Run to the Hills

“Corram para as colinas” Seria a tradução para o título do post.  Engraçado como isso virou gíria agora por aqui.  Mesmo que eu já tenha visto sendo utilizada muito antes, na sua versão inglesa, que dá nome ao post.  Acredito que ela deve ter sido muito gritada no Tsunami asiático de 2004.  Enfim, basicamente é uma expressão mais elaborada para o “pernas pra que te quero”.  Mas, curiosamente, eu sempre corro para as colinas.

Subir a serra de Petrópolis, se você souber apreciar o momento pode ser uma grande experiência.  Já subi por ela nas mais variadas condições.  Já subi com nevoeiro, a noite e com chuva forte, ou seja tudo de ruim que poderia acontecer.  Nesse dia também levava um “wingman” que era uns amigos que iam em outro carro e me seguiam como se eu fosse a voz da experiência naquela serra.  Naquele dia, foram as piores condições que já enfrentei até hoje na estrada.

Tem dias também que parece que o Brasil inteiro está subindo a serra.  Você não tem um segundo de sossego com carros e caminhões para todos os lados.  Quando é a noite, o que não faltam são faróis atrás de você, grande parte dos motoristas adora dirigir com o farol alto, mesmo quando tem mais gente por perto, você divide cada curva com alguém seja ultrapassando ou sendo ultrapassado, é bem chato. 

Mas a serra tem seu lado bom.  Eu lembro de quando as únicas vezes que descia a serra era quando nós íamos em excursões, quase sempre para a praia.  Era excursão em ônibus da Petro Ita, um desconforto só, quase sempre eu não tinha lugar porque minha mãe comprava duas passagens para eu, ela, meu pai e minha irmã (éramos crianças mesmo e se não fosse assim não ia ter grana pra ir), mas eu sempre torcia por dois momentos:  A travessia da ponte Rio-Niterói (as praias eram quase sempre as de Niteroi) e também por subir a serra com o por-do-sol.  Era uma belíssima imagem.  Enquanto você sobe a serra você vai vendo o sol se escondendo nas montanhas enquanto você sobe uma outra. 

Mas o subir a serra tem muito mais do que as paisagens.  Subir a serra para mim significa voltar para casa.  Voltar para onde tudo começou, voltar para onde está a maior parte das coisas e pessoas que prezo.  É uma coisa que nem dá para comentar, é uma sensação sem igual.  Fico imaginando se a vida me levar para outros cantos quando subir a serra não será mais tão frequente como deve ser a sensação amplificada pela saudade.

O Red 5 tem se especializado na serra.  Na primeira vez, ainda com motor e motorista amaciando subimos só em terceira marcha e em velocidades ridículas.  Da última vez antes deste post, subimos em quarta e quinta com ele bem esperto.  Acho que o Red 5, embora mineiro também gosta mais da calma de Petrópolis do que da agitação carioca (embora ele sofra mais por lá com os buracos)

Mas tenho gostado mais de um modo de subir a serra em especial:  Sábado pela manhã, quando o dia começa.  Colocar o Red 5 na estrada com o Sol nascendo na saída do Rio de Janeiro.  As estradas estão tranquilas, o tempo está bom, você coloca um bom CD e apenas vai.  Sem correr muito, porque os apressados não sabem o que estão perdendo.  Aí depois de ver o nascer do Sol você passa rasgando pela reta da Reduc e seu cheiro característico, ouvindo “Sweet Home Alabama”.  Aí você paga o pedágio e encara ela.  A serra.

Tem pouca gente subindo, a estrada é sua, um caminhão ou outro só de vez em quando.  Aí você brinca nas curvas que serpenteam as montanhas atacando-as sempre por dentro como se estivesse em uma corrida.  Subir com o ar condicionado do carro nessa hora é burrice.  A temperatura cai bruscamente, o ar limpa na mesma proporção.  Fica muito mais gostoso respirar.  Quando você olha para a frente em curvas, se não tem nenhum outdoor poluindo a vista você vê uma bela paisagem. Olhando no retrovisor, outra.  É como se estivesse cercado de belezas, e de fato você está.

Te leva a pensar, a ser mais feliz, a ter esperança nas coisas.  É como revigorar as energias.  Acho que por isso nunca cheguei cansado de subir a serra.  Ao final quando você passa pelo pórtico de Petrópolis no Quitandinha acabo sempre fazendo uma saudação e a partir dali estamos em casa.  É como se voltasse um pouco no tempo e fosse para os dias em que tínhamos menos preocupações, mais alegrias e menos responsabilidades.  Isso é que é, afinal correr para as colinas.  É ir para onde é seguro, quando um Tsunami parece se aproximar.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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