O Dia em que trolei o Exército

O MBT Leopard 1A5, espinha dorsal da cavalaria blindada do Brasil hoje. A foto é do próprio Exército Brasileiro

Dia desses o programa AutoEsporte da Globo exibiu uma reportagem sobre os carros de combate do Exército, com foco no Leopard.  Queria ter assistido, mas não acordei a tempo de ver o programa.  Encontrei-a na internet logo depois.

O Exército, através de seu twitter oficial divulgou a reportagem (foi por eles que encontrei o link.  Assista aqui, vale para dar uma conhecida no Leopard).  Contudo o Exército, e a própria Globo, divulgaram o Leopard como “o novo tanque do Exército Brasileiro”.  Ao ver esse tweet, eu, como sempre não perco a oportunidade de dar um pitaco saí com essa:  “Novo em termos” Uma vez que o Leopard não foi comprado zero quilômetro.  Logo depois o Exército soltava novo tweet, agora dizendo o seguinte:  “Assista à reportagem do programa Auto Esporte da TV Globo sobre o Leopard, um dos carros de combate do Exército!”  Repararam que o novo sumiu?  Trolei o exército e eles voltaram atrás!

Mas eu não fiz isso atrás de fama ou para sacanear o exército.  O Exército Brasileiro é a instituição Nacional que mais respeito, admiro e gosto, mesmo sem ter sido digno de figurar entre seus quadros.  Foi só um erro, que nem erro é, uma vez que o Leopard é novo no Brasil, mas não no mundo.  O que me irrita, e não é culpa do Exército nem dos militares é o retrocesso.

Esse Leopard foi comprado para substituir os velhos M41 comprados aos EUA na década de 50 e modernizados aqui na década de 70.  O M41 estava realmente precisando ser substituído, pois seu armamento, mesmo modernizado, sequer faria cócegas em um tanque inimigo dos dias de hoje.  Sua incapacidade de realizar um disparo preciso em movimento o torna risível nos dias de hoje.

O Leopard é um veículo bem equipado, com canhão de 105mm, torre estabilizada, o que permite o disparo preciso em movimento, equipamentos óticos e eletrônicos que o torna capaz de operar sob quaisquer condições.  Foi o primeiro MBT (Main Battle Tank) a ser operado em larga escala pelo Exército Brasileiro, alterando a doutrina de uso e manutenção dessa arma.  A versão que representa o grosso do Exército Brasileiro é a 1A5, a mais moderna.  Esses veículos datam de meados da década de 80 e eram usados pelo Exército Alemão.

O problema todo é que mesmo a compra do Leopard pelo Exército Brasileiro significa um retrocesso no desenvolvimento de armas pelo Brasil.  Mesmo o Leopard 1A5, o mais moderno que dispomos, ainda fica atrás de um produto genial da engenharia e da indústria nacional:  O EET1 Osório.

Projetado pela Engesa, e as custas da própria empresa, na década de 80, o Osório trazia o que mais avançado havia na ocasião.  Desde seu projeto, utilizando ferramentas até então inéditas até o veículo em si, incorporando o melhor da tecnologia ocidental (com veto americano, ele trazia apenas equipamentos desenvolvidos aqui e na Europa), o Osório competiu para se tornar o veículo de combate do Exército Saudita.  Derrotou na ocasião o Challenger Britânico, o Aríete, Italiano e o Abrahams americano.  A Engesa perdeu a venda, contudo “no tapetão” para os americanos.  Sem fonte de retorno do projeto e com custos da ordem das dezenas de milhões de dólares, a empresa quebrou.

O Osório em foto de divulgação da Engesa, já pronto para os testes do Exército Saudita.

O Osório vinha equipado com canhão de 120mm alma lisa, capaz de operar sob quaisquer condições climáticas e de proteger seus ocupantes em caso de ataques nucleares, químicos ou biológicos.  Trazia torre estabilizada e tinha um índice de sucesso de incríveis 95% de acerto no primeiro tiro.  Tinha um motor de 1050 Cv a Diesel, o que lhe permitia atingir velocidades de 70km/h mesmo pesando algo em torno de 45 toneladas.  Na competição saudita, ele era o mais leve, mas mesmo assim rebocou o Abrahams que quebrou no deserto.

E é aí que você nota:  Tendo uma jóia como essa nas mãos, o Exército não se interessou pelo carro, os árabes só não o compraram por pressão política, e nenhum outro país o quis, uma vez que, se a arma é tão boa, porque o Exército daquele país não a usa?  Os protótipos do Osório estão, até hoje em poder do Exército Brasileiro e são operacionais, constituindo ainda os mais modernos MBTs do Inventário do Exército.  Fomos capazes de produzir um carro zero muito melhor, mas optamos por comprar carro usado de tecnologia pouco defasada.  Nossos políticos são jênios mesmo.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Causos, Posts técnicos e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para O Dia em que trolei o Exército

  1. Rodrigo disse:

    O pensamento do governo brasileiro é que o Brasil é um pais Pacifico e nunca entrará em guerra mais o Brasil é o pias com mais agua Potável do mundo e com mais Floresta a Amazônia se o Brasil nao se cuidar tudo vai ser tomado pelos Paises com mais armamentos precisamos de Porta-Aviões como o Queen Precisamos de aviões como F-22 Raptor Rockwell B-1 e tbm de tanks como T-95 Black Eagle e leopard acorda BRASILLLLLLLLLLLLLLLLL.

    • O problema é que a frase “se queres a paz, prepara-te para a guerra” é vista de forma negativa na nossa cultura.

      Outro problema é que os políticos hoje, tanto governistas como oposição tem muito medo dos militares. Acham que reequipando as Forças Armadas estariam criando uma nova força que lhes daria um golpe. Isso é de uma burrice sem tamanho.

      No mais, o pensamento da população ajuda muito pouco. Certamente você já deve ter ouvido a frase “Comprar caças com tanta gente passando fome?”

  2. Pingback: Senta a Pua | Blog do Fernando

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