Estrada

Já tive a oportunidade de experimentar viajar de várias formas até hoje.  Embora meus destinos sempre tenham sido bem próximos, já pude viajar de ônibus, de carro, de avião…  Estou a procura de uma viagem de navio para somar esta experiência, mas nada até o momento nos planos.

Eu acredito que a viagem começa quando você sai de casa.  Como diz o poeta, toda jornada começa no primeiro passo, as viagens também começam no momento em que você tira o pé de casa rumo ao seu destino.  E aqueles que simplesmente desejam chegar ao seu destino estão perdendo grande parte da viagem, e muito que poderiam aproveitar se perde.

Gosto de aproveitar cada minuto quando viajo, desde o momento de quando saio de casa.  De fato, exceto quando vou ao Rio de Janeiro, o que eu já não mais considero viagem, nunca durmo no trajeto.  E eu adoro viajar.  Me dê oportunidade e podem me encontrar na estrada

Definitivamente para mim a maneira mais divertida de se viajar é por via aérea.  Não tem sensação mais empolgante do que entrar em uma aeronave, a empolgação, a ponta de medo que se sente, a emoção do fechar a porta e, a melhor de todas, sentir a aceleração da aeronave rolando na pista e ganhar os céus, onde tudo se acalma e você só curte uma visão absolutamente fantástica.

No entanto, dizem que médicos são os piores pacientes, então, engenheiros que gostam de aviões são os piores passageiros.  Isso porque, estando em uma aeronave como passageiro, pode haver um caos instalado na cabine que você não saberá.  Mas sendo você uma pessoa que tem noções de como os aviões funcionam, sabem o que não é normal e conhece os procedimentos, algo sempre chama a atenção (me lembro de ver a aeronave taxiando e a nacele do motor sacudia tanto que imaginei que o mesmo ia cair).  Voar ao lado da asa e acompanhar sua vibração e seu movimento é fascinante e um tanto assustador quando se passa por turbulência.

Quando se vai de ônibus, embora você não tenha controle algum sobre ele também, ao menos as anormalidades são mais visíveis, se o motorista errar o caminho você tem como saber, você sabe onde está o tempo todo, enfim, você está mais “no chão” (literalmente falando).

Mas, para distâncias médias ou curtas não tem nada mais legal do que viajar de carro.  Normalmente é a maneira mais cara de se viajar (mesmo se comparada ao avião), mas a sensação de ter o controle, a responsabilidade e o prazer de dirigir são inigualáveis.

Estando em um ônibus, a maioria deles já lhe tirou o prazer do vento da estrada.  Eles hoje em sua maioria são equipados com ar condicionado e os vidros são “colados” o que, convenhamos aumentou bastante o conforto da viagem, pois se você não está na janela, está no corredor ou no “vidro” (poltronas na janela mas que estão entre as janelas que abrem), você depende dos outros para seu conforto o que quase nunca dá certo.

Quando você está no seu carro é tudo diferente.  Normalmente eu dispenso o ar condicionado na estrada.  Prefiro o vento.  Só o usarei se estiver muito calor mesmo, estiver chovendo ou os passageiros assim pedirem.  Minha preferência é sempre pelo vento.  O vento da estrada batendo em você, as velocidades mais elevadas e por longo tempo, pistas bem cuidadas, a responsabilidade de estar ali, tudo isso me faz muito bem.

Embora esteja lá para todos, a estrada não é para todos.  Ela costuma cobrar caro sobre aqueles que não estão prontos para ela.  E disso não estou falando de motoristas novatos que ainda precisam se habituar a ela, mas sim dos que não sabem onde estão.  Esses são basicamente dois tipos:

O primeiro e mais perigoso é o que acha que a estrada é uma pista de corrida.  Normalmente são pessoas frustradas com suas vidas profissionais e pessoais e que querem compensar esta frustração com um rótulo de “ás do volante”.  E aí vemos pessoas fazendo ultrapassagens perigosas, andando acima do limite de segurança da via, não respeitando os outros, etc.  São pessoas que são um perigo só por estar atrás de um volante.  Esse tipo de pessoa está, na estrada sempre arriscando sua vida e a dos demais.  Infelizmente o número delas cresce cada dia mais.

