Zonas de conforto

Agora que as pessoas que importam já sabem de tudo pessoalmente, posso abrir aqui no Blog:  É, fui demitido.  Não faço mais parte do quadro da Pam-membranas.  E fazendo como uma amiga me recomendou, vamos olhar pelo lado bom das coisas:

Algum tempo atrás, se não me engano em meados de 2007 eu li o livro do Bernardinho (técnico da Seleção de Vôlei).  A capa do livro ilustra este post.  Depois que uma amiga minha me disse para ver o lado bom disso, me lembrei do livro.

Bernardinho conta no livro o desafio de, tendo um time que havia sido campeão de trocentas Ligas Mundiais, campeonato mundial e ouro olímpico, convencer este mesmo time a ganhar isso tudo de novo.  Pois, convenhamos, tudo o que um atleta do volei pode sonhar em ganhar em termos de títulos, eles já ganharam.  Como convencê-los a ganhar de novo?

Você pode pensar que ganhar é sempre bom e certamente os atletas desejariam ganhar novamente.  Mas será que eles se empenhariam em ganhar?  Isso é o que Bernardinho chamou de zona de conforto.  E é o que ele pretendia lutar contra.

Pois o time poderia se acomodar, ou ficar na zona de conforto de que, sendo o melhor do mundo, não precisaria se empenhar em treinos ou mesmo acreditar em toda bola no jogo.  Os jogadores poderiam pensar que sempre um lance de talento ou de sorte colocaria as coisas na ordem certa e eles venceriam.  Bernardinho sabia, e os jogadores não, que isso não aconteceria e o time sairia derrotado.

Tanto foi que vimos o melhor exemplo disso:  A seleção brasileira de futebol da copa de 2006.  Tínhamos as baleias Ronaldo e Adriano, um Ronaldinho Gaúcho incompetente, um Roberto Carlos preocupado com o meião e um Cafú preocupado com recordes pessoais.  O time não treinou para a copa, fez festas.  Todas aquelas firulas ridículas que Ronaldinho Gaucho fez não serviam de nada em um jogo.

O que houve?  Era um time atual campeão mundial.  Os jogadores se apoiavam em seu passado de fenômeno, imperador, etc.  Achava que só isso basta, que só o talento que tiveram resolvia.  Não resolveu e o Brasil passou vergonha na copa.

Em compensação, como treinou o Vôlei?  O time de Marcelinho, Giba, Rodrigão e cia não ficava perdendo seu tempo com firulas ou fazendo festinhas em treinos.  Cuidou de sua forma física e técnica.  Treinava fundamentos, como saque, recepção, passe e bloqueio e os demais.  Em compensação tente convencer os jogadores da seleção que eles precisam treinar passes ou chutes a gol.

Os resultados nas competições máximas:  no futebol o Brasil cai vergonhosamente para a França, perdendo por 1X0 em jogo fácil para os franceses.  No vôlei o Brasil foi campeão mundial e nas Olimpíadas caiu de pé na final para os EUA e um time construído especificamente para derrotar a seleção brasileira.

No meu caso, provavelmente estava no meio da seleção de futebol pois estava em uma bela zona de conforto.  Trabalhando perto de onde moro, com um salário baixo, mas que supria minhas necessidades e num ambiente cômodo.  Mas a comodidade do ambiente significava estagnação, não havia possibilidades de crescimento ali.  Para a ambição que eu tenho, ali é pequeno demais.  Fora não estar fazendo nada de legal que os engenheiros fazem (a parte legal dos projetos era a que eu fazia mais rápido.  O resto do tempo era documentando e convencendo os outros que eu estava certo).

Bem, então tudo o que fizeram foi dar um empurrão.  Engenheiros por aqui estão ganhando fortunas e fazendo as coisas mais incríveis e legais do país.  Lá, na minha zona de conforto  o maior desafio seria convencer que deve-se calcular os equipamentos e que eu sei fazer isso e não ir a loja e comprar a primeira porcaria que ver. A evolução profissional e salarial estava ocorrendo em passos de caramujo.  Portanto, valeu o empurrão.

Como agora estou fora da zona de conforto agora, só tenho duas escolhas:  entrar nessa e fazer as coisas incríveis ou me ferrar por aqui e ir a falência financeira e moral.  Ou seja, precisava do empurrão.  Bem, a turma dos canudinhos de plástico fez isso por mim.  Agora, é transformar suor em ouro.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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  1. Pingback: 2011 – Um breve balanço | Blog do Fernando

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