Exemplos

24 de Julho de 2011:  Estou eu trabalhando na barraquinha de churrasco da festa de São Cristóvão.  Minha cabeça dói pra caramba, mal consigo fazer alguma coisa.  A vontade é largar tudo lá e ir pra casa.  Um amigo que está trabalhando na barraca diz que eu posso fazer isso (no dia anterior eu ficara na barraca sem ele, que tinha maiores problemas a resolver).

Este amigo no dia anterior tinha uma dor de cabeça bem maior que a minha.  Passara a noite em claro no hospital como acompanhante.  No outro dia (este em que eu estava com dor), lá estava ele ainda com a dor de cabeça do dia anterior e não tendo dormido a noite toda.  Como eu poderia reclamar da minha?

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Conheci uma mulher no Rio de Janeiro dona de uma história fenomenal:  Ela casou-se cedo, acompanhou o marido pelo país (sua profissão exigia mudanças constantes).  Ainda assim ela se formou engenheira e, no sul do país chegou ao grau de mestre.  Teve uma filha também.

Por motivos alheios ao post (e que eu desconheço), o casamento teve um fim.  Sem saber o que fazer direito e o que lhe restava, ela veio com a filha (criança) do Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, dirigindo.  Chegou com uma mão na frente e outra atrás.

Estávamos então na década perdida.  Hoje, engenheiros não ficam sem emprego, mas não era assim naquela época (década de 90).  Sem emprego, com uma filha pequena, acabou encontrando ajuda de boas pessoas e entrou como doutoranda na COPPE-UFRJ.

Deve ter passado um belo sufoco vivendo com bolsa de doutorado.  Mas o fato é que conseguiu, graduou-se doutora, hoje tem um bom emprego e belas pesquisas.  A filha cresceu saudável, é uma adolescente inteligente e respeitável (qualidades raras em adolescentes hoje em dia, o que mostra o quão bem criada ela foi).

Ela hoje está novamente casada, com um dos caras mais legais que já conheci, um homem respeitável e eles formam uma das famílias mais legais que já vi.  E são felizes por lá.

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Quando eu conheci essa outra mulher, que me inspirou a escrever este post, pois ela fez aniversário recentemente, ela já estava no segundo casamento.  Do primeiro, três filhos, um homem e duas mulheres.  O primeiro casamento terminou, segundo soube depois, por conta de uma traição do marido.  Os filhos cresceram sem pai.  Mas foram exemplarmente criados e educados pela mãe

O segundo não rendera filhos.  Mas deste segundo casamento, conseguiu comprar uma casa, sonho de uma vida.  Mas a casa tinha um problema sério com infiltrações de água que não sabíamos mais de onde vinha.

O casamento e a casa se foram (de fato, não sei mais como está a casa).  Ela teve outros relacionamentos depois, a vida continua.  Economicamente ela perdera o emprego.  Tentou montar seu próprio negócio, mas foi vítima de trapaça do sócio.  Ela ficou com o prejuízo e sem emprego.  Nesse meio tempo teve que lidar com a doença e depois perda da mãe (foi o funeral mais emocionante que já presenciei.  Nunca vou esquecer o que vi lá).

Os dois filhos mais velhos já estavam casados.  A filha mais nova (e mais bonita e inteligente dos três) estava na faculdade.  Estudando na UFRJ, tudo que tinha era uma bolsa auxílio.  Essa bolsa sustentou as duas por alguns meses.  Jamais a mãe cogitou interromper o sonho da filha (a faculdade) por uma condição econômica melhor.  Passaram por péssimos bocados dos quais fui testemunha.

Ela então conseguiu um novo emprego.  Não sei quanto ganha, qual a situação econômica e isso realmente não importa.  A filha se formou agora em 2011.  Ela já tem duas netas, uma de cada filho casado (de fato aquela família só produz mulher – e bonitas).  Também vive bem e feliz hoje em dia.

O que me chama atenção nesses três casos?  Não mencionei, me ative a contar a história de cada um, mas todos, mesmo durante os tempos de dificuldades que narrei jamais perderam a alegria de viver.  Estavam sempre sorrindo e tentando ver o lado bom da vida.  Sempre, por mais que a vida lhes pregasse peças, buscavam sempre dar a volta por cima.

Sobretudo no caso da terceira pessoa, onde vi boa parte da história, quando parecia que tudo ia melhorar, as coisas pioravam de novo, mas nunca se perdeu a esperança.  Se tornarem a piorar, duvido que perderão a esperança.

Vendo esses casos e olhando pra mim, em termos de dificuldade, minha vida não é nada.  Tenho as minhas, que nem chegam perto dessas pessoas.  Assim, quando reflito sobre as coisas ruins que me acontecem, paro e olho para essas pessoas.  Coisas muito piores aconteceram a elas.  Elas sobreviveram e deram a volta por cima.  Se recusaram a passar a vida reclamando e chorando.  Por que então eu vou fazer isso?

Por isso o título do post.  Essas pessoas são exemplos para mim.  Quando algo de ruim me acontece, posso na hora achar a pior coisa do mundo, mas, ao olhar para elas, vejo que o que tenho que fazer é continuar em frente.  Se não há bem que nunca acabe, também não há mal que sempre dure.

A estas pessoas que se lerem essas linhas se identificarão e saberão que estou falando delas, meu muito obrigado pelo simples fato de existirem.  É em grande parte de vocês que tiro minhas forças para seguir em frente, mesmo quando tudo pode parecer perdido.

Em tempo:  venci a dor e fiquei até o final para levar todo o peso da barraca para o local onde fica guardado.  Graças ao exemplo.

Em tempo 2 (a missão): Há várias outras histórias de amigos que me são exemplo.  Citei essas, mas quem sabe mais pra frente eu coloque outras.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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