E que venha o Rio

(Ainda tem  uma brasinha lá…) Certo, passaram a bandeira para a gente. As olimpíadas são brasileiras.  Já começamos com o pé esquerdo desrespeitando o símbolo olímpico.  Mas está só começando, faltam quatro anos ainda.  O que eu quero falar aqui é dos esportes.  Deixemos as obras, legado, etc para quando as bombas estourarem.

O Brasil sonha alto.  Todos nós queremos nosso país uma potência olímpica.  Não fazemos nada por isso, mas queremos.  E o peso olímpico do Brasil é grande.  Embora não se reflita no quadro de medalhas, é fato que o peso olímpico brasileiro é maior que o da Jamaica, por exemplo.  Não cabe portanto comparar o Brasil com os jamaicanos, uma vez que eles se especializaram em um esporte (atletismo – velocidade) enquanto que o Brasil tira suas medalhas de um monte de modalidades.  O rumo que o Brasil deve tomar é diferente.

Vendo o desempenho dos nossos atletas, podemos tentar projetar alguma coisa para o Rio 2016.  Não é algo do pai Fernando de Virabrequim, é mais pitaqueiro (aliás, a Rio 2016 será da Globo, portanto Quixapaguá já liberou os orixás da mecânica de bisbilhotar o futuro).  senão vejamos.

Em Alta:

Judô:

Se tivermos que ficar bom em um esporte olímpico e garantir nossas medalhinhas é no Judô.  Temos que virar a pátria de quimono.  O Judô mostrou a que veio em Londres.  Com quatro medalhas, ficou provado que poderia ter vindo muito mais.  E douradas.  Só para se ter uma idéia, o Brasil foi um dos poucos países a classificar, por ranking, judocas para todas as categorias, somando um total de 14 judocas (7 homens e 7 mulheres).

O trabalho no Judô tem sido visivelmente bem feito, os resultados do Brasil seguem uma ascendente, nossos judocas estão entre os melhores do mundo e competem nos melhores torneios, mantendo portanto o nível internacional.  Nossa maior esperança de subir no quadro de medalhas em 2012 está portanto no judô.

Vôlei:

O Brasil sustenta uma hegemonia no Volei que já dura há mais de uma década.  Da zebra olímpica em 92 até entrar sempre como favoritos, esse esporte se consolidou como o maior vitorioso do Brasil (o futebol passa longe, mesmo com cinco copas).  Se este ano ficou um gosto meio amargo, considere que o Brasil tirou do Vôlei 4 medalhas (1 ouro, 2 pratas e 1 bronze), estando no pódio nas quatro modalidades possíveis do vôlei.

Além disso, não há sinais de que esta hegemonia irá decair em quatro anos.  Para 2016 a meta dos cartolas e dos jogadores deve ser nada menos que trazer as quatro douradas.  Seria histórico.  E é possível.

Basquete:

O Basquete é a prova viva do que é a organização no esporte.  O basquete era uma piada, nosso campeonato nacional uma zona, uma confederação bagunçada por politiqueiros, de tal forma que nossa última participação olímpica antes de Londres fora em Atlanta 96.  Todos os campeonatos que nossa seleção disputou o desempenho foi medíocre.

De repente resolveram arrumar a casa.  Criou-se o NBB, bons times, campeonato equilibrado, rentável e pronto.  Surgiram bons jogadores, alguns na NBA, e o desempenho da seleção subiu de novo.  Saímos da olimpíada sem medalha, mas de cabeça erguida.  Perdemos para a Argentina na inexperiência, mas jogamos no nível de todo mundo (exceto dos EUA, por motivos óbvios).  O Brasil tem tudo para fazer bonito no basquete.

Isso tudo, claro, se aplica ao masculino.  O feminino precisa passar pelo mesmo choque de ordem que o masculino passou.

Boxe

Não ganhávamos uma medalhinha desde os jogos da Cidade do México.  Voltamos com três.  Sendo que o Esquiva deveria ter trazido o ouro.  O desempenho brasileiro no boxe é resultado de um trabalho bem feito com patrocínio da Petrobrás.  Se os bons ventos continuarem, certamente teremos boas surpresas nas olimpíadas do Rio.

Vi hoje que Anderson Silva pretende disputar os jogos, ou no boxe ou Taekwondo.  Se ele ao menos tentar, isso seria excepcional.  Anderson Silva é uma celebridade e a participação dele nesses esportes traria uma boa visibilidade para os mesmos.  Fora que um soco ou um chute dele é algo a ser temido.

Pentatlo:

Yane Marques é uma heroína.  Levou uma medalha merecidíssima.  Ela tem um trabalho em Pernambuco com a modalidade para crianças e, por sua tradição militar o Exército bem que poderia apoiar mais esse esporte (bem como o tiro).  A modalidade dá somente duas medalhas, mas medalha é medalha.

Handebol:

É impressionante como todo mundo já jogou isso na vida, mas não temos um time competitivo e nem um campeonato nacional.  Ou melhor, não tínhamos.  A seleção feminina fez bonito nas olimpíadas. É mais um time que caiu de pé, fez uma bela olimpíada, volta honrada dos jogos.  Perdeu pela inexperiência, mas esse time tem futuro.

Ginástica:

Fiquei meio receoso de colocar a Ginástica em alta, mas acho que o Zaneti merece.  Afinal, ele nos deu a primeira medalha olímpica da modalidade, promessa que era sempre das mulheres.  A Ginástica masculina tem mostrado avanço surpreendente.  Se antes só tínhamos o Diego Hypólito, hoje temos além dele, o Sasaki como um dos mais completos do mundo e o próprio Zaneti.  Em 2016 teremos equipe completa, o que dará mais tranquilidade para os ginastas fazerem suas séries.  Se o bom trabalho no masculino continuar nos trilhos, não duvido o número de medalhas aumentar no Rio.

