Faca na Caveira

As pessoas na cidade estão em pânico. Carros queimam para todos os lados. Agora já estão em ônibus e caminhões.  Não sei se tem outros veículos para serem queimados.  Daqui a pouco começa a faltar frota.  Mas bem, o fato é que os bandidos resolveram reagir.

Eu realmente achava estranho que o programa de UPPs seguisse com tão estrondoso sucesso sem prisões ou mortes (do You remember?).  Ocupando favelas que eram verdadeiros quartéis de traficante sem um só disparo?  Algo estava errado.  Que os bandidos não enfrentariam naquela hora, isso era fato.  Mas uma hora isso teria que ser feito.  É mais uma vez estratégia militar clássica:

Se uma força muito poderosa investe contra a sua e você sabe que não tem a menor condição de impedir que ela ocupe seu território, enfrentá-la só irá exaurir seus recursos e antecipar seu colapso.  Os manuais mandam que você se retire e reordene suas forças para a guerra assimétrica.

A guerra assimétrica é um conceito recente.  As guerras do nosso século não se darão mais em grandes batalhas, mas sim em pequenas escaramuças.  Veja a guerra do Iraque, onde uma força muito poderosa (EUA) lida com uma extremamente inferior (os guerrilheiros do Iraque).  Nessas condições todo o grande aparato militar americano fica neutralizado.  Afinal o que caças F22 podem fazer contra um grupo de cinco pessoas.  Mesmo os tanques não tem qualquer aplicação pois não sabem quem é o inimigo.

O conflito no Rio se torna uma guerra assimétrica.  A força poderosa é o Estado.  Não há como o Estado ser derrotado, da mesma forma que não há como os iraquianos derrotarem os EUA.  Isso por meios convencionais, militarmente.  Mas outra coisa pode ser feita.  O mesmo que os vietcongs fizeram:

Ainda que o aparato militar da força superior seja invencível por aquela força, outros componentes podem ser acionados para forçar sua retirada.  O vietcongs utilizaram o terreno, o clima e a guerra de guerrilha para derrotar os americanos.  A coisa chegou a um ponto em que a pressão dentro dos EUA para a retirada das tropas foi tão grande que eles tiveram que sair.  Mesmo tendo os EUA ganhado todas as batalhas importantes até então e estabelecido a superioridade aérea e garantido o domínio do mar.  O mesmo está ocorrendo no Iraque.

O objetivo dos criminosos do Rio é instaurar uma situação de inquietação na população civil por meio de ataques aleatórios, feitos em qualquer ponto da cidade a cidadãos comuns.  A população inquieta, com medo e em princípio de pânico pressionará as autoridades para que algo seja mudado que, no objetivo dos bandidos seria a retirada do Estado dos seus antigos territórios.  Assim, eles reocupariam as favelas e tudo voltaria a ser como era antes.

Mas aqui estamos todos do lado da força superior na nossa guerra assimétrica.  O trabalho dessa força é extremamente complicado, pois embora disponha de muito mais recursos, ela não pode atacar a tudo e a todos.  Senão, bastaria usar a FAB e sua capacidade de bombardeio sobre as favelas.  Mas não é assim que deve ser feito.

O que precisa ser feito agora é devolver a provocação.  É preciso instaurar o medo nos bandidos.  Este medo é instaurado com operações constantes, desmantelamento do seu aparato e, principalmente, causando a eles pesadas perdas materiais e humanas.  Assim, eles perceberão que não compensa realizar os ataques que estão fazendo.

O que não pode ser feito é a rendição indireta, ou seja, entregar o comando de favelas, abandonar UPPs, deixar de expandir o projeto.  Isso seria admitir a derrota e daria aos bandidos a certeza de que sua estratégia funcionou e o seu uso será recorrente.

Apenas um exemplo disso foi quando em 2006 o PCC em São Paulo matou em uma noite  cerca de 50 policiais civis, militares e bombeiros.  Na noite seguinte, a ROTA devolveu a gentileza exterminando mais de 100 deles.  A partir daquele dia o PCC nunca mais fez nada de relevante.  Os quartéis do exército mantém-se invulneráveis pois os bandidos sabem que se meter ali seria uma grande furada.  É preciso que eles aprendam que realizar estes atos também traga sérias consequencias.

Então, o que precisa ser feito pelo Estado é recrudescer o combate, o número de prisões e mortes precisa crescer, é preciso mandar uma mensagem clara de que isto é intolerável e não há meio deles recuperarem o que foi perdido.  Mas esse combate é feito pisando em ovos, pois muita gente dentro da  opinião pública estará formando opiniões a favor da rendição do Estado.  Ao mesmo tempo, o Estado não pode matar inocentes.  Então, é preciso matar sim, mas bandidos.  Faca na caveira!

 

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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2 respostas para Faca na Caveira

  1. Macaco disse:

    Agora eles vão ter Tanques pra queimar!!

    Tá td perdido nesse mundo

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