Oh Minas Gerais… (1)

(Relatos da viagem a BH – Parte II)

Certo, então eu tenho que continuar contando minha jornada de fim de semana a BH.  Já contei da viagem de ida e de volta, mas ainda não falei nada da minha estada na cidade.  Como o William já está perguntando, e para a felicidade da nação, vamos aos fatos:

Eu fui para a capital mineira estritamente a passeio.  Sem compromissos oficiais, sem agenda, apenas para viajar.  Já estava na hora de mudar um pouco os ares, afinal ficar nessa de só Petrópolis – Rio de Janeiro com visitas esporádicas ao outro lado da poça d’água e Maricá (que aliás estou com saudade de Itaipuaçu, está na hora de voltar.  O Red 5 também anda me pedindo para atravessar a ponte).  Queria sair do estado.

Bem, daí escolhi a capital mineira pois nunca tinha ido até lá, é um lugar relativamente próximo ao Rio, o que permite que, se der problema eu volte rápido e eu não via grandes perigos na terceira maior cidade da região (não posso garantir que seja do Brasil, me perdoem os mineiros, mas estou com preguiça de procurar).  As aventuras da viagem já lhes contei.

Chegando a confins, depois de localizar os serviços básicos de banheiro, banco e ônibus, nesta ordem pois o taxi do Rio para o Galeão me limpou, parto para o centro da cidade.  A pessoa que me guiaria estaria me esperando na rodoviária, pelo menos era esse o combinado.

Eu tive tanto medo de perder o voo no sábado que mal dormi aquela noite, acordando várias vezes.  Isso me deu um baita sono naquele dia.  Não seria no avião que eu iria dormir, afinal não voo todo dia.  então, uma parcela do sono foi no ônibus de confins para BH.  Não queria dormir naquele ônibus pois teria muita coisa para ver, mas o sono venceu.  Acordo assustado já dentro da cidade na Linha Verde.

A Linha Verde, segundo me asseguraram os mineiros é a grande obra do governo Aécio.  Eles dizem que ela não funcionou muito, o trânsito continua uma porcaria.  Eu não a vi em um meio de semana, mas não vejo porque os mineiros iriam mentir.  Ela é uma espécie de Linha Vermelha mineira.  Só é mais bonita que a nossa e nela passam pedestres.

Aliás, provavelmente por causa da fábrica da Fiat próxima, os modelos da montadora italiana dominam as ruas de BH.  Os mineiros tem um ótimo gosto para carros.  Quase não vi Renaults.  O Linea está vendendo aos montes por lá.  Também foi aonde eu vi mais Puntos.  Isso tiraria minha exclusividade por lá, mas acho que o Red 5 gostaria de estar em meio a tantos irmãos.  Afinal, o Red 5 é mineiro.

O motorista mineiro aliás contrasta e muito com o mineiro.  Pois eles parecem todos senhores volantes (lembram do desenho do pateta?)  Eu achava que o carioca dirigia mal, mas o mineiro é bem pior, pois se o carioca quase nunca dá vez ao pedestre, o mineiro nunca dá.  Aliás poucos deles sabem qual a função da seta no carro e da importância de se sinalizar.  A educação no trânsito anda bem em baixa por lá.  E o Detran MG dizem ser dos mais rígidos do Brasil.

Mas o que falta em simpatia ao mineiro no trânsito sobra quando ele está a pé.  O mineiro é o povo mais simpático e conversador que eu já vi.  Em qualquer lugar que você para, alguém há de ir conversar com você.  Foi assim quando fazia hora para o aeroporto para ir embora.  Ainda era muito cedo e minha guia já havia me abandonado.  Estava sozinho em BH.  Então o que a gente faz?  Bebe!

Entrei num bar na rodoviária para tomar uma cerveja.  Pedi minha querida Brahma e, não foi nem a garçonete abrir a garrafa e já ia um mineiro puxar conversa comigo.  Em menos de cinco minutos formou-se uma roda de umas cinco pessoas a conversar.  Daí descobrir que um deles estava chegando de sua cidade no interior para o trabalho e tinha batido o carro lá tentando dar um cavalo de pau, um outro estava indo para Curitiba para trabalhar como montador de estruturas metálicas, um outro ainda se dirigia para Santos Dumont para visitar a família…

Havia um que ia para Brasília.  Esse me fez lembrar Faroeste Caboclo.  Faltou ele me oferecer a passagem.  Mas ele não tinha filha doente e queria mesmo ir para Brasília.  Coloque eu que ia para o Rio e pronto, havia gente indo e voltando de todos os cantos.  O papo corria leve com pessoas entrando e saindo de acordo com o horário dos ônibus.  Me arrependi de sair de lá tão cedo para ser uma vítima do caos aéreo.

