Será que foi mesmo um fracasso?

Agora que a última brasa da pira olímpica londrina se apaga, todo mundo volta pra casa, a bandeira olímpica já está no Rio, é natural pensarmos no desempenho do nosso país nos jogos, coisa que já vínhamos fazendo desde o segundo dia de olimpíadas.

É claro que vai haver uma choradeira danada e pessoas gritando por aí que nossos atletas são amarelões e que, apesar do maior número de medalhas da história brasileira, faltou o ouro.  E sabíamos também que poderíamos muito mais do que 17 medalhas.

Não vamos passar a mão na cabeça dos atletas.  É claro que muitos fracassaram.  Claro que alguns amarelaram.  Mas bem, o ponto é que amarelice não é um problema brasileiro.  Fracassar nas olimpíadas não é algo exclusivo nosso.  Chineses fracassam, americanos fracassam, australianos fracassam, japoneses fracassam…

Ah, mas todos esses países ficaram na nossa frente.  Sim ficaram.  Mas tiveram atletas fracassando.  O ponto é que a colocação de um país no quadro de medalhas vem de um conjunto de competições distintas.  O resultado de um país na natação influencia muito pouco no seu resultado no hipismo, por exemplo.  E se os nadadores fracassam, não quer dizer que os cavaleiros o farão.  São competições distintas, para atletas distintos.  Aí, ao final você soma tudo e vê como o país ficou no quadro de medalhas.  Soma-se todas vitórias e fracassos e pronto.

A diferença maior, entre nós e chineses e americanos por exemplo está na quantidade.  Se um chinês favorito fracassa, tantos outros chineses estão em condições de vencer que acaba por compensar o xing ling que perdeu.  O mesmo é válido para americanos.  Na verdade, as vezes o fracasso de um acaba sendo o sucesso de outro do mesmo país (caso de Ryan Lochte derrotando Phelps nos 400m Medley).

Nós não temos esse luxo.  Sendo realista, tínhamos cinco atletas para ganhar o ouro em Londres.  Trouxemos três.  Nem foi tão ruim.  Mas desses, ninguém esperava que Sarah Menezes ganhasse e nem Arthur Zanetti.  Aí a sua expectativa sobe para sete ouros.  Mas, da mesma forma que você teve sucessos “inesperados” também tem que engolir fracassos inesperados.

É aí que as potências se diferenciam da gente.  Embora eles também tenham fracassos, sempre tem um estadunidense ou um xing ling para abiscoitar uma medalhinha.  Se o favorito era brasileiro e este deu mole, alguém desses países está pronto para tomar-lhe o pódio.

Então, se o Brasil quer subir no quadro de medalhas, além de ter favoritos na disputa, precisa ter muitos outros ali na rabeira, prontos para dar o bote.  Porque favoritos podem fracassar, e não porque são brasileiros (Londres foi especialmente cruel com favoritos).  É preciso aumentar a qualidade da delegação.  O parâmetro mais importante é o número de finais olímpicas que o país disputa.  E nesse quesito fomos mal.  35 em Londres contra 42 de Pequim.  Isso sim preocupa.

Agora, dizer que as olimpíadas foram um fracasso para o Brasil é especialmente cruel com nossos atletas.  Se o desempenho de um país é a soma do desempenho dos atletas, é sacanagem dizer que todos foram um fracasso.

Será que as olimpíadas foram um fracasso para Sarah Menezes?  E para Felipe Kitadai?  Será que a campanha olímpica do vôlei feminino foi um fracasso?  Foi um fracasso para Arthur Zanetti?  E para Yane Marques?  Marilson dos Santos certamente foi um fracassado então?  O que dizer então do basquete masculino? E o handebol feminino?  Bando de fracassadas, correto?  Esquiva e Yamaguchi Falcão foram um fiasco.  Pobre do pai deles…

É claro que não!  Para esses, e para muitos outros, as olimpíadas foram longe de ser um fracasso.  Mesmo para aqueles que não ganharam medalhas, se eles fizeram o seu melhor, superaram suas marcas, se esforçaram até o último segundo, as olimpíadas foram gloriosas.    Pouco importa se ele trouxe uma medalha de ouro ou o 15° lugar.  Portanto, acho que muito mais atletas brasileiros voltam como vitoriosos do que como fracassados.  E é isso que importa no final.  Afinal, as olimpíadas são para os atletas.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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