3 Miles Up

A melhor série de todos os tempos já feita para a TV trazia em seu primeiro episódio o Monte Currahee:  Uma montanha cuja distância da base ao topo era de 3 milhas.  Os soldados da Easy Company subiam esse morro correndo quase todos os dias.  Claro que não preciso dizer mais nada sobre a série, vocês já sabem qual é.

Na terça, 02/09 uma trapalhada na serra me fez perder toda a noite parado no meio do nada.  A partir das 19h mais ou menos nada mais andava na serra.  Dentro do ônibus, sabendo que era algo simples na serra, jogávamos sueca para passar o tempo enquanto esperávamos um desfecho rápido.

Bem, esse desfecho não veio e, perdida a paciência resolvemos subir o resto a pé.  O ônibus estava parado pouco acima do Belvedere, o que significa há cerca de 2,5km do túnel, que está a pouco mais de 3 km de Petrópolis.  5,5 km portanto.  Subindo.  Como diria o Capitão Sobel: “Three miles up”

Acabamos por sair em grupos, enquanto eu voltava ao ônibus para pegar a mochila, um grupo partiu, e fui no segundo grupo.  No entanto, subíamos muito rápido, o ritmo de caminhada era bastante forte.  Passávamos em meio a caminhões, em lugares estreitos que até mesmo as motos encontravam dificuldade.  Logo vimos a causa do bloqueio na pista:  Na verdade a pista não estaria bloqueada não fosse pela desorganização:  Meia pista poderia ser aberta não fosse pelo fato de caminhões ocuparem toda a pista tentando passar onde não dava.  Carros e ônibus passariam, não fosse por isso.

Voltando aos pequenos grupos de trouxas que tinham que andar a pé.  Depois de passado o “bloqueio” até que foi uma experiência digna de nota:  É legal andar na serra, sem carros, sem caminhões…  Indo a pé, você e a estrada.  Estava andando muito rápido, mas deu pra pensar sobre isso.  É tudo quieto, uma calma, silêncio…  Como era noite, tinha pouca visibilidade, apenas um luar escondido pelas nuvens.

Aliás, pela manhã chovia bastante, a nossa sorte é que não choveu mais depois da manhã.  Subíamos portanto no seco.  De repente, um susto.  Barulho de tráfego.  Isso significava que a pista fora aberta.  Ferrou, a serra não tem acostamento, não teríamos onde nos proteger de uma manada de caminhões apressados com motoristas estressados pelo tempo perdido. Foi engano.  O barulho era da pista de descida da serra.  O silêncio era tanto que dava para ouvir o barulho do trânsito na outra pista.

Haviam marcos na pista.  O principal deles era o túnel.  Chegando no túnel também encontramos o primeiro grupo do nosso ônibus.  Passando o túnel vem uma placa que diz “Petrópolis a 3km”  Uma vez medi com o GPS.  Ela está corretíssima.  3 km pra subir.

Logo que você passa o túnel, como você está acostumado a subir de carro, parece que já chegou.  Quando você está a pé, ainda falta muito.  E a subida fica mais íngreme.  Mirante do Cristo, a vista fica maravilhosa, da baixada e da cidade do Rio, e depois vem o Duques.

Aqui um cuidado:  Se isso acontecer com você alguma vez e você subir a pé a noite na serra, não vá sozinho.  Aquela área tem uns vagabundos.  Quando passamos, creio que éramos o primeiro grupo a chegar ali, uns muleques em atitude suspeita abordaram um dos nossos que seguia mais a frente.  Fizeram perguntas sobre o acidente, queriam saber o que foi, a carga do caminhão acidentado (já pensando em roubar a carga).  Só que depois eles perguntaram para ele o que tinha na mochila dele.  Bem, aí o negócio ficou sério, mas felizmente, nada aconteceu (éramos um grupo).

Há ainda uma placa, de Petrópolis a 1km.  Eita quilômetro miserável.  Chegar ao Alemão nunca foi tão bom.  Na chegada, tinha muita gente esperando pessoas que estavam presas.  Taxistas, familiares…  Passando desanimei os que ali esperavam.  Alguns já começavam a descer de carro pela contramão.  Pra minha sorte, choveu pela manhã e eu havia deixado o Red 5 ali.  Foi só entrar, e chegar em casa as 23h.  Subindo, a pé, gastei 43 minutos (de 22:07 até 22:50.

Mas ainda sobre esse “acidente” ele só mostrou mais uma vez o que todos nós que usamos a estrada já sabemos:  Tudo o que a Concer sabe fazer é cobrar pedágio e despejar pobres que moram a beira da rodovia.  O Corinthians já ganhou uma Libertadores e nada de a Concer melhorar a estrada.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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