O rato de Tubatão

O ano era 2006.  Estávamos no retiro de carnaval Tubatão IV, também conhecido como Máquina Mortífera IV.  A despedida da melhor equipe de encontro jamais montada, o Dream Team da Diocese de Petrópolis.

Na noite de segunda feira, sou chamado as pressas para a casa que servia como alojamento feminino.  Elas haviam avistado um rato por lá.  Não era novidade vermos um rato por lá, na verdade, ao começo do encontro tivemos que expulsá-los da casa.  Um dos quartos foi apelidade de “quarto do rato”

O rato foi avistado e, dada a histeria das garotas que o viram, se evadiu rapidamente.  Convocados a luta, o Apoio respondeu prontamente.   Como missão dada é missão cumprida, a casa e seu entorno foram vasculhados, o rato encontrado e executado ali mesmo.  Isso é o que vocês sabem.

Agora, vamos ao que realmente aconteceu:  O rato saiu da casa correndo e foi para uma área cercada por mato.  Era impossível encontrar um rato no meio do mato, a noite, com pouca iluminação.  Ao mesmo tempo, sabíamos que colocar trinta garotas para dormir num alojamento com suspeita de um rato a solta seria impossível.  Como fazer?

– Precisamos de um corpo – Disse para a equipe.  Elas só vão ter sossego se o rato estiver morto.

– Mas não dá para achar um rato agora.  Não achamos esse. – Me responderam.

– Não precisamos de um rato de verdade. – Respondi – Elas não vão querer ver mesmo.  Basta fabricar um rato falso.

Aí o Dudu, que sempre foi o melhor solucionador de problemas do mundo, que jamais falhou em dar solução para todos os desafios que enfrentamos, deu a idéia salvadora.  Vamos fazer um rato de Bombril.

Prontamente a equipe expropriou um rolo de Bombril da equipe da cozinha.  O Dudu fez o rato.  O bicho convencia.  Se amarrássemos um barbante nele e puxássemos, teríamos uma bela pegadinha com as meninas.  Mas nos atemos ao plano.

Já tínhamos o corpo, agora precisávamos encenar a cena da morte.  Cada um pegou uma arma, e, na hora em que tinha mais garotas no alojamento, fizemos a “execução” do rato na cozinha, do lado de fora do alojamento.

A encenação da morte do rato foi impagável:  De repente, do nada, eu mando um “Olha ele ali” e nós começamos a bater em tudo o que vimos na frente.  Eu com vassoura, o Vinícius com a mangueira da máquina de lavar, Dudu com o rodo…  O Zangief atirou um copo d’água contra o rato falso (!), e eu bati nos sacos de lixo, arrebentei os mesmos e tive que catar todo o lixo de novo depois.  Por fim, colocamos o rato de bombril no saco plástico, o Evandro desfilou com ele nas proximidades do alojamento e mais uma vez nosso plano deu certo.

As garotas tiveram uma tranquila noite de sono, e não houve mais chamados por conta de ratos.  O apoio conseguira de novo.  Mas a vida é uma caixinha de surpresas…

Noite de terça-feira.  Após a bem sucedida campanha da guerra, vitória total da equipe sobre os blocos, colhíamos os louros da vitória tomando nosso café de vencedores na cozinha e rindo das nossas aventuras.  O encontro caminhava para o fim.  Não sabíamos ainda, mas era o último café da noite da equipe de apoio enquanto tal.

Eis que nosso amigo resolve aparecer novamente.  O Zangief viu o rato, o resto sequer teve tempo de pensar em algo.  O Vinícius pegou a mangueira da máquina de lavar e num único e certeiro golpe abateu o rato.  Podíamos sair do sítio a vontade agora, nosso inimigo fora eliminado.

Com a eliminação do rato, o apoio manteve sua marca de nada ter enfrentado a equipe e vencido.  Foi a última campanha do Apoio, por isso o Máquina Mortífera IV.  Uma despedida digna.  Abaixo o registro fotográfico.  Como de costume no Blog, clique para ver maior:

O rato de Bombril recém fabricado. No meu ombro direito.

Nós e as armas para matar o rato: Eu com uma vassoura, o João e... sei lá. Dudu com o rato de Bombril, Evandro com o "caixão" do rato e o Zangief com a mais letal arma para matar ratos já inventada: Um copo d´água. (!)

O verdadeiro rato, morto no dia seguinte.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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Uma resposta para O rato de Tubatão

  1. Elaine disse:

    Fernando, esta foi o post mais simplesmente, mais horrivelmente, mais assustadoramente super bem planejado.

    Adorei, foi ao mesmo tempo nostálgico e saudoso!

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