Sobre UPPs e estratégia militar

N.A Vou dividir o post em duas partes para que não se torne cansativo e demasiado longo.  Esse trata da UPP

O governo estadual vem retirando o tráfico com sucesso de diversas favelas através das UPPs.  O projeto da UPP é elogiável, e tem funcionado para os morros ocupados.  Basicamente quando um morro vai ser ocupado a primeira unidade do estado a subir é o BOPE que vai pronto a dar o combate aos bandidos que porventura resistirem no morro.  Logo após o terreno ser tomado pela unidade os elementos da polícia de ocupação adentram e o comando do local é gradualmente transferido.

Os policiais de UPP são de outro gênero.  Enquanto o BOPE sobe com caveirão, ameaça, usa a força e “vai pra cima” os PMs das UPPs são para patrulhamento ostensivo, sem armas de grosso calibre, com ordens de usar muito mais a conversa do que as balas, simpatizar com os moradores, oferecer a eles o que eles não tinham sob o jugo do tráfico:  Justiça e liberdade.

O tráfico por sua vez vem reagindo de uma maneira clássica a uma invasão que também é clássica na literatura militar.  Quando uma força muito superior vem para tomar seu território, resistir a ela no primeiro combate será ineficaz e lhe provocará pesadas baixas tirando sua capacidade de combate.  Em resumo, você será aniquilado.  A reação correta é permitir ao inimigo a tomada do território negando-lhe recursos e preservar ao máximo seus homens e armas, de forma a organizar uma guerra de guerrilha.

Os Franceses fizeram isso na segunda guerra mundial.  Os vietnamitas utilizaram do mesmo expediente para derrotar franceses e depois americanos.  Recentemente os afegãos e os iraquianos fazem o mesmo contra os americanos.  A tática é simples:  Organizar unidades em pequenos grupos fazer ataques de forma a danificar o dispositivo do inimigo e quebrar sua moral, dando-lhe a impressão de que não estão seguros em lugar algum, o que acabará por forçar a opinião civil contra as tropas ocupantes.

Reparem bem:  Em todos os morros ocupados por UPPs, em quantos houveram conflitos?  A maioria foi ocupada sem um tiro sequer.  O BOPE cumpriu sua missão, mas onde estão os bandidos?  Quantos deles morreram ou foram presos?  Esse número é bem baixo.  Então, onde eles estão?

Nem o mais fanático defensor de direitos humanos acredita que eles largaram a vida criminosa e hoje estão felizes em empregos de carteira assinada ou mesmo no mercado informal, mas em atividades que em nada prejudicam os cidadãos.  De certo continuam bandidos.  Mas onde? Há várias teorias quanto a isso.

Os índices de violência tem aumentado no interior do estado.  Em Macaé sobretudo.  A cidade do Petróleo já tinha uma estrutura insipiente de tráfico.  A expulsão deles da capital, apenas fortaleceu a presença deles nesta cidade que está a uma distância confortável.

Como deve reagir a força do estado?  Talvez com uma leve adequação na estratégia.  O plano e a execução das UPPs é bom, a ocupação é bem feita e deve continuar e se expandir.  O que deve ser feito agora é ocupar mais e mais morros formando-se uma grande área de segurança, onde, com tantos morros ocupados o bandido que faz arrastões na pista não tenha para onde correr pois será pego nos morros.  Isso reduzirá a criminalidade nas regiões próximas.

Uma outra ofensiva  essencial mas que o estado não pode executar a contento seria a de caça aos inimigos.  Faltam corpos.  Os bandidos precisam ser tirados de combate por meio da prisão se possível e da morte se necessário.  Não pode é bandidos prontos para lutar no dia seguinte.  Faltam operações de caça, de captura, resultados com número grande de bandidos presos e mortos, muitas armas e munições capturadas, esconderijos estourados…

Esses resultados diminuiriam sensivelmente o poderio dos bandidos pois, além de reduzir o efetivo deles pelos mortos e presos e seu dispositivo, seria também um golpe moral pois os demais se veriam caçados e inseguros para onde quer que fosse, e visse qualquer possibilidade de reação como inútil.  Se o braço forte descer na medida certa, nem muito pesado para não jogá-los em desespero, nem muito leve para que escapem, os resultados serão explêndidos.

Basta lembrar que o fator que leva um bandido a lutar essencialmente não é o morro, nem território, ideologia, amigos ou qualquer motivo nobre que levaria uma pessoa a lutar.  É apenas dinheiro e status social.  Com golpes morais dessa forma não haveria dinheiro e nem status e o motivo da luta do bandido sumiria.

Post da continuação:  “Teoria da conspiração

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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2 respostas para Sobre UPPs e estratégia militar

  1. Pingback: Faca na Caveira | Blog do Fernando

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