Chuva em São Paulo

“Tem que olhar a represa amigo!” era a frase preferida do meu professor na escola de climatologia paulistana Galvão Bueno.  Ficava pensando nessa frase várias vezes deitado no gramado sob a tenda da Calvin Klein no Jockey clube de São Paulo.  “Mas pra que lado fica a represa?”

Uma baita chuva estava sendo armada para um lado da cidade.  Ficava na direção da rota de aproximação para Congonhas, de forma que os aviões furavam as nuvens para completar seu pouso.  Caíam raios para todos os lados onde as nuvens estavam, de forma que os passageiros nos aviões deviam estar desesperados de ver raios passando por perto.

O que eu e os demais 30.000 que estavam no Lollapalooza no domingo perguntávamos era se essa chuva chegaria até lá.  Meu curso de climatologia ensinava que a chuva em São Paulo podia girar, girar, e não cair no lugar.  Tudo dependia de onde a chuva vinha.  Se viesse da represa, era batata, um dilúvio cairia.  “Mas pra que lado fica a droga da represa?”  “E péra aí, tudo o que sei sobre o clima de São Paulo se aplica a apenas um lugar:  O autódromo de Interlagos.  Portanto, acho que no Jóckey, a chuva não vem da represa, amigo.  Seja lá onde ela estiver.

E a chuva lá.  Armando para descer em algum lugar.  Ao lado do Jóckey tem uma marginal de alguma coisa.  Tem umas marginais dessas que sempre alagam.  Vai que a água entra lá.  Seria algo surreal um festival de rock invadido por uma enchente.  Mas não se iluda, isso pode acontecer em São Paulo.

Fecharam o aeroporto.  O vento embaixo soprava contra a chuva, já em cima, soprava exatamente ao contrário, trazendo a chuva para meu lado.  A tensão subia e a tenda começava a encher.  Estava em um intervalo de shows nos palcos principais.  O ucraniano maluco e sua banda mais maluca ainda haviam terminado o show e o próximo, que parecia ser o preferido das centenas de lésbicas que estavam lá, faltava muito ainda para começar.

Raios para todo lado.  O jóckey é um grande campo aberto, se os raios resolvem atingir a área, há um pouco de risco.  Contudo, ele contava com para-raios, e as próprias estruturas metálicas ofereceriam alguma proteção.  De forma que eu estava admirando o espetáculo dos raios sem qualquer preocupação.  Claro que eu devia ser o único.

E a chuva? Vem ou não vem?  Se aproximando mais e mais, a tenda enchendo, o conforto acabou, fiquei de pé.  “Será que essa tá vindo da represa?”  As nuvens ficaram sobre o Jóckey.  Um respiro e… lá vem ela.

Eu nunca acreditei muito nesse negócio de chover em um lugar e não chover em outro.  Achava inverossímil quando o Galvão falava que chovia na curva do Café e não chovia no S do Senna.  Mas pude ver isso perfeitamente quando no jóckey:  Chovia muito na reta de chegada, mas nem uma gota caía na reta oposta.  Assim, enquanto eu via pessoas se molhando copiosamente, em outro lado não via quase ninguém preocupado com isso.

Uma outra particularidade dessa chuva é que ela vinha e voltava.  O núcleo da chuva passou por mim e depois voltou umas três vezes.  O vendo mudava de direção a todo instante, fazendo a chuva mudar sua direção e ficar indo e voltando.  Nunca tinha visto esse fenômeno.

O show da banda preferida das lésbicas começou, e de onde estava, fiquei coberto e podendo ver o show (embora distante do palco).  Essa banda teve direito a algo raríssimo:  O cara dos efeitos especiais não foi ninguém menos do que Deus.  Enquanto o show rolava, raios passavam por cima do palco, ora rosa, ora azul.  Coincidiu com o anoitecer.  Por conta dos efeitos naturais, visualmente o show deles foi demais.

Após alguns minutos a chuva passou.  Muita gente gastou cinco reais comprando capas de chuva que ficaram sem utilidade pouco tempo depois.  Desceu uma boa água, em parte do jóckey e tudo voltou ao normal.  Ela foi e voltou, foi de novo e não voltou mais.  Não sei para onde ela foi, mas acho que ela veio da represa.  Seja lá onde for que a represa fique.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Diários de Viagem e marcado , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Chuva em São Paulo

  1. fsdfsdf disse:

    na moral, seu blog nao tem movimento nem nada pq ce fala muito. olhe os blogs que sao visitados, as noticias nao passam de 3 paragrafos. aprenda a redigir melhor

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