Assaltaram a Gramática

Eu não me considero um chato desses que corrige qualquer errinho de português que eu vejo, mesmo porque eu seria um hipócrita uma vez que eu também cometo vários.  Em conversas faladas eu nem me ligo muito nisso pois presto atenção no conteúdo (mas muitas vezes saem pérolas que não podem passar em branco).  Sou um pouco mais chato na escrita.  Mas sem ser aqueles malas.

Acho que as pessoas precisam aprender as formas de se escrever.  Uma coisa é você escrever em uma informal conversa de MSN onde muitas abreviações são permitidas pois não há propósito em se rebuscar a linguagem ali, o objetivo é ganhar tempo pois é o equivalente ao bate-papo verbal.

Já por exemplo ao escrever um post de Facebook, scrap de Orkut ou algo que o valha, já devemos tomar um pouco mais de cuidado.  Não é legal colocar um monte de siglas em uma mensagem que a pessoa tem tempo para ler.  Fica feio de se ver.  Alguma coisa, claro é possível.  No Twitter então, dado o limite de 140 caracteres…

Ao escrever em um Blog, aí sim devemos ser mais cuidadosos e evitar toda essa linguagem.  Aqui por exemplo é um texto informal, mas evito sempre coisas como vc, kd, coisas assim.  Aliás, acabamos por chegar no ponto que eu queria…

O que as pessoas tem contra a maneira correta de se escrever as coisas?  Escrever um vc, beleza, você economizou três toques no teclados, é válido para abreviar.  Mas, que lucro traz um absurdo como o “naum?” vejam, para escrever naum são quatro toques, para escrever certo, ou seja a palavra não, são os mesmos quatro.  Então por que essa bizarrice existe?  E pior, ela trás seus filhos: entaum, cnaum…

Também não sei o que as pessoas tem contra a sílaba CA.  Ela sempre é substituída pela letra K.  Tudo bem que dá pra entender perfeitamente, mas um toquezinho a mais não vai matar ninguém para escrever certo.  Mas não, é um festival de kchaça, kbelo, kchorro, kkreco, entre outras aberrações.  Sempre quando eu vejo isso, fico irritado.  Pior ainda quando é peça publicitária.  Lembro do guaraná kuat querendo ser “jovem” e lançou o  slogan “refresque sua kbça” Com o perdão da palavra, escroto demais.

Outras coisas incompreensíveis:  Nomes de sites.  Por que o Kibe Loco não poderia se chamar Kibe Louco? Qual o problema com o u? Ou o Baixaki se chamar baixaqui (sempre que vou a esse site digito baixaaqui, ainda bem que eles tem esse domínio também).  Um amigo meu entrou na febre de compras coletivas e lançou o “Oferta in foco”.  Meu Deus, qual o problema com o “em??” o que essas letrinhas fizeram de tão mal.

Alguns anos atrás os canais Telecine lançaram um horário de filmes chamado “Cyber Movie” onde os filmes vinham legendados em internetês.  Era absurdamente ridículo e, graças a Deus não foi para a frente.  Mas fico pensando onde isso vai dar?

A educação de base no Brasil já é uma droga, vejo alunos de oitava série lendo tão bem quanto eu lia na segunda série.  Se eles aprenderem a ler e a escrever pelo internetês, aí sim nossa língua estará perdida.  Como as crianças usam a internet cada vez mais cedo, esses vícios de escrita virão com eles.  E quando eles tiverem que esvrever um texto formal?  E pior, a mídia encampa essas coisas.  Em quantos lugares ou propagandas já não vemos essa linguagem colocada como normal?

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Só para confirmar isso, acabo de publicar o post, vou fechar a tela inicial do MSN e lá está:  “Veja o duelo entre um Aligator e um Urso pardo” Até onde sei Aligator veio de Alligator que quer dizer Jacaré. Nos EUA tem o Crocodilo, mas todos sabemos a diferença entre crocodilos e jacarés.  Mas acho que um aligator é um jacaré.

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Enfim, só acho que estamos condenando o português.  Quem me conhece e fala comigo pelo msn sabe que eu não vivo de corrigir os outros, também erro e uso abreviaturas (mas nunca o naum, trocar ca por k ou tirar semivogais de ditongos, como o loco – excessão quando falar do Loco Abreu.  Isso é princípio de respeito a língua).

Mas cada vez que eu vejo o idioma sendo assassinado e o nível cultural e educacional das pessoas tenho menos fé no futuro do Brasil.  A desigualdade econômica nunca será superada pois há um abismo cultural entre as classes e, me parece que, as baixas não querem superá-lo…

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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