James Doohan

Certo, se tem uma coisa que eu não gosto de falar, sempre nego mas todo mundo sabe que é verdade e, infelizmente tenho que conviver com isso, é esse fato:  Eu sou nerd.

Juntem as peças:  Eu tenho um blog e um Twitter, fiz engenharia, as pessoas vivem dizendo que eu sei de tudo, que sou inteligente, etc.  Se você ainda acha que eu não sou nerd por causa disso, segue a confissão suprema:  Eu gosto de Star Trek (Jornada nas Estrelas).

Não sou nenhum Trekker, nunca usei um uniforme, não falo Klingon, não conheço todos os episódios das séries, não perdi dias estudando desenhos da Enterprise ou nada disso.  Não tenho nada contra quem faz isso, mas não é meu caso.  Mas, quando passa um episódio, sempre acabo assistindo.

Isso começou com meu pai.  Ele assistia isso sempre, e eu acabei me tornando fã de Star Trek e Battlestar Galactica.  Recomendo as duas séries para qualquer um.  Mas o papo hoje é de Star Trek.

Essa série foi feita lá nos anos 60, eu não era nascido, mas foi reprisada infinitas vezes e, numa dessas é que calhou de eu assistir.  A série tem episódios muito legais, sempre colocando os personagens em dilemas éticos, que os forçam a questionar todo o seu ensinamento de pessoas certinhas.

A série trazia várias inovações:  No auge da guerra fria trazia um tripulante russo que era um aliado.  O primeiro beijo interracial da TV americana ocorreu em um episódio da série.  Isso apenas considerando a série clássica.

Eu sempre gostava mais dos aspectos técnicos, adorava os episódios em que havia batalhas de naves (Como “Balance of Terror” ou “The Way of the Warrior” ou “Yesterday´s Enterprise”), mas, em Star Trek episódios onde eles vão as vias de fato com suas naves são bem raros.  Na série original, um personagem sempre me chamava atenção:  O senhor Scott.

Scott é um escocês, engenheiro chefe da Enterprise.  Era o terceiro em comando após o capitão Kirk e o sr. Spock.  Scott gostava de whisky, bebia inverteradamente, e mantinha tudo funcionando na nave.  Era sempre ele que dizia que a nave ia se partir, que ela não aguentaria mais um disparo mas sempre dava um jeito e tudo dava certo.

Descobri na internet que muitos engenheiros devem sua escolha de carreira ao Sr Scott.   Isso inclui Neil Armstrong.  Esse também é meu caso.  Um pouco da vontade de querer ser engenheiro era por conta dele.  Afinal quem não queria ser o cara que, quando tudo está dando errado você faz um milagre e conserta tudo?

Scott era interpretado pelo ator James Doohan.  Como se o personagem já não fosse tão inspirador para engenheiros mais legal, a vida do ator por si só o torna um ídolo para quem admira veteranos de guerra e a II Guerra mundial.  Doohan foi veterano do dia D, na artilharia canadense, chegou ao posto de capitão e levou nove tiros de metralhadora em 6 de junho de 1944.  Depois da guerra ele seguiu sua carreira de ator e se destacou em Star Trek.

Eu me inspirei no personagem em uma vez que joguei um RPG de Star Trek via e-mail.  fui expulso por tocar o terror na base estelar que servia como engenheiro.  Eu montei uma rede de tráfico de Cerveja Romulana por toda a Galáxia, os bajorianos estavam se amarrando na azulzinha e eu estava virando o Al Capone da Federação.  O pessoal que jogava comigo se divertia com meus e-mails com as loucuras do Ten. Vieira. Pena que os comandantes do jogo o queriam levar a sério demais.

Sábado passou um episódio de Star Trek a nova geração (Relics) em que eles faziam uma homenagem ao Scott.  O ator James Doohan participava do episódio (gravado em 1992).  Foi uma homenagem muito bonita para ele, e para o personagem.  Um dos episódios mais emocionantes da segunda série de Star Trek.  Me fez lembrar da minha infância e do velho Sr Scott que, ao fim das contas me inspirou também a ser engenheiro, mesmo que nunca de uma nave estelar.

Nosso bom Doohan nos deixou em 1999.  Uma parte de suas cinzas foram lançadas ao espaço assim como as do criador da série (Gene Roddenberry).  Scotty nos ensinou muitas coisas sobre como fazer os milagres que ele fazia na Enterprise.  Deixo dois conselhos que ele citou no episódio:

“Capitães de naves são como crianças.  Querem tudo do seu jeito e na hora.  O segredo está em dar a eles apenas o que eles precisam saber e na hora em que eles precisam”

“Se uma tarefa lhe custa uma hora para ser feita, diga que precisa de duas horas.  Faça em uma e todos dirão que você faz milagres.

Ao menos agora, lá em cima, quem está operando o transporte é alguém que sabe como fazer.  Só espero que o Sr Scotty não se lembre de mim por um bom tempo…

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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Uma resposta para James Doohan

  1. katia disse:

    Fazer o q se eu adoro esse nerd… aff

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