Vasco da Gama

Quando ao final do ano passado o Fluminense se sagrou campeão brasileiro, me derreti em elogios ao Tricolor das Laranjeiras aqui no Blog.  Não retiro uma vírgula do que disse, e o que disse está aqui, mas eu não torço para o Fluminense, sou é Vascaíno.

 De fato eu não sei bem porque torço para o Vasco.  Time em geral, escolhemos por influência de familiares próximos.  Meu pai era Tricolor, assim como o pai dele (quem lê o Blog já sabia disso), minha mãe dizia torcer pelo Flamengo apenas para irritar meu pai, que detestava o rubro-negro.  Minha irmã torce para o Flamengo por culpa da minha mãe.  O pai da minha mãe e único avô que conheci era botafoguense e, apesar dos esforços dele, eu não virei botafoguense.  Um tio meu, que era meu herói, embora estivesse bem longe disso é que era vascaíno.  Bem, a partir daí passei a torcer pelo Vasco.

Ser vascaíno nesses últimos anos tem sido difícil.  Não a toa vemos tão poucas pessoas circulando com camisas ou itens que os identifique como Vascaínos.  Isso porque o time vinha sendo motivo de vergonha.  Onze anos sem vencer um título nacional, oito sem vencer nada (todo vascaíno decente não conta o brasileiro da série B) e ser chacota de todos os outros torcedores.  Ano após ano o Vasco era sempre, dos clubes cariocas o mais fraco em termos de elenco, o mais endividado, salários atrasados, não revelava jogadores…  Enfim todo o mal para o Clube.

Os anos Eurico foram cruéis para o Vasco.  Embora o charuteiro tenha surfado em uma onda de diversos títulos no futebol e em outros esportes (a ponto que, em 1999 eu ter visto uma reportagem no Globo Esporte que dizia que em uma semana o Vasco ganhou um título por dia), a sua gestão quase matou o clube.  Quando ele saiu, o rombo estava feito, o Estádio estava penhorado, as receitas já gastas, um rombo nas contas, patrocinadores fugindo, ninguém queria ser parceiro do Vasco.  Daí tivemos os times fracos, o rebaixamento, o time montado era de série B e o uniforme também (aquela camisa horrível da Champs).

Mas é como a torcida canta:  O Vasco é o time da virada.  De fato, pela história do clube, ele não poderia definhar como tantos outros do Rio fizeram (Bangu e América os principais exemplos).  O Vasco é o time da Zona Norte, é o time do povão, basta ver onde ficam as sedes dos clubes cariocas.  É o time da colina de S. Januário, que venceu inúmeros preconceitos, o time que aceitou negros em primeiro lugar e não os “branqueava”.  O time que vinha dos pobres e tinha orgulho disso.

Um time que no começo do século fora proibido de disputar o campeonato sob alegação de não ter estádio, o que, na verdade era apenas algo como organizar um campeonato VIP onde os pobres não entrariam (essa coisa de área VIP é enraizada no Brasil desde o descobrimento), e muito menos os negros do Vasco.  E aí o Vasco fez uma campanha e o povo doou o dinheiro para levantar o estádio que se tornou o maior do Rio até a abertura do Maracanã.  O nome dos doadores está gravado em tijolos no setor social do estádio.  São Josés, Marias, Pedros, Manoeis, Joaquins, pessoas simples.

O estádio de São Januário, ou Caldeirão, participa da própria história do Brasil, sediando grandes comícios políticos.  Foi da Tribuna de Honra deste estádio que Getúlio Vargas promulgou a CLT, leis que até hoje regem nossos direitos como empregados.  Para o futuro, o estádio está incluso nas olimpíadas de 2016 como sede do Rugby, o terceiro esporte mais popular do mundo.  Vamos ver o All Blacks dançarem a Haka por lá.

O Vascaíno é simpático, não gosta de brigas, é seu Manoel da padaria com o lápis atrás da orelha, é o povo que pega o trem lotado para a Central, que sobe o morro em São Cristóvão para ver seu time jogar, que tem uma comunidade como vizinho de seu estádio, que é feito de gente simples.  Essa é a torcida.  O clube se tornou um gigante.  O gigante da Colina.

Campeão de Terra e Mar, o Expresso da Vitória, depois o Expressinho, o timaço hegemônico no Brasil entre 1997 e 2000 e agora com o Trem Bala da Colina.  Esse é o Vasco.  Finalmente voltando aos seus dias de gigante.  Um clube que jamais deixou de ser gigante, mas não aparecia como tal.

Recuperado da queda, depois de beijar a lona da série B, o Clube já se consolidara como grande novamente.  Seu retorno a elite do futebol foi relativamente tranquilo, e na sua volta, já era de novo clube perigoso nos campeonatos.  Mas algo faltava.  Faltava um título.

O começo de ano para o Vasco fora cavernoso.  quatro jogos e quatro derrotas nas primeiras rodadas do Carioca, todas para clubes pequenos, exceto uma para o Flamengo.  O time que despontava como saco de pancadas mais uma vez mostrou que era o time da virada e virou.

Voltou sapecando goleada em cima de goleada, daí surgiu o “trem bala” e fez uma honrosa campanha no estadual.  Não veio o título por conta dos pênaltis.  Culpa dos batedores vascaínos, pior, perdendo para o Flamengo.  Parecia que havia algo errado.

O clube grande, disputando campeonatos até o fim não conseguia títulos.  Será que havia algo sobrenatural pairando sobre o Vasco?  O passado parecia assombrar o clube todos os dias, pois as conquistas não vinham, por mais que se fizesse tudo certo.   Até que a Copa do Brasil veio se afunilando e o Vasco sobrevivendo e, porque não, dava para vencer.  E assim foi.

Com adversários que apenas engrandeceram a conquista.  O Avaí, duríssimo no jogo em São Januário, acabou testemunhando a melhor atuação do time cruzmaltino na Ressacada e o Coritiba que engrandeceu demais a conquista.  Se o Vasco tivesse sido vice para o Coxa, não teria sido injusto, apesar de toda a zuação que viria a seguir.

Foi suado, sofrido, chorado, muitos vascaínos devem ter perdido alguns anos de vida forçando seu coração naquele jogo, mas finalmente.  O Vasco é campeão.  Foi como se toda a energia negativa acumulada no clube saísse de uma só vez, naquele título.  O Vasco precisava, mais do que qualquer clube no mundo, de um título.  E ele veio.

Agora o Vasco volta definitivamente ao Rol dos gigantes do Futebol Brasileiro. Tem o seu respeito de volta, a torcida tem seu orgulho de volta, o time já não é motivo de chacota e, os adversários sabem que, o Vasco novamente entra em campeonatos para ganhar.  Mesmo que não ganhe, a meta sempre será essa.  Por mais que falem, o Vasco é um gigante, e voltou ao seu lugar de direito.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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