O feminino vem justamente na direção oposta.  De equipe promissora, de atletas com chances de medalhas, o Brasil foi péssimo nessas olimpíadas.  Nenhuma final, um desempenho abaixo de medíocre.  Isso se deveu a politicagens.

Senão vejamos:  O Brasil contratou um técnico ucraniano e de repente aparecemos para o mundo da ginástica. Surgiram Daniele Hipólito, Daiane dos Santos…  Elas só tiveram condição de obter resultados expressivos por conta desse trabalho.  Tinham talento que foi lapidado.  Mas assim como filho feio não tem pai, filho bonito tem um monte, e a politicagem detonou o trabalho.  Londres está aí pra provar.

Mas bem, parece que passado esse tempinho do fim das olimpíadas, a CBG está vendo o mesmo.  O ucraniano voltou, a seleção será renovada…  Vamos ver os resultados ao longo do ciclo olímpico.

Em baixa:

Natação:

Eu sempre fui partidário das coisas de que onde há divisão as coisas não funcionam.  Em times de qualquer coisa, se há divisão, inimizades ou favorecimentos, o time fica fadado a não dar certo.  Times de futebol estão aí para provar isso.

A seleção de natação foi para Londres dividida entre os caras do time de Cielo (ele montou uma equipe de alto rendimento) e o resto.  Quem estava responsável pelos nadadores permitiu que ele fosse com seu próprio técnico e ele fizesse sua programação.  E o resto, é o resto.  Tudo bem que Cielo é um campeão e recordista mundial, devia saber o que estava fazendo, mas deu errado.

Não é admissível o cara alegar cansaço por nadar duas provas apenas.  Não que ele esteja mentindo, Cielo pode estar falando a verdade e, isso mostra que a preparação dele foi mal feita.  Os caras que competiram com ele nadaram as mesmas provas (50 e 100) e no mínimo os revezamentos.  Nossos nadadores abandonaram os revezamentos (as provas que acho mais legais na natação) e quebraram a tradição de finais brasileiras.

Algo está errado, se todo mundo consegue, por que eles não?  Sabemos que Cielo e agora Thiago Pereira, Kaio Márcio são caras do primeiro time de nadadores do mundo e precisam se comportar, e ter desempenhos, como tal.

Isso leva a outro problema.  O nível da natação que se pratica aqui no Brasil é baixíssimo.  Se você olhar os tempos que se faz nos troféis José Finkel e Maria Lenk da vida, estes são risíveis perto das competições mundiais.  O recorde sul-americano é algo tão ridículo que nem deveria ser comentado quando alguém o quebra.  É preciso que nossos nadadores compitam em alto nível.  Um dos nadadores brasileiros disse que teve seu desempenho prejudicado por estar nadando na raia ao lado de Michael Phelps. Por favor né?  Esse cara deveria estar acostumado a nadar contra qualquer um.  Foi um erro de planejamento.

De repente seria interessante dar uma premiação que chamasse atenção nas nossas competições, de forma a atrair os grandes do mundo para nadarem aqui.  Isso forçaria os nossos a forçarem o ritmo e se acostumar com competições de verdade.  Ou ter bala na agulha para mandar nossos nadadores irem competir onde os grandes competirem.  É preciso subir o nível porque viver de recorde sul americano não é coisa para quem sonha com medalhas olímpicas…

Atletismo:

Nosso atletismo foi um fracasso.  Só tínhamos uma atleta com chances reais de medalha (Fabiana Murer). Como ela não estava em um bom dia, não deu.  Acontece, é do esporte.  Daí não tínhamos mais nada para prova nenhuma (Mauren Maggi não vinha de boas marcas nesse ano, era daquelas que poderia arranjar algo, mas não era favorita).  De resto, só figuramos em todas as outras provas que participamos.

Um país que quer ser potência olímpica não pode abrir mão de ganhar medalhas no atletismo e na natação.  São esportes com muitas medalhas e ninguém pode dar o direito de passar em branco neles e querer um bom desempenho no quadro de medalhas.  Por isso o trabalho no atletismo precisa ser bem feito.

Vale aqui o mesmo da natação, precisamos elevar o nível.  Esquecer recordes sul-americanos, estes são ridículos perto dos mundiais, trazer competições internacionais para cá.  Temos bons lugares para as competições (ibirapuera, Engenhão, mangueirão…), podíamos trazer a Diamond League para cá.  O Engenhão é superutilizado no futebol, mas o que ele tem de melhor que é a pista nível pica das galáxias pela IAAF, e esta é utilizada quase nunca.  Sem os melhores atletas para competirem com a gente, nunca teremos bom nível.

No geral, se quisermos um bom desempenho competindo em casa, isso é o que temos.  Há vários outros esportes que dão muitas medalhas, como o tiro, em que poderiamos ter um talento aqui e ali e este competir contra os melhores do mundo e se aprimorar.  Com verba, o exército poderia criar um programa para este esporte.  Em um ciclo olímpico podemos ter alguns resultados.

O problema é que a força do Brasil está nos esportes coletivos.  E ali, é uma medalhinha só. O ouro no futebol por exemplo, só conta como um. Valeria o mesmo que um ouro na natação.  Para subir no quadro, é preciso aproveitar a força nos esportes coletivos, mas é preciso aumentar a força nos individuais.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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