Oh Minas Gerais (2)

(Relatos da viagem a BH – Parte III)

O post anterior foi quase todo dedicado a parte da Pampulha e ao comportamento dos mineiros.  Mas BH não é só Pampulha, tem muita coisa legal para se ver por lá.  A medida que os dias vão passando os detalhes vão se apagando da memória.  Então melhor eu caprichar no que ainda tenho.  Na próxima viagem vou levar o notebook e blogar do destino ao fim de cada dia.

Estive andando por muitas ruas e praças.  Lembrando que o Red 5 tirou folga e eu não tenho cacife para alugar carro, então eu andei muito a pé e de ônibus.  O cobrador de ônibus mineiro aliás é uma pessoa muito legal que esquece de avisar quando seu ponto chegou.  E assim nos obriga a andar bastante.

Diferentemente do costume aqui do Rio a passagem lá não tem valor único.  Dependendo do ônibus e para onde ele vai os valores da passagem variam bastante.  Você encontra passagens desde 1,80 até 17,00 mas o valor típico é 2,30.  Os ônibus andam menos que os do Rio mas funcionam.  A frota está melhor do que a carioca em estado de conservação mas tem o mesmo problema de falta de linhas.

O primeiro ônibus que peguei era para vir de Confins para a rodoviária de BH.  Esse ônibus é caro, custa em torno de 7 reais o comum.  Caso queira uma viagem com ar-condicionado você paga 10 reais a mais por isso.  E nem compensa pois o ônibus comum já é um carro de estrada, só que sem ar.  Para quem veio nas poltronas da webjet esse ônibus é um mundo em espaço.

Nem posso dizer muito sobre essa viagem porque acabei por dormir em grande parte dela.  Mas como a volta é pelo mesmo caminho posso tomar esta como base.  Me parece que a linha verde vai até o aeroporto de Confins.  Senão for tudo linha verde, a estrada que vai para lá é bem pavimentada e boa.  Parece que há uma política de se orientar o crescimento da cidade naquela direção devido a construção da estrada, ao aumento do tráfego aéreo em Confins e a construção da cidade administrativa.  Percebe-se claramente um eixo de crescimento para lá.

Da rodoviária de BH ainda sem muita noção de onde estava segui para o Minas Shopping.  O lugar que seria minha casa ficava ali por perto.  Passei por este shopping umas vinte vezes sem entrar nenhuma.  Portanto, não me perguntem como ele é por dentro.  Por fora é um shopping como outro qualquer.  Mas este shopping ficou marcado como meu ponto de partida – e de chegada – das minhas aventuras mineiras. 

Estive andando bastante pelo centro da cidade e uma das coisas que me chamou atenção é o número de Ipês.  Esta árvore é tida como um símbolo nacional (além do pau-brasil) e estamos na época destas árvores florescerem.  Estas árvores floridas ficam muito bonitas, consegui algumas fotos.

 

De uma forma geral a cidade me lembrou bastante Niterói, pela sua organização, calma, áreas bonitas para se passear.  Niterói ganha por ter praia.  Os mineiros tem a lagoa mas só um louco tomaria banho ali.  Mas eles tem praças bem legais.

Algumas eu simplesmente não sei o nome.  Mas uma que me chamou atenção foi a praça da Liberdade.  Esta praça fica em frente ao palácio do governo.  Bati lá para um café com meu grande amigo Aécio, mas ele não estava em casa.  Tive que me contentar em ficar na praça.  Essa praça possui um belo corredor de palmeiras imperiais que vai direto ao palácio do governo e atravessa-a ao meio, bem ao estilo antigo. 

Talvez algo próximo seja o cartão postal de Petrópolis em que você olha da praça da Liberdade (coincidência não?) e tem de um lado a Catedral e do outro o Relógio de flores, atual UCP.  Guardadas as proporções e o fato de que não há rio nesta parte de BH, podemos dizer que se parecem.

