Desabafo

Esse post era pra ter vindo ontem mas se assim o viesse viria com carga muito mais pesada e provavelmente causaria sérios incidentes diplomáticos.  Mas a verdade é que estou realmente cansado.

Por que será que as pessoas ao verem que uma coisa é propriedade sua, acham que isso significa que a coisa é pública e que podem fazer o uso que quiserem dela, ou consumirem, ou o raio que o parta?  Por que todo mundo pensa que você não dará falta ou não se importará ou ambos?  Ou, por que as pessoas não respeitam você a ponto de não pensarem em você antes de mexerem nas suas coisas?  São perguntas que eu não consigo respostas.

Egoísmo nunca foi a minha praia.  Ao contrário sempre fui pautado pela generosidade.  Só nunca distribuí dinheiro por aí, mesmo porque não estou milionário nem louco.  E dinheiro é uma coisa muito difícil de se ganhar para ficar distribuindo por aí.

Mas quanto a outras coisas, nunca fui de esconder tudo, de não dividir nada, ou coisas do gênero.  Mas parece que as pessoas acabam entendendo errado e acham que podem fazer de tudo com você que você não irá se incomodar.  Você pode não falar, mas não vai gostar.

Talvez seja trauma de infância.  Um psiquiatra ia adorar minha história.  Me lembro que uma vez minha mãe deu um carrinho meu para um garoto sem que eu soubesse.  O carrinho não era nada demais, mas eu o tinha como de estimação.  No dia que o vi na casa do garoto, nem pensei duas vezes:  “roubei-o” de volta.

A partir daí sempre foi festa.  Parece que o sentido de posse meu não existe.  Ou eu, de alguma forma estava sendo forçadamente comunista onde o sentido de propriedade privada não existia pelo menos para mim.  Minhas coisas, desde doces, a brinquedos ou roupas eram simplesmente vistos nas bocas, mãos e corpos de outras crianças sem que eu pudesse sequer dar uma opinião.  E nem era emprestado.  Era dado.

É neura de criança?  Pode ser, mas se tem uma coisa que eu detesto é que minhas coisas sumam, sejam usadas ou consumidas sem que eu tenha pelo menos ciência disso.  Isso simplesmente me irrita.  Eu não faço isso com os outros, porque tenho que ser vítima?

Tenho dois computadores:  O meu desktop em casa e o note que me acompanha.  Ambos são compartilhados:  O desk, com minha irmã, meu cunhado, etc e o note com o Evandro.  Isso não me incomoda em nada porque eu simplesmente sei que estão usando, e eu mesmo permiti isso.  Então, quando eu ligo o computador e percebo um ícone novo ou um desktop abarrotado de ícones (coisa que detesto), não me irrito com isso.  Simplesmente arrumo e digo a quem pôs os arquivos lá, onde eles estão agora.

Mas há coisas que você tem e que você ou está guardando para uma ocasião especial ou simplesmente você não quer usar agora, mas irá querer no futuro.  Essas é que são as mais perigosas porque geralmente são as que atraem a cobiça alheia.

Se você deixa algo guardado, essa coisa não deixa de ser sua por isso.  Se você deixa em um lugar que mais alguém vê e pode pegar, parte-se do princípio da confiança de que esta pessoa não irá pegar.  Mas as pessoas ou não entendem isso ou não são dignas de confiança.

Ou talvez seja pelo fato de eu ser muito bonzinho e legal com todo mundo.  Pessoas desse jeito normalmente não são bem-sucedidas, justamente por serem vítimas desse tipo de coisa.  O pensamento vigente é “Ah, pode usar, ele não vai se importar” ou “Ih, quebrou, tudo bem, depois eu compro outro” ou “Ah, está aqui mesmo, ele não quer eu pego” Isso tudo sem que você, o legítimo dono saiba.

Aí, na hora que você precisa, ou quer, a roupa está rasgada, não está lá, ou o que você tinha guardado para comer depois e que agora que você está salivando por aquilo não está mais lá ou várias outras coisas.

Imaginem um exemplo exagerado:  Deixo o Red 5 guardado, com tanque cheio em algum lugar por alguns dias por motivo de viagem.  Alguém vai, pega a chave e fica rodando com ele, sem que eu saiba ou tenha permitido todos esses dias.  Quando eu volto ele está com 500 Km a mais do que antes, o tanque vazio e um pneu arriado.  Isso não irritaria qualquer um?

Enfim, deixando claro:  O que me irrita é pegarem sem que eu saiba.  O Red 5 por exemplo, passou uma semana em Cabo Frio rodando com meu cunhado sem qualquer transtorno ou neura porque eu simplesmente deixei, e se trata de pessoa de confiança.

A falta de egoísmo da minha parte está cobrando seu preço.  É nisso que dá ser bonzinho.  Quando eu ainda ligava para o Orkut participava de uma comunidade chamada “Bonzinho só se F…”  É a mais pura verdade…

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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