero ser bonzinho com essa gente.  Pra mim, cracudo não é doente, é bandido.  Doente é quem tem pneumonia, câncer, hepatite, essas coisas.  Se o cracudo é doente, ele sofre de uma doença que ele escolheu pegar.  Ou seja, se ele tem uma doença, o nome dela é burrice.  Mas o problema persiste.  O que fazer com eles?

Que tal confiná-los em locais apertados, fazê-los trabalhar a força e matar os que forem incapazes?  Um austríaco fez isso há 70 anos.  Não foi legal.  Se bem que ele fez com judeus que não fizeram nada de ruim, são pessoas inocentes, já cracudos…  Bem, deixa pra lá antes que a idéia se torne viável.

Gastar os preciosos reais que sobrevivem a toda a corrupção e finalmente chegam na saúde com eles?  É vai ser o jeito.  Que me perdoem as criancinhas com câncer, os idosos, os pacientes de AIDS, os pacientes de tuberculose, hepatite…  Vamos torrar a verba nos cracudos!  É o jeito né?  Mas por que não cobrar essa conta deles depois?  Os que conseguirem se reabilitar (se é que isso é possível) depois devem compensar o Estado de alguma forma.  Lembre-se, ele se tornou um cracudo porque ele quis.

Mas bem, eu não tenho uma solução sobre o que fazer com eles.  Não, não vou aqui defender que o Exército use seus Black Hawks para fuzilar as cracolândias.  Se alguém fizer isso será julgado no tribunal penal de Haia.  Não vale a pena.  A solução definitiva para os cracudos deixo para quem tem que pensar nela.  Mas ao menos uma parte do problema acho que eu posso ajudar.

É uma briga quando as kombis da assistência social vão as cracolândias acompanhadas da polícia (mesmo porque ninguém é louco de lidar com cracudo sem ser com a polícia por perto).  As assistentes sociais vão até lá para tentar fazer com que os viciados aceitem ser internados, receber algum tratamento, enfim, tentar recuperar essas pessoas.  A maioria recusa terminantemente.  Só pensei em uma forma de fazer com que eles aceitem um pouco melhor a internação.

Existe um conceito militar chamado inquietação.  Consiste de você negar o descanso ao inimigo.  Funciona assim:  Imagina uma frente de combate.  Para impedir que seu inimigo descanse, durma, se alimente direito e tudo o mais, você mantém atividade na linha o tempo todo.  Você não vai avançar, mas faz com que seu inimigo ache que você vai avançar o tempo todo.  Assim os soldados do inimigo tendem a chegar a um estado de exaustão.

A polícia também usa esse conceito.  Uma das primeiras coisas que eles fazem em situação de cerco é cortar água e luz.  Manter o bandido sob pressão.  É comum vermos carros da polícia passando com sirene ligada o tempo todo nas proximidades do cerco.  Tudo isso visa minar a resistência mental do criminoso, provocar cansaço físico, impossibilitá-lo de dormir, levando-o a uma estafa e finalmente a rendição.

Por que não aplicá-los com os cracudos?  Essas pessoas tem muita vida mansa.  Ficam sossegadas dentro dos canteiros de obras, escondidas atrás do tapumes.  Ninguém os perturbam.  Assim, podem dormir, fazer suas necessidades, fumarem e tudo o mais.  Uma tática de inquietação contra eles seria interessante.

Considere que, onde quer que eles se aglomerem, a polícia impeça essa aglomeração.  Recursos há para isso.  Basta a polícia expulsá-los.  Eles não teriam para onde ir.  Para onde forem, são expulsos, dispersados.  O tempo todo, dia após dia.  Não tem onde fumar, onde dormir, onde irem ao banheiro, onde parar.  Só podem fugir.  Os recursos da polícia seriam os de sempre:  Bombas de efeito moral, balas de borracha…  Armas não-letais.

O efeito será que os cracudos não terão sossego.  Sem poderem consumir a droga em paz, sem poderem sequer descansar, tendo que fugir o tempo todo, sem nem poder dormir, muitos trocarão essa vida por uma confortável cama de abrigo de recuperação de drogados.    Pode ser que alguns se animem a resistir, mas nesse caso o dano seria todo para o lado deles mesmos.

