Eu contra a cabeça de Alien

Já contei aqui que me tornei engenheiro em parte por causa do Sr. Scotty de Star Trek.  Uma das coisas que mais me motivam a fazer algo são problemas.  Enfim sou curioso demais, adoro aprender como as coisas funcionam e como resolver problemas que encrencam as pessoas.  Resolver um problema é uma das coisas mais prazeirosas que tem.  A sensação de vencer um desafio é muito boa.

Se você junta uma máquina maluca com um problema e um desafio, as coisas se tornam tã interessantes que fica irresistível não mexer com isso.  E assim eu derrotei uma cabeça de alien.

Cabeça de alien é o apelido que temos para um cabeçote inteligente utilizado para programar ciclos de filtração e limpeza de filtros de areia ou de troca iônica (a troca iônica é uma macumba por sí só, melhor falar só da cabeça).  Este cabeçote permite que você diga em que dia da semana e por quanto tempo o filtro realizará ciclos de limpeza ou de regeneração.

O problema é que não queremos utilizar a programação dele.  ele atua diretamente contra as válvulas abrindo-as e fechando-as e desviando o fluxo dependendo da operação a ser realizada.  Queremos que ele faça este controle de válvulas, mas que nós, ou nosso sistema de controle que comande a entrada das operações de limpeza.  Aí é que entrava o problema.

Eram dois desafios:  como ele atua as válvulas e como fazer com que ele passasse a obedecer os nossos comandos.  O sistema de funcionamento dele é bem simples.  Um motor gira um eixo-árvore repleto de cames e estes cames atuam as válvulas realizando as operações.  Este motor é comandado pelo sistema eletrônico do cabeçote.

Para comandar o motor sem o uso do sistema eletrônico, então tudo o que eu tinha que fazer era arranjar um meio de desviar a parte eletrônica e comandar o motor por mim mesmo.  Ora, foi extremamente simples.  Bastou descobrir como este motor era alimentado e pronto.  Fiz uma corrente na voltagem certa e com um interruptor eu comandava o motor e fazia a cabeça ativar a operação que eu quisesse, quando eu quisesse.  Sopa no mel.

Agora tudo o que tenho a fazer é instalar sensores nos cames para que o nosso sistema de controle receba informações sobre o que a cabeça está fazendo e quando parar de comandar o motor pois a próxima operação já está alinhada.

E assim, comemorando criei a Tag #chupacabeçadealien que não entrou nem nos TTs de Petrópolis do Twitter, mas pelo menos permitiu diversão e comemoração.  E ainda me deu mais uma certeza de que engenheiros são para resolverem problemas, não para preencherem relatórios, viverem sentados em salas de banco ou fazendo relatórios ou planilhas de Excel.  Somos muito superiores a isto.  Sem ofensas, claro.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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