O mineiro gosta mesmo de conversar, quando juntam-se dois então nem se imagina.  Na lagoa da Pampulha tem um posto de informações turísticas.  Paramos lá para algumas informações.  Deu-se um papo de meia hora entre minha guia e a mulher do quiosque, enquanto eu acompanhava um pouco da surra que a Alemanha aplicava na Argentina.

A moça do quiosque também me mostrou mais uma verdade sobre os mineiros:  Quando um deles dizer que algo fica logo ali, pegue um ônibus.  O logo ali dos mineiros é realmente muito longe.  Ela me disse que a Igreja de S. Francisco era logo ali.  De fato era.  Logo ali do outro lado da lagoa.  Atravessá-la demandava alguns quilômetros.  Andar esses quilômetros custou sede e uma foto de capivaras e jacarés.  (sim, esses animais vivem por ali).

O entorno da lagoa da Pampulha parece ser o local de lazer diurno principal da cidade.  Seria uma espécie de Calçadão de Copacabana mineiro.  Com a desvantagem de que não dá para tomar banho na lagoa.  Lá tem uma imagem de Iemanjá com um portal e a imagem está dentro da lagoa.  na beira há potes de metal para que os umbandistas façam suas oferendas.  Acaba não ficando uma área muito bonita pois, tem quem deixa somente rosas, mas tem muitas velas, comida, bebida e até uma asa de pombo.  Se depender dos adeptos aqui os oroxás viveram bêbados e engordarão vertiginosamente.

Caminhar pela lagoa da Pampulha é bem legal, mas venha preparado.  A volta é de 16km (não a fiz toda) e minha guia estava a ponto de me matar por conta de tudo o que eu a fazia andar.  Mas, como boa mineira, não perdeu a simpatia. 

No entorno da Lagoa há a casa de Bailes.  Ali devia ser o lugar onde o jovem prefeito Juscelino fez suas farras.  Hoje ela é um centro de exposições, mas como eu adoraria dar uma festa lá…  Em frente as casas pertencem a magnatas.  Um deles coleciona carros antigos.  O motorista dele me permitiu umas fotos dos que estavam na rua.

Como todo bom turista, visitei a Igreja de São Francisco.  Tem toda a sua história de que foi projetada por Niemeyer e pintada por Portinari.  Dizem que Portinari ao pintar o painel do Altar-mor com S. Francisco em meio aos animais iria pintar um lobo próximo ao santo.  Mas um vira-lata entrou na igreja e ficou lá posando para ele.  Resultado:  O painel traz S. Francisco com um vira-lata.  Nada melhor para homenagear nossos cachorros.

Mas a coisa curiosa que mais me chamou atenção na igreja é o confessionário.  Igreja moderna, cheia de curvas por dentro e por fora, trazia um confessionário igualmente contruído na arquitetura moderna.  O problema é que contrataram arquitetos mas não engenheiros.  Assim, o confessionário jamais foi utilizado por conta da acústica, afinal ninguém iria querer que seus pecados ecoassem por toda a igreja.

Conheci ainda em BH, que também fica próximo a Lagoa o Estádio Mineirão.  Entrei no estádio que possivelmente abrigará o próximo jogo de copa do mundo depois da final do dia 11/07 (morra de inveja Pedro).  Ele já está em obras.  Pobres Cruzeiro e Atlético que não sei onde disputarão o resto do Brasileiro.  Ah sim, eu fui convidado pelos meus amigos mineiros a ir assistir com eles o próximo Atlético MG X Vasco.  Aliás, parece que a torcida do Atlético é bem maior em BH.  Só conheci atleticanos.

Entrar no mineirão só me foi possível porque o pessoal de uma empresa iria jogar uma pelada por lá.  entrei como se fosse mais um e fui tirar minhas fotos e conhecer o estádio.  Vai dar trabalho adequá-lo as normas da Fifa, mas ele merece.  Merece uma Spider Cam e a Câmera do Pedro por lá também. 

 

Vou guardar para o próximo post as praças de BH, os passeios de ônibus, a comida mineira e os Ipês pois estou com fome agora.  Talvez ainda hoje a parte II da minha viagem, com mais fotos.  Acho que ainda vamos ter mais umas duas partes, pois a noite de BH merece capítulo especial.

 

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Diários de Viagem e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Oh Minas Gerais… (1)

  1. katia disse:

    Conhece mto pouco de BH faltou o Hard Rock a Serra da Moeda e os inumeros barzinhos… vai ter q voltar..kk

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