As aventuras de um capiau petropolitano em um Hotel mineiro

Quem me conhece sabe que sou de hábitos espartanos.  Não ligo muito para conforto, me satisfaço com pouco, a estética para mim também é superficial, prefiro considerar a funcionalidade em primeiro lugar.  Dessa forma, minhas aventuras em termos de hospedagem acabam sendo em acampar, improvisar lugar para dormir ou ficar em locais de pouco conforto, sem jamais reclamar (havendo onde passar a noite e comer, está ótimo).

De fato eu não entendo algumas coisas:  Vejo dicas de hotel no Foursquare ou em sites como o malapronta.com e as pessoas metem o pau nos hoteis porque as cores das toalhas são diferentes das dos lençóis, ou menosprezando o lugar dizendo que “É bom pra dormir e só”.  Uai, mas que diabo você quer mais de um hotel senão um lugar para descansar e dormir?

Se você viaja a passeio, não acho que irá querer passar sua viagem toda no hotel (terá gasto seu dinheiro a toa com passagens).  Se você viaja a trabalho, você não pode ficar o tempo todo lá.  Assim, tudo o que um hotel tem que lhe fornecer são boas acomodações para você dormir, tomar banho e um café da manhã.  O resto é perfumaria, pra não dizer frescura.

E o cidadão aqui, por conta de seus hábitos espartanos (e falta de grana) nunca havia ficado em hotel, até esta semana, quando viajei a trabalho para Betim-MG.  Foi minha estréia em hotéis.  Fiquei no Ibis de Betim (O Ibis é uma espécie de McDonald´s dos hotéis, tem em tudo quanto é lugar) e, vendo as dicas de foursquare de que é bom só pra dormir, e eu me sentindo muito bem tratado, para meus padrões.  Mas é claro, que primeiras vezes sempre rendem belas aventuras:

O primeiro desafio foi abrir a porta.  Gastei um dia para aprender como a droga da fechadura com cartão funciona.  Eu colocava o cartão na leitora e esperava que a porta fosse destravada.  Isso não acontecia, no lugar acendia uma luz vermelha e só.  Apanhei bastante até aprender que tinha que se retirar o cartão da leitora após dois segundos.  Assim acendia a luz verde a porta destravava.  Só fiquei bom mesmo nisso na hora de ir embora do hotel.

Depois reconhecer o quarto.  O que temos aqui, quais são os recursos.  Como havia chegado depois de um dia pesado de trabalho, a maior preocupação era mesmo tomar banho.  Descobri então que preciso tomar cuidado.  Em vinte minutos no quarto eu já havia feito uma bela de uma zona.  Organizei um pouco e fui tomar banho.  Daí, vamos ao desafio 2:  A torneira do chuveiro.

Tive até que tirar uma foto da bendita.  Entrei no chuveiro e a água estava fria.  No calor que estava, nem era problema, mas uma água morninha sempre vai bem.  Minha experiência com chuveiros elétricos mandava que fechasse a válvula para a água aquecer (embora não tivesse ligação elétrica no chuveiro, também não havia duas torneiras para se fazer a regulagem).  Pronto, a água passou de gelada para o ponto “depenar frangos”.

Fiquei sem entender nada.  Mas aí botei a cabeça no lugar, voltei para a água gelada e pensei “Fernando, você é engenheiro.  Seu trabalho é descobrir como as coisas funcionam e como resolver os problemas”.  Um estudo complexo da torneira mostrou como ela funcionava:

Ao girá-la você tinha o controle da temperatura da água, através da mistura quente/fria, onde ela toda para a esquerda a deixava em modo fervura e para a direita em água fria.  A alavanca dela também se movia para cima e para baixo, e isso controlava a vazão total de água.  Simples, engenhoso e me fez perder alguns minutos.

A temperatura naquela região estava em torno de 30°C, mas a umidade estava muito baixa.  De forma que me senti desidratado o dia inteiro e ainda no hotel estava com muita sede.  Não havia nada no frigobar (tinha que descer ao bar para pegar as coisas) e eu, sabendo do preço a pagar, preferi evitar.  Não havia bebedouros pelo hotel inteiro (até o alojamento da UFRJ tem, #ChupaIbis) então parti para uma nova apelação:  Água da torneira (algum mineiro que eventualmente ler isso sabe me dizer como é a água da Cedae de Betim?).  A torneira do banheiro tem o mesmo esquema do chuveiro, e por pouco não bebi água fervendo.

Depois de todos esses incidentes, ainda me faltava um:  O calor.  Um tempo depois de eu ter deitado, o quarto já estava quente.  Pensei em abrir a janela, mas a mesma parece não ter sido feita para isso.  “Um quarto aqui não pode não ter ar condicionado nem ventilador.  Alguma coisa tem que ter.  Achei uma caixinha ao lado da cama.  Foi apertar o botão de ligar e pronto.  Ar geladinho soprando no quarto.

O último desafio de reconhecimento eram as tomadas:  Todas 220V.  E eu olhando meus equipamentos eletrônicos para saber se eram bivolt.  Parti para uma economia de bateria no celular, que depois provou-se desnecessária, já que o carregador e a fonte do laptop eram bivolt.  Mas que dava medo de ligar, isso dava.

Assim aprendi bastante sobre ficar em hotel.  Para uma primeira vez, óbvio que paguei de bicho do mato, mas agora já estarei mais esperto para os próximos.  No entanto, a primeira vez a gente nunca esquece.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Causos, Diários de Viagem e marcado , , . Guardar link permanente.

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