Um domingo qualquer

Era só mais um domingo.  A promessa de um rotineiro e chato domingo.  A diferença na rotina ficou por conta da faxina da Igreja que eu, por conta de eventos externos ocorridos ao Red 5 e também por preguiça não realizei no sábado pela manhã como de costume.

Estava terminando de limpar a igreja, já pegando minhas coisas para ir embora quando o Wilian ligou.  Disse que tinha uma coisa maneira para fazer.  Depois tudo terminaria em cerveja.  Como cerveja é a isca para me colocar em alguma coisa, lá fui eu.  Mas a atividade tinha de tudo para ser divertida:  Íamos assistir a um pouso de helicóptero no heliponto do Hospital Santa Tereza.

Durante a grande obra de expansão do hospital, quando um novo prédio foi construído e o hospital subiu de categoria se tornando referência na região para diversos tratamentos, o terraço do prédio ganhou um heliponto, que permite a chegada e remoção rápida de pacientes e médicos.  Uma vez que ele se localiza bem perto do centro de Petrópolis, este heliponto também é “emprestado” quando da visita de alguma autoridade ou pessoa importante na cidade.

Mas neste domingo ocorreria um pouso naquele heliponto, e, para garantir as condições de segurança uma equipe em terra é necessária.  Mesmo o comandante da aeronave sendo o único responsável pela aproximação e pouso da mesma, a presença da equipe ajuda em caso de emergência, como incêndio na aeronave, onde extintores estão prontos para ser acionados.

Como se tratava de um domingo, em janeiro, muito do efetivo da manutenção do hospital estava fora, operando apenas pessoal de plantão, em número insuficiente para guarnecer os extintores do heliponto.  Por isso chamaram o Wilian, funcionário padrão do hospital e ele me chamou para assistir.

O pouso estava marcado para as 13:00h mas houve um considerável atraso.  A medida que tudo ficou preparado antes das 13h fomos sabendo mais da missão da aeronave:  Uma fatalidade ocorrera na localidade do Contorno onde um garoto veio a falecer devido a acidente de trânsito.  Felizmente a família autorizou a doação de órgãos e a missão da aeronave era coletar os órgãos e levar para os hospitais onde os pacientes aguardavam.

Por volta das 13:40 uma aeronave do corpo de bombeiros sobrevoou o local.  Mas passou tão alto que não parecia ser a nossa.  De fato, ela passou direto até sumir no horizonte.  Meia hora depois surge a mesma de volta, agora já em aproximação de pouso.  Ventava muito, foi bem complicado para o comandante manter a aeronave alinhada.  A medida que ele se aproximava ele recebeu um vento de través, tornando complicado o controle do helicóptero.

Mas ele fez jus ao seu treinamento e executou um pouso com total segurança no heliponto.  Chegando, o médico a bordo já saiu para cumprir seu trabalho.  Nesses casos de doação de órgãos, a partir de retirado o órgão do corpo há uma corrida contra o tempo para que eles possam ainda ser utilizados.  Portanto, os órgãos permanecem no paciente até o momento do transporte, pois esta é a melhor maneira se conservá-lo.  Assim, a cirurgia para retirada começa apenas com a chegada do helicóptero.

Segundo os tripulantes, este tipo de procedimento dura em torno de uma hora, mas neste caso foi bem mais.  Ficamos aguardando a partida do helicóptero por cerca de três horas.  Esse tempo passou devagar e serviu para que eu fizesse novos amigos entre os funcionários da manutenção e de outros serviços do hospital.  Pessoas muito legais por sinal.

Quando, finalmente as 16:30 subimos todos correndo de volta ao heliponto, pois a cirurgia terminara e o médico já subia com os órgãos e certamente o aviso de que estava tudo certo já significava um bom número de transplantes a ser iniciado, guarnecemos nossas posições e a aeronave partiu, rumo ao Rio de Janeiro.

Depois pensando no ocorrido, acho que participei em 0,001% da operação para salvar algumas vidas.  Se uma infelizmente se perdeu, a generosidade da família desta alma permitiu que umas seis outras continuassem a viver.  Quem sabe os males que serão curados graças a estes transplantes e quantas pessoas poderão ter esperança.  A vida que se perdeu certamente encontrará graça diante de Deus por conta de sua generosidade, bem como a família encontrará conforto.  Muitas pessoas serão felizes por este gesto.

E eu, com um pedacinho muito pequeno, insignificante, de culpa pela felicidade destas pessoas.  Mas me fez voltar para casa mais feliz sabendo que uma coisinha bem pequena eu fiz para um mundo melhor.  Além disso, foi uma aventura e tanto ver um helicóptero pousar e decolar a poucos metros de mim.  Mais um domingo qualquer…

Veja as fotos aqui.

 

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Aviação e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

5 respostas para Um domingo qualquer

  1. Ministério disse:

    Olá, blogueiro (a),

    Salvar vidas por meio da palavra. Isso é possível.

    Participe da Campanha Nacional de Doação de Órgãos. Divulgue a importância do ato de doar. Para ser doador de órgãos, basta conversar com sua família e deixar clara a sua vontade. Não é preciso deixar nada por escrito, em nenhum documento.

    Acesse http://www.doevida.com.br e saiba mais.

    Para obter material de divulgação, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br

    Atenciosamente,

    Ministério da Saúde
    Siga-nos no Twitter: http://www.twitter.com/minsaude

  2. Livia disse:

    Ei, Fê! Seu blog é bem legal! Vou linkar lá no meu! hehehe
    Bjosss

  3. Pingback: Some Pictures (5) | Blog do Fernando

  4. Pingback: O Helicóptero dos bombeiros | Blog do Fernando

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