A Placa

Placa do RomárioSe um dia ocorrer uma guerra nuclear, eu já tenho o meu abrigo.  Será feito desta placa aí da foto.  Esta placa suportou intacta a tudo o que eu pude fazer de explosivo a minha vida inteira.  Árvores, paredes, muros e barracos não foram páreo para nosso poder explosivo, mas esta placa sempre foi um duro desafio.

Ela fica no ponto final do ônibus, em frente a minha casa.  Até 1998 ela ainda conservava sua mensagem original que dizia “por favor, não jogue lixo”.  No entanto, na empolgação para um pentacampeonato que não veio na Copa da França, ela ganhou o nome do Romário.  Sendo que Romário, lesionado, sequer foi para aquela copa.  Sorte a dele.

Pois bem, mas desde antes dela receber o nome do baixinho, essa placa foi nosso campo de testes.  começou com bombinhas.  Logo estávamos em bombas mais poderosas.  A seguir o cabeção de nego.  A placa sempre suportou incólume.

Ela não só suportava o aumento do poder de fogo como suportava a repetição.  Já colocamos cinco cabeções nela e acendemos os cinco juntos e ela nem afrouxava dos parafusos que a fixam no muro.

Aí um dia conseguimos uma malvina.  “Dessa vez ela não tem chance”, pensamos nós ao vermos o tamanho da bomba.  colocamos no lugar, acendemos e corremos.  Após a explosão e o susto na vizinhança, lá estava a placa, no mesmo lugar, firme como sempre.

Derrubar aquela placa não era uma obsessão, mas era um objetivo.  Não houve uma bomba que fizemos ou tivemos acesso que não teve uma versão detonada ali.  E a plaquinha lá, pedindo para não jogarem lixo (no que era ignorada) ou avisando que Romário iria para mais uma copa (uma grande mentira).

Depois da malvina detonamos 3 tiros, 12X1, 12X qualquer coisa, treme-terra, bomba de tubo e nada surtiu efeito.  O muro tem uma rachadura por perto, mas também continua lá. Essa placa deve ser feita de Kevlar ou algum material de procedência alienígena.  É a única explicação.

Só me resta então dar os parabéns a quem fixou a placa lá, pois ela suportou bravamente a ira de duas crianças e adolescentes sempre tentando derrubá-la.  Já sabem, em caso de terceira guerra mundial ou queda de asteróides, já sabem onde me encontrarão:  Debaixo da placa.

Anúncios

Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Causos e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para A Placa

  1. Pingback: 30 Going on 13 | Blog do Fernando

  2. Pingback: Detonação | Blog do Fernando

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s