Ex Empregos

Estava com vontade de escrever sobre o censo.  Esse ano lá está o IBGE colocando seu exército nas ruas para contar toda a população brasileira e saber como – e onde – ela está vivendo.  Mas o post do censo vai ficar para a próxima.  Ele merece um pouco mais de calma.  Esse post aqui está sendo feito só para provocar o sono que não chega.

Isso porque eu já fui desse exército.  No censo 2000 lá estava eu de Agente Censitário Supervisor.  Lá conheci muita gente legal, e cada figura que me fez pensar que aquele seria o emprego mais louco que eu iria ter na vida.  Bem, ledo engano.  Mas por começar a idealizar um post sobre esse tempo, acabei lembrando dos demais empregos que tive.

Como podem dizer, sou um pouco rodado já.  Entre empregos com carteira assinada e informais, já fiz um pouco de tudo.  Amigos meus costumam dizer que eu trabalhei até na construção da Arca de Noé (veja as 50 verdades sobre o Fernando), e de cada emprego a gente acaba carregando um pouco.

Penso que as empresas em que a gente já trabalhou são como ex-namoradas.  Porque a relação de emprego, tal qual um namoro, lhe consome tempo e lhe traz um bom, e um mal retorno.  Mas é necessário, e, tal qual em namoro quando percebemos já estamos lá metidos.

Ou não é?  Não podemos pensar na Petrobrás como uma Luana Piovani onde todos querem estar com ela?  Não seria então uma FMC uma Luiza Brunet?  Ou mesmo aquela menina que nos apaixonamos e fazemos de tudo para estar com ela (Não posso dizer entrar, vai pegar mal a beça).  Mas não nos esforçamos tão ou mais, por um emprego como nos esforçamos pelas mulheres que amamos?

Mas, tal qual um namoro, empregos também chegam ao fim.  Ou somos mandados embora, o que é a forma mais comum, no emprego e no namoro, ou nós mesmos vamos embora porque arranjamos coisa melhor ou simplesmente porque não dá mais.  O mesmo vale para o lado da empresa.

Aí uma empresa em que você queria trabalhar, agora você já trabalhou.  Se torna um ex-emprego, e isto faz dela algo completamente diferente de todas as outras empresas, tal qual faz a sua ex-namorada ser diferente de todas as mulheres que você conhece.  Isso porque ela está em um patamar diferente.  Por exemplo, não seria legal que eu usasse o blog para falar mal dos meus ex-empregos.  Seria ridículo contra as empresas, e empregadores que um dia contaram comigo.

E cria-se uma relação diferente.  Quando você encontra uma mulher com quem já namorou (desculpem, odeio o termo ex-namorada) ou quando você vai a um local onde já trabalhou, é uma coisa estranha, você mede bem as palavras, se comporta estranho.  E se for com quem você ainda gosta, bem como uma empresa que gostaria de voltar para lá então?

Tenho muito mais ex-empregos do que ex-namoradas.  E como coisas tão diferentes são tão parecidas:  eu guardo, por cada empresa que trabalhei um carinho e recordações diferentes.  De nenhuma é ruim.  Vejam só, já sou até profissionalmente viúvo uma vez que uma empresa em que trabalhei não existe mais.  Cada empresa, bem como cada mulher, ocupa um lugar especial no coração, algumas mais, outras menos, dependendo do quão intensa foi a relação (sem duplo sentido).

Daí fica a pergunta:  E você voltaria?  Essa é uma pergunta sem resposta para qualquer dos lados, seja o das mulheres ou o das empresas.  Pois, na volta, tudo seria diferente, tem que ser encarado como algo novo.  E, se os vícios que destruiram a primeira vez forem levados para a volta, o segundo fim será pior que o primeiro.

O fato é que, quando perdemos emprego ou namorada, o mais difícil a fazer é o certo. Seguir a vida.  Se você acha que seu lugar é lá, você pode estar enganado e ir trabalhar em um lugar muito melhor depois, que você só encontrou porque perdeu um, ou acabar que o outro (empresa ou mulher) se dê conta e acabe por “contratar” você de volta.  Mas você não pode é ficar esperando por isso.  Vai que quando a empresa perceber, você já não está em outro emprego bem melhor?  O segredo é deixar o destino acontecer, por mais que pareça irritante.  Uma só coisa é certa:  Não sabemos o dia de amanhã.  Mantenha as armas em punho e sempre lute.

[Não, eu não sei viver assim, vou aprendendo, mas ninguém pode me impedir de dar conselhos]

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Reflexões e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Ex Empregos

  1. katia disse:

    Ex namorada eh igual ex emprego… de vez em qdo a gente faz uma visitinha?

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