Carros (1)

Queria falar de um tema mais ameno dessa vez, mas nem vai dar.  Bem, ninguém lê nada nesse Blog mesmo, então eu posso falar qualquer besteira que não serei processado por ela pois ninguém nunca saberá.  As vezes escrever aqui parece que é a mesma coisa que falar sozinho.  Mas eu insisto.  Até porque, umas três pessoas lêem isso.  E isso já é melhor do que nada.

Parece bobeira, mas ontem realizei um sonho de infância.  Fiz uma assinatura da revista Quatro Rodas.  Sim, eu sei, é um sonho muito simplório, mas sempre gostei muito dessa revista.  Quando criança o patrão do meu pai era assinante e, algumas vezes mandava a revista do mês anterior para mim.  No começo do ano ele sempre mandava o guia da temporada de F1 que vinha encartado na revista.  Graças a ele eu tenho uma edição histórica, feita para comemorar os 500 GPs de F1 que contava toda a história, temporada a temporada, da categoria máxima do automobilismo.

Mas não é ainda da revista que eu quero falar.  Quero falar de carros propriamente dito.   Acho que vai dar uns dois posts esse tema de carros.  Acho engraçado o comportamento humano com relação aos carros.  É diferente do comportamento dos homens com qualquer outra máquina.  E isso não é um problema brasileiro, é assim no mundo todo.

O tema carros está bem em exposição esta semana.  No domingo um rapaz de 24 anos morreu ao encher o seu C4 contra um muro de uma escola.  Ele vinha da comemoração do seu aniversário.  Se bebeu ou usou outra coisa, não faço idéia, mas pelo estrago que causou ao carro, ele vinha bem rápido.  No carro havia um adesivo que dizia:  “Se você não gosta da maneira como eu dirijo, fique longe da calçada”.  Além disso, o Orkut dele trazia várias comunidades sobre correr.

Não senti pena alguma dele.  Pelo contrário, é um assassino em potencial a menos.  Não me entendam mal, eu não o considero um psicopata, vai ver o cara era até gente boa, mas não tinha preparo  psicológico para dirigir.  Dirigir é, essencialmente levar um veículo do ponto A ao ponto B em segurança.  Como não está só você na rua, existem as leis para disciplinar o trânsito de tal forma que todos consigam chegar.  E, como as velocidades e os riscos são grandes, existem leis para impedir que você se mate e mate os outros.

No entanto, há pessoas que não podem conviver em sociedade.  É gente que se acha melhor que todo mundo, que tem todos os direitos, que pode fazer o que quiser.  Lembra bem a gentinha do post anterior.  Só que estes não só os ricos.  Veja o caso deste garoto.  Bom, para ter um C4 ele não era pobre.  Estudava na ESPM, mais um indício de riqueza, mas isso não importa.  Importa a atitude dele mostrada no adesivo:

Saia da CALÇADA?  Mas a calçada não é justamente o lugar destinado ao pedestre? Será que ele gostava de dirigir na calçada?  E o problema é que não é só ele. O trânsito é algo absurdamente incivilizado.  Parece que a armadura do carro, ou a posse de um veículo ou o que o valha dá a qualquer um o direito de fazer qualquer coisa, mesmo que isso desrespeite o outro.  Ou por acaso alguém fura uma fila de banco?  Mas no trânsito, quantas pessoas furam as filas de carros?

Quantos não andam como loucos no trânsito, não usam a simples seta para mudar de faixa ou de via, fecham você, e, são esses, normalmente os mais aborrecidos com os engarrafamentos que eles mesmos provocam com essas atitudes.  Pois engarrafamentos normalmente são causados por uma soma de pequenos atos.  Estes.  Se todos dirigissem como pessoas civilizadas, os congestionamentos diminuiriam bastante.

Não consigo entender a ânsia que todo mundo tem em se dar bem, amplificada no trânsito.  Parece que as pessoas descarregam as frustrações da vida atrás de um volante, correndo, cometendo verdadeiros crimes nas ruas, atrapalhando a vida de vários.  Muitas vezes eles perdem a vida com isso, mas pior, levam outras que nada tinham a ver com isso.

Eu costumo dizer, ao ver pessoas fazendo essas loucuras no trânsito que são homens que precisam sempre mostrar para todos o tempo todo sua masculinidade.  E aí apenas fazem papel de ridículo pois para a grande maioria das mulheres – que é a quem eles, teoricamente, pretendem agradar – acham isso ridículo.  Talvez só as menininhas que acham o máximo um cara porque ele tem um carro ou uma moto e só.  Bem, mas estas “piriguetes” não contam.

Enfim, pelo menos o garoto morreu sozinho, não levou ninguém com ele.  Devia ser uma completa besta quadrada no trânsito e se achando um Schumacher.  Pra mim, dirigir como um homem é dirigir respeitando as leis de trânsito e o direito alheio.  Note, direito, não abuso.  Se achar um piloto em ruas nada mais é do que complexo de inferioridade ou até mesmo “viadice”.  Que ele encontre paz, onde quer que ele esteja.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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Uma resposta para Carros (1)

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