Votar para presidente

Eu voto desde os meus 16 anos.  Fiz questão.  Podia ser por conta de querer ser adulto na época, ou sei lá, mas eu exerci o direito de votar antes dos 18.  Bem, meus 16 anos foram comemorados em 1997, ano que não teve eleição.  Tirei meu título para nada, ao menos naquele ano, que ainda veio errado, e demorou seis meses para chegar até minha mão.  Meu primeiro voto foi, portanto em 1998.

1998 foram as primeiras eleições 100% em urnas eletrônicas do Brasil.  Nunca votei em cédulas portanto.  Eram eleições gerais, como as que tivemos agora em 2010.  Sou um tremendo pé frio para meus candidatos.  Os deputados, senadores, prefeitos, vereadores quase sempre perdem.  Em 1998 todos os meus votos foram para candidatos derrotados, exceto o senador, Roberto Saturnino.

Votei também em 2000 nas eleições municipais e sempre de dois em dois anos.  No meio desse caminho teve o referendo das armas em que cravei um não, indo contra os artistas da Globo e o pessoal dos direitos “dos manos”.  Para presidente votei então em 1998, 2002, 2006 e agora em 2010.  Sempre os mesmos números.  E este ano, não vejo porque mudar.

Voto 13 desde 1998.  Acho que para presidente você não pode votar em uma pessoa porque a pessoa em que você vota não governará sozinho.  Você precisa votar em uma ideologia, em um projeto de país, em uma equipe.  Por isso hoje não vejo razões para mudar os números, mesmo que a pessoa tenha mudado.

É bem verdade que, os oito anos de governos tucanos foram em parte necessários por conta da estabilização da economia e de consolidação da democracia.  Fernando Henrique também foi um presidente bem útil na diplomacia, mesmo que ainda alinhado a idéia de que o que é bom para os EUA é bom para o Brasil.

Dizem que o PSDB tinha um projeto de país para até 2020.  Isso se tivéssemos um país até 2020.  O Brasil não suportaria todos esses anos de continuidade de um modelo cujo mote principal era o entreguismo e o neo-liberalismo.  Naquele tempo o neo-liberalismo já se mostrava um desastre.  Ou abandonávamos aquilo ou iríamos para um buraco sem fundo.

Mas, realmente parece que Deus é brasileiro.  Ele faz com que os brasileiros escolham o projeto certo para o país no momento certo.  Pois se privatizar as empresas hoje é uma grande burrice, algumas tinham que ser privatizadas pois eram um grande cabide de emprego e altamente ineficientes.  Porque infelizmente ali não interessava a ninguém gerir a empresa com o objetivo que se deve ter a uma empresa:  Gerar lucro.

Nestes oito anos de governo Lula pipocaram escândalos de corrupção para todos os lados.  Será que isso não ocorreu também em outros governos? Será que o mensalão era algo novo, mesmo sabendo que deputados são veículos movidos a dinheiro?  Quantas cuecas cheias de dólares tevem ter passado por lá antes desses oito anos?  Não sabemos, por isso mesmo é bem plausível que sim, isso já ocorria.

Mas não dá para hoje, querer de volta um projeto que, precisando de navios cargueiros e petroleiros, além de plataformas e serviços de estaleiro encomendava os mesmos em Cingapura, tendo aqui maquinário e mão de obra ociosas.  Enquanto os asiáticos construíam navios, nossos engenheiros navais tentavam entrar ilegalmente nos EUA para limpar privadas de americanos.

Não dá pra desejar voltar a andar de cabeça baixa pelo mundo, como cidadãos de terceiro mundo, se achando indigno e incapaz de um papel de protagonista no mundo em qualquer coisa, quase como que um convidado por pena nas reuniões de países.  Ou mesmo dentro do país mesmo.  Querer assinar um acordo para utilizarem nossa base de lançamento mandando caixas fechadas para lá que não podíamos olhar, lançar foguetes com carga que não sabíamos, podendo ser até ogivas nucleares ou satélites para espionar a nós mesmos.

Querer de volta um acordo de comércio para vendermos minério de ferro, feijão e milho para comprarmos de volta carros, aviões e satélites porque isto não somos capazes de fabricar.

Eu sinto muito a quem pensa assim, mas não, não quero meu país assim.  O Brasil não foi feito para ser submisso no mundo, foi feito para ser potência.  Em um mundo em que ou se domina ou se é dominado, prefiro um Brasil que domine.  A América Latina tem um líder, e este se chama Brasil.  Não aceito meu país submisso.  Não mais.  E não acho que a opção de candidato que me obrigaria a mudar os números que digito para presidente nos últimos 12 anos.  Respeito é claro outras opiniões, mas é por essas que voto assim.

 

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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3 respostas para Votar para presidente

  1. Amanda disse:

    Eu sou neo-liberal! E o que que tem? #Serra45

  2. Pingback: Norte X Sul | Blog do Fernando

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