Acho que seria uma ajuda e tanto para as assistentes sociais.  Receberiam cracudos exaustos, em busca de um sossego, coisa que elas terão a oferecer e poderão realizar seu trabalho.  A polícia possui efetivo para isso, basta tirar um pouco das blitzes de IPVA (os policiais não ficarão exaustos, pois eles podem ser rendidos por outros).  Como benefício secundário dispersaria as cracolândias, permitindo ver cada indivíduo que lá frequenta, e pegar os traficantes.  Além de que, com eles dispersos e em fuga constante, ficaria muito mais difícil de comprarem ou venderem a droga.  Porque não tentar?

Leia Também:

Anúncios

Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Posts técnicos e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

8 respostas para Uma idéia para a solução da cracolândia do Rio

  1. Persona Non Grata disse:

    Fui aluna da faculdade de Letras da UFRJ… nossa Universidade nunca foi um modelo de segurança – longe disso, aliás – mas ver que o que era ruim ficou muito pior… é de fazer chorar.
    Sinceridade? Eles não tem conserto, não produzem e só dão prejuízo ao Estado e aos cidadãos. Talvez, nesse caso, a idéia daquele austríaco viria a calhar.

    Uma ideia boa também? Criem um local isolado e com um perímetro policiado, monitorado. Coloquem uma espécie de buffet de drogas – todos os tipos – deixem os drogadictos se fartarem até que morram todos de overdose LÁ MESMO. Simples e eficaz.

    Mas aí as hemorróidas dos hipócritas dos DIREITUZUMANUZ vão sangrar.

    That’s why we can’t have nice things.

    Abraços.

  2. maria jose disse:

    O problema é acharem que o craque é uma droga que mata rápido, e não é, hoje enfrentamos uma pandemia justamente por fecharmos os olhos durante anos, os viciados de hoje eram os viciados de anos atrás,escondemos tanto tempo no ralo que agora saem como baratas do esgoto E como toda pandemia precisamos de uma vacina para combater essa droga. Lembremo-nos que o veneno da cobra mata, mas também salva.

    • De fato, a expectativa de vida de um cracudo subiu bastante. Antigamente os traficantes cariocas diziam que não queriam vender crack porque o cara morria em seis meses e ele perdia o freguês.

      Notei que isso mudou, basta ver o número de cracudos que não para de crescer. Não sei se alteraram algo na composição da droga ou o quê.

      Mas quando você faz analogia com o veneno da cobra, o que você quer dizer? Que o crack pode salvar os cracudos? Não entendi…

  3. dinamite na boca dos 100noçao disse:

    Falou muuuuuuiiiita merda,cagou pela boca,num disse porra nenhuma,100noçao mermo

  4. oliveira disse:

    tudo é muito complicado quando a droga se torna um negocio, todo mundo sabe que esse lance de upp é uma tremenda farça, por tudo que é comunidade que eu ando, tem um bandido, em algumas comunidades ainda armado com pistolas, e o papo que rola é o seguinte, ( o comandante agora é o dono da boca ) a vóz do povo é a voz de Deus realmente, se o povo fala é porque é verdade, a corrupçao ativa vem porque quem manda é o dinheiro, essa semana minha esposa estava na praça 15 lugar conhecido como mergulhão, ali tinha um carro de policia todo dia, mais parece que eles ficaram de folga e os bandidos fizeram a festa, pelo amor de Deus, inadimicivel, com os impostos altissimo, ja nao tenho mais dinheiro pra morar na zona sul porque os alugueis estao cada ves mais altos por conta desses malditos impostos e ainda existem crimes barbaros na cara da policia que parece que mais faz a segurança desse povo, é isso mesmo faz a segurança porque a menos de 100 metros da cracolandia, que aqui pra nós achei muito engraçado ver um traficante vendendo escancaradamente com direito a barraquinha e tudo parecendo uma banca de doces e o mais legal com escolta policial , nao entendeu, isso mesmo escolta policial a 100 metros tinha um camburão da policia, PAREM DE MENTIR GENTE, ESSE NEGOCIO DE UPP É TUDO FARÇA, TUDO BALELA.

  5. Pra mim tinham que todos serem presos. por associação ao trafico de drogas, ser preso eles e quem ache que isso é uma doença .

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s