O dia de Heineken

Para quem segue o Twitter, sabe que toda sexta nos TTs Brasil sempre surge a expressão BUTEQUIS NEGADS.  No meio de Felipe Melo, Felipe Neto, Muricy entre outras, essa sempre está lá.  essa frase traduz o espírito da sexta feira:  É dia de bar.

Mas esta sexta em especial (23/07) começou um pouco diferente.  Bem, claro que a sexta-feira que vale contar só começa depois das seis.  Não se conta as horas perdidas no trabalho.  Enfim, dessa vez, não tinha bar depois do trabalho.  O pessoal simplesmente foi embora, contrariando todas as tradições da empresa.  O mangue não contou com nossa presença.

Acabei indo para no Habib´s da Ilha para matar a fome.  Mas, convenhamos, a sexta feira a noite não é para ser passada num Habib´s.  Subi a serra bem chateado por não ter nenhuma diversão. 

Mas como diria os melhores do mundo, a vida é uma caixinha de surpresas.  E, abandonando a calorosa noite carioca para mergulhar na gelada noite petropolitana, acabei me deparando com o que eu estava procurando.  Chegando na praça Pasteur bem cedo ainda, nem ia parar no Moe, mas eis que encontro uns amigos na praça. 

Eles estavam ali porque haviam acabado de montar as barracas para a festa de São Cristóvão, que iria ocorrer neste fim de semana.  Como manda a tradição do Ministério de Mula, tudo acaba em cerveja.  Mas cheguei no fim da festa.  Todo mundo já pensava em ir embora.  E eu, mais uma vez ia ficar fora da festa.

Mas o Wilian veio para salvar a pátria.  Ele havia me ligado na serra, mas não pude atender por estar dirigindo.  O clima na praça era de despedida, mas como ainda queríamos mais, ele me disse que a irmã dele estava no Hurricane (Pub de Petrópolis próximo a nossa casa).  Daí partimos pra lá de Red 5, o fiel companheiro.

Lá, encontramos a irmã dele e um monte de amigas dela, todas bem legais.  Não deu para conhecer muito mas percebi se tratar de um grupo bem divertido o delas.  Além dela própria que é uma pessoa muito legal, uma figura em particular me chamou atenção:  A Lícia.  Uma tricolor doente, que estava exultante pelo dia do fico do Muricy com irmão vascaíno.  Segundo me contaram, e ela mesmo disse, é uma garota bem “maluca”.  Vamos ver, se eu tiver mais contato com ela, se isso é verdade.  Mas de ser uma pessoa legal, isso não resta dúvidas.

Mas continuando no assunto, o post é sobre cerveja.  Eu e o Wilian enxugamos por lá duas Long Necks e mais umas sete garrafas grandes de Heineken.  Nunca tinha bebido tanto dessa cerveja de uma vez só quanto nesse dia.

A Heineken está na minha vida de cervejeiro desde sempre, mas até prová-la demorou bastante.  Isso porque vida de pobre sabe como é.  Passei muitos anos contando moedas e tendo que tomar Itaipava porque o dinheiro não dava para a Brahma. 

Um caso interessante com essa cerveja foi que eu a usei em dois enduros.  No primeiro, havia feito uma pergunta sobre qual era o padre santo que morreu em um campo de concentração ocupando o lugar de um pai de família judeu.  A resposta era S. Maximiliano Kolbe.  Mas como a pergunta era de múltipla escolha, precisava de duas alternativas erradas.  A primeira, coloquei S. João Maria Vianey.  Embora famoso pelo nome, quase ninguém o liga a sua verdadeira história.  Na outra alternativa não me vinha a mente nenhum santo que poderia usar.  Todos eram óbvios demais.  Daí, resolvi criar um santo.

O processo foi:  “São alguma coisa com dois nomes.”  Como falava da Alemanha, usei um primeiro nome alemão.  O que seria mais alemão do que Fritz?  Faltava-me um sobrenome.  Só me vinha a cabeça nomes de bairros de Petrópolis, o que tornaria óbvio.  Num estalo veio o nome da cerveja.  Daí surgiu S. Fritz Heineken!

Por uma lógica louca, alguém poderia ir nessa alternativa, por achar esse nome tão estranho que poderia ser verdade, porque não? S. Maximiliano Kolbe não é tão conhecido.  Mas errar nessa dinâmica significa caminhar a toa.  Meu santo cervejeiro era uma armadilha e tanto.  Não sei até hoje se alguém caiu nessa.

São Fritz Heineken voltou ao retiro do ano seguinte, na pergunta “Quem foi são Fritz Heineken?”  Não resisti.  Alternativa A:  Martir da conversão Alemã ao cristianismo.  Alternativa B:  Pai de família cristão que escondeu uma família judia dos nazistas, perdendo a vida no apagar das luzes da guerra por isto, mas salvando a família.  Opção C:  Uma louca invenção do Salonga.  Também não tenho estatísticas sobre se alguém errou essa pergunta.

Aos cervejeiros de plantão, sim, eu sei, a Heineken é Holandesa, não alemã.  E ela foi bem recebida em 02/07/2010 aqui no Brasil.  Poderiam até mudar o nome para Snjeider.

Voltando a vaca fria, o fato é que uma sexta que parecia tudo perdido terminou numa baita diversão regada a Heineken e boas companhias.  o Wilian era um cara com o qual eu não parava para um bom bate papo há muito tempo.  Só isso já ganhava o dia.  É sempre bom parar para conversar – e beber – com pessoas que você conhece de longa data.  Só faltou o Ronie para completar a quadrilha.

E parar num bar para tomar um monte de Heineken então?  Para quem um dia achou que não ia ser nada além de um peão de fábrica e que olhava anúncios de jornal para auxiliar de serviços gerais entre outras (dignas mas) mal-remuneradas profissões, o que era o caso de nós dois, estar hoje andando de avião e tomando Heineken, está de ótimo tamanho.  mas não está bom ainda.

Não me vejam de maneira arrogante, mas isso foi até o Wilian que disse.  Depois de tanto perrengue que a gente já passou, de não ter dinheiro pra nada, de não poder fazer nada, acho que merecemos um pouco do lugar ao sol.  Então, garçom, mais uma Heineken por favor! 

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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3 respostas para O dia de Heineken

  1. Maêva Kiedis disse:

    HAHAHA Adorei o nome do Santo, virei devota rsrs
    Heineken, é Heineken. Um brinde a vida, ao acontecimentos inesperados, que convenhamos, são os melhores. “Então, garçom, mais uma Heineken por favor!”

  2. Pingback: 5000 | Blog do Fernando

  3. Pingback: O bêbado na Igreja | Blog do Fernando

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