A estrada velha

Petrópolis tem uma história muito grande com relação aos transportes no Brasil.  Sua localização geográfica e clima foram determinantes para que as primeiras estradas do país acabassem por passar por aqui.  Passa por Petrópolis, por exemplo, o atalho do caminho novo, primeiro caminho pavimentado do país.  O objetivo dele era ligar o litoral, sobretudo as águas calmas da Baía de Guanabara e atracadouro dos navios portugueses às riquezas minerais das Minas Gerais.

E assim foi feito um caminho pavimentado com pedras que não era muito largo mas permitia a passagem das tropas de mulas que faziam o transporte dos minerais, sobretudo ouro.  Com a Independência do Brasil e o gosto do imperador pelo clima da cidade, Petrópolis acabou recebendo uma estrada melhor, que permitia a passagem de carruagens, para que o Imperador e sua família pudessem subir.  Também foi a primeira estrada de rodagem pavimentada do país.

Embora desativada, a cidade se orgulha de ser rota da primeira ferrovia brasileira, a Estrada de Ferro Mauá.  Para que a “Maria Fumaça” pudesse subir a serra um sistema de pinhão-cremalheira foi usado na estrada para evitar que o trem descambasse ladeira abaixo.  Hoje, o traçado da ferrovia foi invadido, os trilhos viraram mourão de cerca, base de portão, ferro velho…  Os dormentes provavelmente viraram lenha.  Mas espero um dia que o trem volte.

Mas a estrada de rodagem continua lá.  A hoje conhecida como Estrada Velha da Estrela , que já se chamou Novo Caminho ainda serve de rota para quem vai ou vem de Petrópolis para a Região dos Lagos, Espírito Santo, Baixada Fluminense…  Ela ainda é muito usada, a ligação entre Petrópolis e alguns distritos de Magé é feita por vários ônibus, as pessoas de lá vem a Petrópolis diariamente para trabalhar, ir a médico, resolver problemas…  Estes ônibus, com um pouco de paciência permitem aos petropolitanos uma boa economia no valor da passagem para se chegar ao Rio de Janeiro.

Se você vai de carro, esta estrada também tem sua utilidade pois, por ela você não paga o pedágio da Concer.  É um traçado antigo, feito para carroças, portanto é estreito, repleto de curvas fechadas.  Ela é pavimentada com paralelepípedos, não tem muita proteção em suas margens e casas bem próximas.  Péssima iluminação também pe uma constante nela.

Mas um dia o Red 5 ia ter que passar lá.  Ele já foi é verdade, em uma vez em que fui escalado em uma missão de “taxi” que era de buscar um cidadão em Fragoso e trazê-lo para Petrópolis.  Mas tinha uma aventura que precisava realizar ainda:  ir do Rio de Janeiro até Petrópolis por ela.  Pois, hoje foi o dia.

Eu tenho um problema com a Baixada Fluminense.  Não é um lugar que me agrada muito.  Não gosto de ir lá, o lugar é estranho, a urbanização é estranha, o clima é ruim, o trânsito é selvagem, os prefeitos de lá constroem montanhas no meio das ruas e chamam de quebra-molas, motoristas, ciclistas e motoqueiros imprudentes, enfim.  Só sei que não gosto muito de lá.  Mas não me furto a ir se necessário.

Por não gostar muito de lá, conheço pouco os caminhos.  Assim, nunca soube direito como, após descer a Serra Velha, sair na estrada que o leva ou para o Rio ou para o Norte (A BR-116).  Hoje, como viria do trabalho para Petrópolis e tem um colega de trabalho que mora na Baixada, resolvi me aproveitar e seguí-lo para aprender o caminho.

Este caminho não é complicado mas, sozinho eu não o acharia.  Não sem bastante erros.  Seguindo ele fiquei a poucos quilômetros da serra e em um local que eu conhecia podendo, portanto seguir em frente.  Subir esta serra é que foi uma grande aventura – mais uma – a bordo do Red 5.

As condições estavam longe das ideais para quem não conhece aquela estrada.  Já era noite, o tempo não ajudava, começou a chover ao longo da serra e o piso estava escorregadio.  Encontrar ônibus e caminhão nesta serra também não é legal exatamente pelas curvas fechadas, pista estreita e subida.  Você depende que ele lhe dê passagem.  Isso quando não vem gente no sentido contrário e passa a milímetros do seu carro.

Mas eu e o Red 5 subimos absolutos por curvas fechadas (fechadas mesmo, em 180° em subida) que lembram o Grande Prêmio de Mônaco.  Mais uma vez ele se comportou muito bem respondendo a tudo e sendo esperto que só nas curvas.  O Red 5 tem sido muito legal comigo.

O tempo total, do Rio até Petrópolis foi de algo em torno de uma hora e meia, andando em ritmo normal, sem insanidades pelas estradas.  Financeiramente parece ter compensado mas não é uma aventura para ser feita sempre.  Pelo menos para mim.  Mas, repetir mais algumas vezes será ao menos interessante.

Só mais uma curiosidade:  A primeira rodovia asfaltada do Brasil também fica em Petrópolis.  É a Estrada União e Indústria, antiga rota entre Petrópolis e Juiz de Fora.  E como puderam ver pela foto no post, já tem Google Street View na Serra Velha.

Anúncios

Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Causos, Red 5 e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para A estrada velha

  1. Pingback: 5000 | Blog do Fernando

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s