E a questão militar?

Quem me conhece sabe que adoro questões militares.  Sou um fã de estratégia, tenho “a arte da guerra” como livro de cabeceira e realmente me preocupo com questões de soberania e defesa nacional do Brasil.  Por conta disso me decepciona que sempre, em todas as campanhas presidenciais a que assisti a questão militar é sempre posta de lado, quando é tocada.  Por que isso acontece?

Em primeiro lugar é porque esse é um tema que não traz votos.  Eu, sendo um interessado, analisaria a fundo essa questão e as propostas de candidatos para esta área, mas isso não é o pensamento do brasileiro médio.  Para ele isso pouco importa.  Alguns chegam ao extremo de criticar, como um amigo disse há muito tempo atrás que o Brasil não deveria construir foguete porque tem muita gente passando fome ainda aqui”  Uma visão simplória da questão, mas muito comum.

Outra porque as lideranças políticas do país hoje, são aquelas que vieram da luta contra a ditadura.  Independente do partido e ideologia, todos os que hoje ocupam as lideranças políticas vieram de luta contra ela.  Esse pessoal, em sua maioria tem um pensamento muito peculiar:  Querem vingança.

Por vingança eles deixam nossas forças armadas entregues a míngua, como quem não dá nada mais do que pão é água para um preso.  Parece que, no íntimo todos querem devolver as torturas que sofreram ou que ouviram falar que sofreram.  Mas o fazem contra a corporação, não contra os homens que lhes fizeram isso.

Daí, tome de revisionismo, dizendo que fomos os vilões na Guerra do Paraguai (quando os agredidos fomos nós) que a nossa Força Expedicionária na Itália era apenas “bucha de canhão”, nossos feitos de armas sempre menosprezados, de repente querem punição apenas para quem torturou e não para o outro lado…

Mas o pior é que, os que estão no poder acham que nossas forças armadas não podem ser equipadas pois, se fizessem isso, estariam fomentando um golpe contra eles mesmos.  Não vejo coisa mais ridícula.  Pois, contra políticos desarmados, um FAL da década de 70, um tanque da segunda guerra ou um Mirage da década de 60 dariam conta de um golpe, caso os militares assim desejassem.

No entanto, estes equipamentos não servem mais a uma nação que precisa se defender de uma outra.  Ou de uma nação que precisa, e deve, se impor no cenário mundial como potência e liderança.  E, no limite, a diplomacia ainda é medida pelo tamanho de suas armas.  Mas, com o que temos hoje, estamos perdidos.

“na paz, prepara-te para a guerra, na guerra preparar-se para a paz.  A Arte da guerra é de importância vital para o Estado e sob nenhuma circunstância deve ser ignorada” é o começo do livro de Sun Tzu.  Escrito há mais de 3.000 anos e válido até hoje.  Ainda que hoje não tenhamos um inimigo, teremos um daqui há dez anos?  Não dá pra saber.  E como impor nossos interesses?  Como defender nossas riquezas?  Cegos pelo revanchismo e seguindo idéias errôneas, nossos governantes abandonaram as forças armadas para a situação de sucateamento que temos hoje.

Talvez um dia, uma geração nova de líderes acorde para que, esse desejo de vingança cesse e percebam que, a questão militar é de suma importância para a defesa e projeção da Nação e, o que talvez seja sempre esquecido é que é uma grande ferramenta para a erradicação da pobreza por exemplo, considerando todo o progresso e desenvolvimento tecnológico que isso traz.  Mas, infelizmente este é um tema que não traz votos e, talvez os tire, pois a visão retrógrada persiste.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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2 respostas para E a questão militar?

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