Eles tem uma praça chamada praça 7 de setembro, que eles abreviam para praça 7 que parece ser a grande piada deles por conta do pequeno obelisco que há no centro desta praça.  Se eles vissem o obelisco que temos em Petrópolis…  Esta praça concentra alguns barzinhos e, quando eu passei por ela ocorria uma apresentação de soul (!).  Foi muito divertido ver a galera da casa dos 50 se divertindo ao som de James Brown, Little Richard entre outros.  E como eles dançavam bem.  Me senti no Bronx passando por eles.

Um pouco por conta da copa do mundo não conheci algumas praças.  A praça principal da cidade, cujo nome me foge estava ocupada por uma arena da Globo, uma espécie de Fifa fan fest mineira.  A praça do Papa tinha a mesma coisa.  Essa eu gostaria de ter conhecido, Fã de João Paulo II que sou.  Ele esteve lá na sua primeira visita ao Brasil.  Saudades deste Papa.  Mas posso dizer que testemunhei a vida de um santo.

Passando direto pela praça do Papa o ônibus me levou até a Serra.  Segundo minha guia há algumas favelas por ali.  Mas eu notei que a cidade é um mercado imobiliário em plena expansão, dada a quantidade de lançamentos imobiliários que tem por lá.  Ela possui bastante espaço para crescer e para empreendimentos.  Alguns bairros serão imensos canteiros de obras.  Uma boa política desenvolvimentista por lá pode fazer esta cidade crescer bastante em ritmo até maior que Rio e SP.  Isso porque ela tem espaço.  Mas o trânsito caminha para um grande imbróglio.  Veremos o que os governos farão.

Quem vai a Minas conhece igrejas é claro.  Além da Igreja de S. Francisco conheci também uma outra cujo nome me escapa agora mas ela me chamou atenção.  A Igreja é em estilo gótico, tal qual é a Catedral de S. Pedro e a Igreja de St Antônio em Petrópolis e, de longe é meu estilo de igreja preferido.

O estilo gótico tem suas curiosidades por estar relacionado a maçonaria, trazer pinturas mais realistas, pessoas menos rechonchudas e cenas mais elaboradas que o barroco típico de Minas.  A Igreja de S. Francisco é um extremo pois é totalmente modernista com pinturas expressionistas.

Talvez a maior curiosidade sobre o estilo gótico é sua associação à maçonaria.  Elementos maçons são tipicamente vistos nestas igrejas que, em parte destoam do catolicismo, mas são vistos de maneira discreta, e você precisa procurar por eles.  De fato, uma das coisas mais interessantes nas igrejas góticas é a quantidade de símbolos presentes em seus afrescos e vitrais.  E, nesta igreja me surpreendo com os doze signos do zodíaco pintados ao longo da igreja.

Não dá nem para dizer que é coincidência, pois foi feito de propósito.  A nave da igreja se divide em doze pelas colunas ao longo dela, permitindo um afresco em cada parede.  Estes afrescos trazem motivos religiosos, mas acima deles lá estão os símbolos do zodíaco.  Não pude ficar muito tempo para observar as pinturas pois entrei no meio da Missa.  Quando voltar lá irei com calma observar.  Daí poderá sair meu best seller “O código BH”.

A comida mineira merecerá um post a parte tão logo eu consiga prová-la direito.  Nesta viagem fiquei apenas com pão de queijo e um macarrão que me deram de almoço que estava fantástico.  Permitiu que, depois dele, só comesse no Bob´s do aeroporto muitas horas depois.  A quem fez o macarrão meus parabéns e meu muito obrigado para quem o levou.

Para o próximo post em breve é hora de contar sobre a noite de BH.  Será de longe o post mais divertido da série.  Não imaginam a aventura que foi.  Vou tentar acelerar a sua publicação pois já tem uma semana e nada dessa novela terminar.  Aguardem cenas dos próximos capítulos.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Diários de Viagem e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Oh Minas Gerais (2)

  1. luanocio disse:

    Gostei de seu relato (sou mineira, apesar do sotaque paulista!rs) e achei belíssima a fotografia do Ypê Rosa! (São Ypês,né?rs)

    Saudações,Lua.

  2. Pingback: O Pato no Tucupi | Blog do Fernando

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