A decadência de Petrópolis

Vendo a versão online da “Tribuna de Petrópolis” duas coisas me mostraram a que ponto vai a cidade de Petrópolis.  E vai mal.

Uma das lojas mais tradicionais de Petrópolis, a cutelaria Esmeralda, está fechando suas portas.  Essa loja é mais antiga do que eu.  Vai se juntar a outras lojas tradicionais que não existem mais na cidade:  Assim se foi a Casa Gallo, a Casa Itararé segue o mesmo rumo, e assim as tradições da cidade vão se acabando.

Em seu lugar será feita uma farmácia.  Era tudo o que Petrópolis mais precisava.  Afinal no centro de Petrópolis já tem tão poucas…  Um passeio pela Rua do Imperador mostra essa necessidade:  Olhando as lojas você passa por uma sapataria, outra sapataria, uma farmácia, uma sapataria, outra farmácia, uma loja de roupas contrabandeadas da China, uma farmácia, um supermercado sujo, outra farmácia.  Se continuar, teremos uma sapataria e mais uma farmácia.  Dá a impressão de que o petropolitano só faz duas coisas:  Anda e fica doente.

E agora, sai uma loja tradicional para entrar mais uma farmácia.  Caramba, isso deve dar muito dinheiro.  Mesmo com umas duzentas farmácias em uma rua de 1km de extensão ainda dá pra abrir mais uma!

O que era a Esmeralda? Era uma chapelaria, como muitas outras.  De fato é um negócio meio ultrapassado, mas eu vejo muitas no centro do Rio.  A Esmeralda em Petrópolis era famosa pelos seus guarda-chuvas, era meio que um guarda chuva de grife.  Mas não por ser só caro, a qualidade deles era acima da média.

Hoje prefere-se comprar guarda-chuvas chineses por cinco reais em qualquer camelô do que comprar um de qualidade.  Por que as pessoas recorrem a esses artigos xing-lings descartáveis ao invés de coisas de qualidade.  Em grande parte é por desinformação.  Outra é por falta de poder aquisitivo mesmo.

Isso me leva a próxima decepção com a “Tribuna”:  Fui olhar os classificados a procura de vagas de emprego para o meu primo.  De todas as (poucas) vagas anunciadas apenas quatro pediam profissionais de nível superior:  Um advogado e três professores:  Um de história, um de matemática e um de Ed Física.  Só percebi que enquanto procurava um novo emprego não perdi meu tempo e dinheiro caçando na Tribuna.

Petrópolis está em decadência econômica.  Se você quer um emprego melhor, saia da cidade.  Se você se qualificar e quiser aproveitar isso, saia da cidade.  Petrópolis já não é mais uma cidade industrial.  Não fosse pelos esforços da GE, esta cidade seria uma nulidade na indústria metal-mecânica.  Mesmo a vocação têxtil da cidade vem se perdendo.  São poucas as fábricas hoje.  As confecções preferem comprar tecidos de outras regiões, ou pior, da China (se eu fosse a Dilma, proibia a importação de qualquer coisa que tivesse aquelas letrinhas da China).

Outra vocação Petropolitana:  O Turismo.  Que turismo de merda, que temos.  Petrópolis recebe dois tipos de turistas:  O primeiro é o que vem para compras.  Ele vem na feirinha de Itaipava, no Pólo do Bingen e na Rua Tereza.  O outro que é o turista puro, vem pra andar de charrete, conhecer o Museu, o Palácio de Cristal, a Catedral e pronto.  Em um dia você conhece todo o centro histórico.

Os pacotes vendidos para os turistas são “Rio de Janeiro + Petrópolis”.  Em uma semana, um dia se passa em Petrópolis.  Os demais você passa na capital.  Não os culpo.  Sempre se fala aqui que precisamos segurar o turista mais de um dia.  Mas como?  Turista não vem a uma cidade para ficar no hotel.  Em Petrópolis o turista não tem opções a noite.  Vai ficar aqui pra quê?

Petrópolis está indo para um destino que ninguém queria:  Cidade dormitório.  E infelizmente, não vejo nada que possa mudar isso nem a médio prazo.

