Sobre Eduardo Paes, Avenida Brasil e Classe C

Conforme todos já sabíamos Eduardo Paes venceu a eleição mais ganha da história carioca.  Muitos dizem que ele venceu por WO, uma vez que nenhum candidato tenha se apresentado realmente como uma alternativa viável contra  atual prefeito.  Paes liquidou a fatura com mais de 66% dos votos.

Mas o que construiu essa vitória?  Eduardo Paes não é nenhum ícone da política, não é um Lula, seu governo não foi excepcional e ele não tem um padrinho político que o tenha alçado a essa condição.  Paes nadou de braçada através de uma rivalidade histórica: A dos pobres contra os ricos.

Desde o começo da campanha já estava definido:  Eduardo Paes é o candidato do povão e Marcelo Freixo é o dos ricos.  Isso já aconteceu há quatro anos atrás, contra Fernando Gabeira, onde a disputa acabou sendo muito mais apertada.

O que provocou isso, foi muito mais a forma de cada um votar do que a  postura dos candidatos.  As pessoas pobres votam naquele candidato que eles acreditam que atenderá suas necessidades imediatas.  Já ricos, votam por ideologia, por desejo de mudança ou mesmo para atender seus interesses.

Nos últimos quatro anos o Rio tem passado por uma transformação talvez só com paralelos no governo de Pereira Passos.  Nesse tempo o Rio finalmente conseguiu as olimpíadas além da Copa.  A violência finalmente foi enfrentada, senão da forma correta, mas ao menos algo está sendo feito.  De repente a cidade virou um imenso canteiro de obras.  Surgiram soluções para o transporte, a economia cresce, a auto estima da cidade vai sendo resgatada…

Além disso, o Brasil vive um momento ímpar na história.  Nunca as desigualdades sociais foram tão reduzidas e a classe média cresceu tanto.  Ela é a mais sobrecarregada de impostos, mas hoje é a maioria do país.  E agora é para eles que tudo é direcionado.

Não dá pra botar tudo isso na conta do Paes.  Ele é só o prefeito do Rio e mesmo os avanços do Rio não são todos dele.  O povo sabe disso.  Mas a eleição dele tem algo mais a ver com um novo perfil de Brasil, de uma elite que perde poder e o povão que assume este poder.  O país está se homogeneizando.

Só como exemplo, os governadores do estado sempre foram da capital.  Aí um dia venceu Anthony Garotinho, vindo do interior.  Foi como um aviso do interior do estado “estamos aqui, vocês não podem mais ignorar!”  Mesmo que o governo Garotinho não tenha sido bom.

Agora com Paes é o pessoal do subúrbio, da zona oeste, das favelas que avisa que agora quem é que manda é ele.  Se foi a melhor escolha ou não, não sabemos ainda, mas o recado é que quem escolhe agora é ele.  É a tal classe C.

Veja Avenida Brasil (a novela).  Um sucesso histórico da Rede Globo. Essa novela nasceu voltada para a classe C e explodiu em audiência.  Como uma forma de diminuir os riscos, a novela trouxe um núcleo tradicional de ricos (o núcleo do Cadinho).  Qualquer coisa, bastava jogar o foco da novela para lá.  Mas ocorreu justamente o contrário.  O núcleo Cadinho não deu certo e ele foi para o Divino, como toda a novela.

O que ocorreu na eleição foi só mais um recado disso:  A classe C manda.  Os candidatos dela é que vencerão agora.  Suas escolhas são importantes.  Se são as melhores ou não, veremos.  Mas não serão piores do que as que os ricos já nos impuseram.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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