Nine Eleven

Você se lembra do que estava fazendo na manhã de 11 de setembro de 2001 quando alguém te avisou, ou você ligou a Televisão para ver a Xuxa (era a Xuxa que passava nas manhãs da Globo em 2001?) e deu de cara com um dos prédios das torres gêmeas pegando fogo.  E alguém falando que havia ocorrido um acidente aéreo ali.  Bem, se você tem mais de vinte anos, certamente se lembra.

Era uma terça feira de sol, o tempo estava bom tanto para os petropolitanos quanto para os novaiorquinos, o dia despontava como apenas mais uma terça feira.  De relevante, eu iria fazer minha inscrição para a prova do ITA.

No meu caso, eu trabalhava no turno da tarde, pegava as 14 horas (horário horrível) e estava fazendo cursinho pela manhã.  Estávamos em uma aula de história e o professor passara um vídeo, sobre algo que eu não me lembro.  Findo o vídeo, quando ele desligou o vídeo cassete, a TV estava na Globo, e lá estava uma torre pegando fogo.  O professor parou tudo para ver o que estava ocorrendo.  Segundo ele, estaríamos presenciando um fato histórico.

As notícias diziam que um avião tinha se chocado contra a torre Norte, dava-se como um acidente.  Primeiro falava-se de um avião de pequeno porte, um monomotor safado que decolara de La Guardia.  Mas tanto eu quanto o professor concordamos que aquilo não era acidente.  Quando falaram que era um Boeing, mais ainda.

Se você está em uma aeronave caindo você não aponta ela para o prédio mais alto que vê e deixa bater.  Você tenta um pouso forçado.  E Nova Iorque possui um monte de aeroportos.  Tem o Kennedy internacional, tem o La Guardia, tem um outro também.  Boston é opção, a um pulo dali (de avião).  Isso fora todo o oceano atlântico.  Forçar um pouso em algum lugar ali não era algo complexo (o próprio rio Hudson, como demonstrado anos depois).  Jogar um avião contra um prédio tem que ser de propósito.

A argumentação estava nesse ponto quando simplesmente outro avião se choca contra a Torre Sul diante dos nossos olhos.  Por alguns instantes pensamos ser replay, uma imagem do avião batendo que teria surgido depois.  Mas era claro a torre norte já em chamas, e a torre norte tinha uma antena.  O avião bateu na outra.

Imediatamente a CNN coloca na tela “America Under Attack” Era isso mesmo.  O país mais poderoso do mundo estava sendo atacado, sabe-se lá por quem e de uma forma que eles não tinham como se defender.  Eles tinham um tráfego de mais de 4000 voos, quantos estariam seqüestrados?  E vai fazer o quê?  Mandar os F-15 abaterem todo mundo?  E os inocentes?

No correio pra fazer a inscrição lá está a TV ligada e mostrando aquilo.  Muita gente na fila perguntava-se o que estava acontecendo.  Era realmente difícil de entender.  E mais um avião se choca no pentágono.  Que coisa doida.

Quando eu cheguei no trabalho, só dava esse assunto, e me disseram que Bush tinha declarado guerra.  “A quem?” perguntei.  Quem foi que armou isso?  Ninguém sabe ainda.  E ficamos sem saber por alguns dias.

Eu lembro que passei a comprar jornal por um tempo nos dias seguintes.  Vinha caderno especial narrando os fatos.  Os tenho até hoje.  Eu sempre gostei de acompanhar esses acontecimentos.  É longe, mas está no mesmo planeta que eu.  Quem não dá a mínima para isso é alienado.  Lembro do presidente FHC convocando o conselho de defesa nacional (isso nunca fora feito desde sua criação na Constituição de 88).  Alardeava-se a terceira guerra mundial.  Imagine uma aliança árabe antiamericana por trás desses ataques.  Irã, Iraque, Arábia Saudita, mais um monte de países muitos com armas nucleares.  A coisa ia ficar preta.

Bem, não teve terceira guerra mundial, no final foi o Osama e ele conseguiu se esconder por quase 10 anos.  Por conta desse ataque Bush terminou de acabar com o país, e as coisas não ficaram boas.  Hoje eles tem dois atoleiros por conta das guerras, mas não culpo o país por querer vingança.  Eles merecem.

Eu gosto dos simbolismos americanos.  A mesma bandeira hasteada no local da tragédia foi hasteada no aniversário de 10 anos.  Essa mesma bandeira foi ao espaço uma vez.  A fragata USS New York tem a proa feita de aço vindo dos escombros do WTC.  Isso mantém a história deles viva.  Bem diferente de nós.

Agora, 10 anos depois, certo estava o professor Orlando (o professor de história do vídeo).  Segundo ele, a queda das torres seria o símbolo que se precisa para simbolizar o fim de uma era.  Assim como a queda de Roma representa o fim de uma era de racionalidade para a entrada na idade das trevas, a queda da Bastilha o fim da idade média, a queda do muro de Berlin o fim do comunismo e agora, a queda das torres o fim da hegemonia americana.  Parece verdade.

Os EUA não são mais a grande potência esportiva.  Perderam no quadro de medalhas para a China em 2008.  Perderão em Londres novamente.  Há muito o campeão dos 100 metros rasos não é americano. Nem nos 200, ou no 4X100.  Mesmo no basquete, eles perderam olimpíadas para a Argentina.  Politicamente eles já não tem o mesmo peso de antes.  O que eles querem não é mais o que o mundo faz.  As ameaças deles são inócuas hoje.  Embora ainda detenham o maior poder militar, a forma em que as guerras são travadas hoje não lhes dão vitórias claras.

O que virá agora?  Será que viveremos sob hegemonia chinesa e vamos todos aprender a falar mandarim e idolatrarmos os produtos xinglings? Ou haverá um mundo multipolar, com várias nações hegemônicas, cada uma em uma parte do mundo?  Só o futuro dirá.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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