Anúncios

Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Reflexões e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

7 respostas para A decadência de Petrópolis

  1. Luara Andrade disse:

    Muito bom o texto e crítica!

  2. Charles disse:

    Fui fazer turismo em Petrópolis no início do ano e tive um arrependimento profundo. Na rodoviária pegamos um péssimo ônibus e vimos favelas, ruas sujas e calçadas mal feitas. No centro vimos pivetes, lixo no rio, favelas e carros que nem respeitam a faixa sem semáforo(então coloca o semáforo, pois educação não tem). Na rua do nosso hotel(caríssimo)tinha sacolas enormes de lixo reviradas e lixo por toda a rua. A vista do hotel era pra 2 favelas. Achamos até um pacote de camisinha em frente a um dos palácios de Petrópolis e quando fomos bater fotos, tivemos de retirar o lixo de perto da ave pegando a cobra pra não atrapalhar a foto. No Domingo tudo fechado, poucas opções. Então de lá fomos até Teresópolis por dentro e ficamos chocados, um enxame de favelas que não conhecia apareceu. Péssimo passeio, péssima cidade.

  3. Lia disse:

    Sou carioca, mas vivi a maior parte da minha vida em Petrópolis. Moro em Curitiba há 23 anos e aqui, também, acontece o mesmo fenômeno de favelização, pixação, de usuários de drogas e de moradores de rua. Antigamente, na famosa Rua das Flores, só existiam lojas chiques, cinemas, confeitarias e restaurantes. Hoje (como em Petrópolis), tem uma FARMÁCIA ao lado da outra, dezenas de sapatarias, lojas de 1,99 e galerias populares com roupas e tralhas, made in China. Esse fenômeno que está acontecendo em Petrópolis e em Curitiba, está acontecendo no Brasil inteiro. O país está se transformando em uma favelão!!!
    Ainda bem, que em Curitiba, existem dezenas de belos Shoppings Centers (ao contrário de Petrópolis). E é nos Shoppings que me abrigo, para ficar longe da pobreza e da feiura que empesteou Curitiba.

    • A questão não é a pobreza. Pobre tem em todo lugar e se você permite a decadência econômica de uma cidade, isso só se agrava. Petrópolis caminha para se transformar em cidade dormitório, por ser próxima do Rio, é lá que as pessoas acabam por ir trabalhar.
      Não sou favorável a segregações sociais. Se você criar um shopping para se isolar da pobreza, como você diz que tem em Curitiba, logo haverá “rolezinhos”. Pobre quer, e deve ter, os mesmos direitos dos ricos. A questão é educação e investimentos em coisas que realmente gerem empregos para a cidade como indústrias, empresas de tecnologia, etc. E não essas bugigangas chinesas que me recuso a comprar.

  4. Lia disse:

    Quando eu me refiro aos favelados, eu estou me referindo aos vândalos, pixadores, drogados e assaltantes (não aos pobres). E se o problema fosse emprego e indústrias, Curitiba não estaria sendo vítima dessa escória, pois o que não falta aqui é emprego e indústria. Curitiba é uma cidade industrial e universitária, com ensino gratuíto até o terceiro gráu, logo, não trabalha e não estuda quem não quer. Mas a gentalha, prefere se drogar e sair vandalizando e depredando tudo. E nós, ficamos acuados e sem ter para onde correr. Petrópolis está ruim? Venha para Curitiba e aprecie os prédios todos pixados até o 20o. andar, as lixeiras arrancadas, os vidros das estações tubos riscados e quebrados, e as brigas de gangues e de torcidas de futebol. Repito, não é o pobre, o problema do Brasil, mas a ignorância, a falta de educação da família e de valores morais. Além de uma legislação frouxa que não pune o infrator “de menor”.

  5. Marco Antônio dos Santos disse:

    Fernando, você falou um monte de verdades. Não só Petrópolis mas também outras cidades, estão se tornando cidades dormitórios por ambição de políticos que não abaixam os impostos e com isto os empresários estão fugindo destas cidades.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s