Engenharia de Tráfego

Observem minha planta cuidadosamente e precisamente elaborada do entorno da Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro:

Com as obras de revitalização da zona portuária o trânsito está operando de acordo com as setas.  Não se esqueça de que acima da Av Rodrigues Alves tem a Perimetral, que está com os dias contados.  Mas se eu a desenhasse não iria aparecer o que realmente importa.

Eu pego o ônibus todo dia exatamente ali no cais do porto e notei a genialidade de quem faz a engenharia de tráfego daquela região.  Muitos ônibus saem da Rio Branco e param nesse ponto.  Isso faz com que a coisa tenda a ficar caótica com dezenas de ônibus cruzando a pista.  Na verdade, acho que só não ficou ainda porque as vans não param ali.  Agora observe os sinais.  O sistema funcionava assim, até o mês passado mais ou menos:

O sinal A ficava aberto durante 1’:30” e fechado por 45”.  Já o sinal B fazia o inverso, de forma que o fluxo para a Av Rodrigues Alves ora vinha da Perimetral, ora vinha da Rio Branco.  Perfeito.  Mas veja que existe um sinal C pouco mais a frente.  Esse aí que causa a confusão:  O Sinal C está sincronizado com o sinal A.  Assim quando este abre, o C também abre, e, por conseqüência, fecha junto.

Notaram?  Se você vem da Perimetral além de pegar um sinal chatíssimo que fecha por um minuto e meio (pior que esse só conheço o de Rio das Ostras e seus inacreditáveis 200 segundos), assim que o sinal abre e você arranca, menos de 100 metros depois encontra outro que estará fechado.  É de matar qualquer motorista de raiva.  Isso sem contar nos reflexos em uma das mais importantes vias expressas da cidade.

Há pouco tempo colocaram um guarda no sinal C.  Assim, quando este fechava, o guarda esperava apenas a travessia dos pedestres e liberava o trânsito, aliviando a perimetral e a paciência dos motoristas.  Mas bem, considerando que os guardas de trânsito nunca estão onde são necessários, esse querido guardinha sumiu.

Mas mesmo sem ele, esse problema ali tem uma solução fácil:  O sinal C está redundante.  Portanto, basta desligá-lo enquanto duram as obras de revitalização.  A travessia dos pedestres pode ser feita pelos sinais A e B sem problemas.  Os tempos destes seriam ajustados pois estava longo demais para quem sai da Rio Branco e curto demais para quem desce da Perimetral, e pronto.  Problema resolvido.

Mas existe um ditado que diz que “Se uma prefeitura está fazendo alguma coisa, esta coisa não está sendo feita direito”.  Assim, alguém de lá percebeu que, ao desligar um sinal o transito melhoraria, já que há um redundante.  Pois bem, o “jênio” foi lá e desligou o sinal A.  Resultado?

Agora quem vem da Rio Branco só tem o sinal C pela frente.  Quem vem da Perimetral enfrenta o B e o C coordenados de forma que quando o B abre, o C fecha, daquele jeito que os motoristas adoram.  E agora é pior, pois quem está vindo da Rio Branco acaba só parando ali.  Se você desce da perimetral para a Rodrigues Alves, fatalmente verá o sinal B abrir e fechar pelo menos duas vezes antes de passar por ele e parar no sinal C por mais alguns segundos.  No total, você está perdendo em média cinco minutos de sua vida toda vez que passar naquela rampa.  E o guarda de trânsito?  Bem, este sumiu.

Vale lembrar que o maior fluxo é sim de quem vem da Rio Branco, portanto o sinal A terá um tempo maior aberto.  Inclusive temos muitos ônibus vindos de lá que atravessam a pista para chegar ao ponto do Píer Mauá.  Quando o sinal C fecha, estes ficam atravessados na pista, atrapalhando mais ainda quem acabou de ser liberado do sinal B.

Ou seja, estamos diante de mais uma demonstração da genialidade de uma companhia de tráfego que, sabendo que a melhor solução era desligar um sinal, vai lá e desliga o errado.  Fica pois aqui, minha humilde sugestão depois de semanas de observação.

Atualizando:  Estive reparando hoje na situação atual da Praça Mauá.  Por conta das obras, a travessia pelo sinal A como eu havia proposto não é possível, pois a calçada está em obras e intransitável (está até cercada).  Assim, fez sentido desligarem o mesmo.

Contudo, o problema dos sinais prevalece.  Acho que a CET Rio poderia reprogramar o sinal C para que o tempo dele fechado seja enquanto o sinal C também está.  Ele pode ficar fechado por 30 segundos, o trecho da Rodrigues Alves não é grande, dá para os pedestres atravessarem com folga.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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