O segundo não é um perigo porque quer, ele é perigoso por sua falta de experiência.  Sobretudo em feriados e na temporada de férias surgem motoristas que estão habituados a cidade, ou só dirigem nas cidades, não tendo experiência com o tipo de condução exigida em estradas.  Daí eles acabam por não respeitar a distância mínima, não sabem trafegar nas condições de estrada.  Também não costumam conhecer a sinalização informal das estradas que é feita sobretudo pelos caminhoneiros.  Estes em normal são bem intencionados e acabam por aprender.

Eu não posso me considerar nenhum ás do volante ou experiente em estradas, mas adoro rodar por elas.  Não tem sensação melhor do que levar o carro por uma estrada.  Você escolhe a hora de partir, como partir e por onde ir.  Os caminhos estão a sua disposição, você pode decidir bem ou mal quanto a isso.  Uma curva na estrada só será bem feita se você a fizer bem feita, porque você está no comando.  E quanto a isso não tem comparação.

Você escolhe onde parar, você escolhe a velocidade que vai seguir o que vai conhecer e o que vai deixar pra trás.  Se você sabe curtir uma parte importante da viagem – o caminho, que a maioria das pessoas ignora – A viagem se torna extremamente prazeirosa.  Acompanhar a paisagem, os locais, as cidades, os carros, ônibus e caminhões que dividem a estrada com você, de onde eles vieram, o que estão levando.  Você não faz idéia do que os caminhões levam por essas estradas.

Além disso, você tem um carro sob seu comando, quase sempre tem vidas sob sua responsabilidade, fora a das pessoas nos outros veículos que também estão sob sua responsabilidade.  Talvez a sensação que eu queira descrever seja a de estar no comando de algo, tendo que ser um controle responsável, você não é um imperador na estrada e todos são seus súditos.  Infelizmente nem todos pensam assim.

É como eu dizia no início, a viagem começa quando saímos de casa, se você souber curtir o caminho, elas se tornam muito mais prazeirosas.  Quando você está no comando, aí o caminho pode acabar sendo a melhor parte da viagem.

Em tempo esse artigo aqui é escrito por dois motivos:  Um foi pela divertida viagem de carnaval a Cabo Frio em que cruzamos as estradas do estado do Rio de Janeiro a bordo do Red 5.  E a outra é que na quarta agora (23/03) estaria embarcando rumo a Sidney Austrália.  Em novembro tinha visto promoção com passagens a preço de banana para lá (aniversário da Qantas airlines).  Depois de feitas as contas eu decidi ir.  Daí quando fui comprar a passagem, a promoção havia acabado na véspera e o preço estava proibitivo.  A data do embarque que havia escolhido era justamente esta.

Ficaria uma semana por lá.  O vôo sairia do Rio indo para Buenos Aires pela GOL em um Boeing 737-800.  De Buenos Aires a Sidney o vôo seria realizado pela Qantas em um Boeing 747-400.  Infelizmente…  Ficou pra próxima.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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4 respostas para Estrada

  1. Amanda disse:

    “… andando acima do limite de segurança da via…” = Fernando a 160km/h… dia que eu OU teria um ataque do coração OU estaria morta… Ainda bem que tenho cordas vocais pra gritaaaaaaar. rsrsrsrs

    • Amanda disse:

      Faltou citar os marcha-lenta = EU, que só ando a 80km/h mesmo que não tenha um carro sequer na estrada e no máximo vou de 4a marcha… rsrsrs

    • eu disse limite de segurança da via, não o limite legal. As 3 horas da manhã naquela reta da W Luiz vazia, dava pra andar bem mais até. Inseguro era andar a 80 naquela situação. E lembre-se que existe vida além da quarta…

  2. Pingback: As 5 músicas para NÃO se ouvir no carro | Blog do Fernando

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